A denominação da gripe suína é uma questão curiosa

HONG KONG ¿ O que é chamado de uma nova tensão sobre os crescentes alertas do vírus da gripe em todo o mundo passou a ter uma conotação política, econômica e diplomática.

The New York Times |

Os produtores de carne de porco questionam se o termo gripe suína é apropriado, dado que até agora os porcos não parecem estar doentes. Oficiais do governo tailandês, um dos maiores exportadores de carne, começaram a se referir à doença como gripe mexicana. Um representante do ministro da saúde ¿ um judeu ultra-ortodoxo ¿ disse que seu país faria o mesmo, para evitar que os judeus digam a palavra suína. No entanto, parece que seu pedido foi amplamente ignorado.

A Organização Mundial da Saúde Animal, que toma conta das questões veterinárias em todo mundo, lançou um relato, na noite desta segunda-feira, lembrando que a nova doença deveria ser chamada de gripe norte-americana, para manter uma longa tradição médica de nomear gripes pandêmicas com as regiões onde foram inicialmente identificadas. Isso inclui a gripe espanhol de 1918 a 1919, a gripe asiática de 1957 a 1958 e a gripe de Hong Kong de 1967 a 1968.

O debate provavelmente continuará enquanto cientistas e autoridades da saúde tentam investigar a doença. Enquanto todos os sinais apontam para o México como o epicentro, o material genético do vírus contém um vírus de gripe suína originada na Eurásia. E os vírus de gripe tendem a surgir na Ásia.

O primeiro-ministro da China pediu, nesta terça-feira, por medidas mais eficazes para prevenir e controlar quaisquer casos possíveis de gripe suína que possam aparecer no país.

Muitos historiadores médicos acreditam que as gripes asiáticas e de Hong Kong começaram no sudeste da China, próximo a Hong Kong, onde uma grande densidade de pessoas mora perto de porcos e frangos, em áreas rurais e poderiam compartilhar desses vírus. Alguns historiadores também sugerem que a gripe espanhola também começou no sudeste da China.

Mas especialistas na gripe da Ásia disseram que o novo vírus provavelmente não passou de animais para pessoas na Ásia.

Se esse fosse o caso, até agora teríamos visto um monte de infecções na Ásia, disse Subash Morzaria, gerente regional da Ásia e do Pacífico no Centro Emergencial de Doenças Transfronteiriças, que é parte da Organização de Alimentos e Agricultura da ONU.

O segmento genético de neuraminidase (uma importante glicoproteína de superfície do vírus) do vírus, que dá a ele seu elemento N1 e controla a habilidade de ele invadir células infectadas, parte de uma tendência de gripe suína na Eurásia, de acordo com Dr. Yuen Kwok-yung, microbiólogo da Universidade de Hong Kong. Mas acrescentou que muitos poços são levados além das fronteiras nacionais e que é impossível situar sua localização precisamente. Por outro lado, os porcos carregam muitas doenças e as regras de importação e exportação são rígidas.

Há pouca indicação de qualquer erupção de uma nova gripe na China. Não houve o surgimento de doenças, recentemente, entre porcos e criadores de porcos, de acordo com Ben Boake, vice-presidente executivo da Henan Zhongpin Food Company Ltd., uma das maiores empresas de processamento de carne de porco da China.

Milhões de porcos morreram na China há dois anos em uma epidemia tão severa que aumentou o preço da carne de porco em 90%.

Veterinários atribuem às mortes daquela época, principalmente, à doença da orelha azul, que não afeta humanos, mas também à gripe suína. O governo chinês não divulgou um relatório público avaliando o surto e forneceu poucos detalhes às organizações internacionais.


Por KEITH BRADSHER

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