A despedida a um tabloide histórico arrasado por um escândalo

Ao sair da redação do jornal News of the World rumo ao pub, jornalistas tiveram de deixar mesas de trabalho e notebooks intocados

The New York Times |

Os repórteres que deixaram a redação do jornal News of the World pela última vez no sábado à noite foram informados pela polícia que deveriam deixar suas mesas de trabalho, incluindo os seus notebooks, intocados. Eles foram autorizados a ficar apenas com os seus telefones celulares.

AP
Última edição do tabloide News of the World trouxe pedido de desculpas e deu adeus aos leitores (10/7)

Com isso, o jornal de 168 anos chegou ao fim, derrubado por um escândalo de escutas telefônicas ilegais que vem abalando a mídia da Grã-Bretanha, sua força policial e seu governo, e ameaça o império de um magnata Rupert Murdoch, antes aparentemente inabalável. A edição final incluiu um pedido de desculpas aos leitores pelo jornal ter perdido o seu caminho, assim como uma revindicação desafiadora sobre ser o "maior do mundo".

Conforme os membros da equipe saíam um a um do jornal, o editor Colin Myler revisitou uma tradição que remonta aos dias de glória do jornalismo britânico. Ele subiu em uma mesa e os golpeava levemente com uma régua enquanto olhava cada membro da equipe nos olhos, um adeus enfático conhecido como "bater para fora".

Pub

No pub da esquina, onde as bebidas ficaram por conta da empresa, os funcionários do News of the World bebiam enquanto suas próprias entrevistas eram repetidas na televisão no canal Sky News.

"Ninguém aqui teve nada a ver com as escutas", disse um jornalista que não quis ser identificado por medo de prejudicar suas perspectivas de emprego na News International, dona do News of the World, bem como de outros jornais britânico.

Havia desdém generalizado pelos executivos da News International, especialmente a chefe-executiva Rebekah Brooks , que muitos disseram ter salvo o próprio trabalho com o fechamento do jornal.

O nome de Brooks adquiriu um tom pejorativo. Um ex-funcionário disse que as suas despesas desta semana haviam chegado a US$ 4 mil, um gesto de despedida.

Bebidas e vingança, no entanto, foram esquecidas quando a última edição do tabloide chegou ao pub por volta da meia-noite. Além de um mensagem de "Obrigado e adeus" na primeira página, os leitores encontraram no domingo de manhã um editorial na página 3 que abordava "um período de alguns anos até 2006", durante o qual "nós perdemos o nosso caminho. Acima do editorial, as palavras desafiadoras: "O maior jornal do mundo, 1843-2011".

*Por Ravi Somaiya

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