A guerra do México contra as drogas não tem sucesso e é dolorosamente escondida

CIDADE DO MÉXICO ¿ Museus são gloriosos depósitos de cultura, refletindo o florescer da criatividade humana, perspicácia e arte. Mas nem tudo em toda cultura é glorioso, e existem museus para esses aspectos também, que por esse motivo, são escondidos do público. Existe uma instituição no México devotada ao lado negro da nação, o Museu das Drogas.

The New York Times |

É um lugar que deixa de mãos trêmulas aqueles que conseguem entrar. Eles lamentam a longa, impetuosa e fracassada guerra do país para controlar os narcóticos ilegais.

Gerenciado pelos militares mexicanos e aberto apenas aos cadetes de alta patente e seletos convidados, o Museo de los Enervantes apresenta a guerra da droga em toda a sua feiúra e complexidade.

Existe uma ala destinada às raízes da droga na América, como o uso de plantas alucinógenas e cogumelos pelos Maias e Astecas, e exibindo tudo que os militares fazem para acabar com as drogas, como arrancar pés de maconha pela raiz e descobrir cocaína e heroína escondidas.

Você erradica em um lugar e continua em frente, e quando volta, eles estão crescendo novamente disse o Major Mario Ayala Lopez, que pede que seu rosto não apareça em nenhuma foto, um pedido atípico para um curador de museu, mas uma realidade nos dias atuais do México, onde a droga e a violência não conhecem limites.

Exemplares

Para dar aos novos cadetes a noção do que eles irão combater uma vez que entrarem em ação, as próprias drogas estão em exibição, exemplares de verdade sob o vidro.

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Há a exposição de vários tipos de drogas
Tem de tudo: anfetaminas, que são produzidas em grande quantidade no México, heroína, maconha, que crescem em campos escondidos no interior do país. O museu não poderia ser mais seguro, é localizado no topo do Ministério da Defesa. 

Ao longo dos corredores, há um manequim de um fazendeiro apoiado numa árvore com rifle em mãos, guardando uma plantação de papoula e maconha. Ao redor do seu pescoço, um pingente de Jesus Malverce, considerado o padroeiro dos fora-da-lei.

Exposições

Em exposição estão anotações reais que soldados capturaram nas incursões pelos campos que descrevem as drogas que serão consumidas. As mensagens escritas a mão são pedidos dos fazendeiros aos soldados para que deixem seus campos em paz em troca de um pouco de dinheiro.

Levar drogas ao maior mercado do mundo, os Estados Unidos, requer perspicácia, e existe uma ala inteira devotada a isso. Sapatos cheios de droga, caixas de bebidas e mesmo pranchas de surfe cheias de drogas estão em exibição.

Existe um sonho recheado de sementes de papoula que são utilizadas para fazer heroína e uma boneca que foi preenchida de drogas e entregue nas mãos de uma criança.

O modelo de uma mulher que foi apreendida em Tijuana mostra seu estômago sobressaltado, não por gravidez, mas por um pacote que contém cocaína. Uma fotografia retrata outra traficante, esta com a cocaína cirurgicamente implantada em suas nádegas. Ela morreu após um dos pacotes estourarem ao chegar no aeroporto da Cidade do México.

Próximo ao fim do tour pelo museu, inaugurado em 1985, são apresentadas as pessoas que transformaram o México no país mais importante do tráfico de drogas do hemisfério. Há um modelo de um traficante estereotipado usando botas de cowboy, a fivela do cinto exibindo uma folha de maconha e repleto de jóias.  

Traficantes

Na parede está uma fotografia do filho de um traficante, um bebê usando roupas camufladas cercado por dezenas de armas. Existe uma geração que está crescendo nesta cultura, disse Ayala. Para eles, isto é normal.

Mais além, há algumas vestimentas capturadas durante incursões,

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Museu mostra estilo de vida dos traficantes
assim como um colete à prova de balas e uma camisa pólo protetora, desenhada por Miguel Caballero, estilista colombiano que administra uma loja não muito distante dali.

Traficantes têm muito dinheiro para gastar e esse museu dá uma amostra dos hábitos de compra deles. Há um celular revestido de ouro recuperado de Daniel Perez Rojas, um dos fundadores do Zetas, um grupo paramilitar, e diversas armas decoradas com metais preciosos e pedras. Uma pistola Colt recuperada de Alfredo Beltra Leyva, líder do temido Sinalo e preso em janeiro, exibe uma citação revolucionária, Prefiro morrer em pé que viver de joelhos.

Em nenhum lugar está escrito guerra no museu, porque os militares mexicanos consideram a missão antinarcóticos uma coisa diferente. Nós não usamos esse termo, disse Ayala, que usava seu uniforme enquanto caminhava pelo museu.

Por MARC LACEY

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