A crença deles é no poder da persuasão

NOVA YORK ¿ Para os ateístas organizados da cidade ¿ espero que isso não pareça muito idiota ¿ a crise econômica parecia, com todo o respeito, ser um presente dos Céus.

The New York Times |

Você conseguiu, disse Kenneth Bronstein. Ele é o presidente dos Ateístas da Cidade de Nova York, cujo nome deveria ser auto-explicativo.

No último mês, seu grupo divulgou cartazes de cerca de 3,5 metros nas laterais de ônibus, em Manhattan. Você pode tê-los visto, ou talvez não. O Trânsito de Nova York tem 981 ônibus distribuídos em Manhattan, e os ateístas só podiam bancar duas dúzias de propagandas.

A mensagem, em letras brancas em um fundo de azul cor de céu, não se confronta com o design. Ela não ataca a religião ou diz que não há Deus. Ela simplesmente diz: Você não tem que acreditar em Deus para ser uma pessoa moral ou ética. Não dá para negar esse pensamento. A maioria de nós que não acreditamos é o pilar da integridade. Nós também já vimos muitos tipos religiosos que são tão honestos quanto um dia do inverno siberiano é longo.

Bronstein disse que a campanha publicitária, marcada para terminar neste fim de semana, foi um sucesso ressoante que alavancou doações e pedidos para se unir a sua organização. Nós não anunciamos nossos números, disse ele, mas dizemos que temos centenas de integrantes pagantes.

As pessoas religiosas o contatam para dizer que concordam com a mensagem, disse ele. Ainda mais significativo para ele são as ligações de colegas ateus. Muitos, muitos ateístas eram tão orgulhosos que nós finalmente os recrutamos, disse. Anunciamos para o mundo que estamos por aí. Estamos aqui.

Em certos pontos, a estratégia imita as usadas pelo movimento dos direitos homossexuais, ao persuadir uma pessoa mais fechada a se revelar. As pesquisas mostram que os números dos ateístas estão crescendo pelo país. Eu recebo ligações de gente que diz eu fui ateu por toda minha vida e eu tinha medo de contar a alguém, disse Bronstein. Por causa dos anúncios, de acordo com ele, as pessoas agora sentem, Ei, há outros de nós por aí e eu tenho orgulho de ser ateu.

Para voltar ao ponto falado anteriormente, a crise econômica tem sido algo como uma benção para os descrentes. Nós provavelmente não poderíamos fazer esse programa de anúncios em Nova York se o Financial Times estivesse indo bem, disse Bronstein, que tem 70 anos e se aposentou pela IBM. Mas as pessoas estão procurando negócios.

A empresa que vende os anúncios nos ônibus de Nova York chama Titan Worldwide. As conversas de Bronstein com um representante da Titan o levou a acreditar que em tempos normais ele devia se considerar um peixe muito pequeno. Você deve ter percebido que esses não são tempos normais.

Eu não tinha dinheiro para fazer um programa de US$ 50 mil a 100 mil, disse. Eu tinha cerca de US$ 10 mil para fazer isso. Eu acho que o que aconteceu foi que eles precisavam de negócios. Se você olhar os trens do metrô, há muito espaço vazio para anúncios. O ponto principal é que eles aceitaram um programa de US$ 10 mil.

Foi quase igual com a empresa que desenhou os anúncios, por cerca de US$ 1 mil. Eu nunca tive uma resposta assim, disse. Eles ficaram me ligando de volta: Posso ajudar com isso? Posso ajudar com aquilo?, por um pedido de US$ 1 mil eles gastaram muito tempo tentando conseguir fazer negócios comigo.

Funcionários da Titan e da Autoridade de Transporte Metropolitano disseram que não receberam nenhuma reclamação dos anúncios ateístas. Bronstein disse o mesmo. O único comentário potencialmente negativo que recebi foi de alguns ateístas que desejavam que a mensagem fosse mais forte: acabar com a religião porque eles acabam com a gente o tempo todo. Eu disse, Não, não vou fazer isso.

Um de seus objetivos agora é arrecadar dinheiro suficiente para expandir a campanha para ônibus além de Manhattan.

Mas vamos encarar o fato: seu grupo não terá sucesso em Nova York até que a cidade suspenda alguma regra para um de seus feriados. A maioria dos 30 ou mais feriados são religiosos por natureza. Essa é uma cidade onde a limpeza não tem necessariamente a ver com deus. O problema em ser ateu é que você não tem feriado. Isso é o que Henny Youngman disse, disse Bronstein.

Feriados possíveis foram propostos. Um é o aniversário do Charles Darwin, em 12 de fevereiro. Embora essa data seja junto com a de Abraham Lincoln. Além disso, Bronstein não pensa muito nisso. Darwin é muito controverso, disse. Atpe o solstício seria melhor, disse. Ou talvez os dois.

Não que isso realmente funcione. Eles vão me negar não importa o que eu fizer, disse.


Por CLYDE HABERMAN

    Leia tudo sobre: ateureligião

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG