Kiev expulsa manifestantes de prédio em Kharkiv para conter tumultos que Ocidente teme possam levar à invasão russa

NYT

O Ministério do Interior da Ucrânia expulsou manifestantes pró-Rússia de um prédio da administração regional na cidade oriental de Kharkiv na manhã desta terça-feira, prendendo cerca de 70 deles enquanto o governo interino de Kiev agia para exercer controle sobre tumultos que os EUA e seus aliados ocidentais temem que possam levar a uma invasão militar russa.

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Membros de uma unidade especial da polícia guarda o prédio da administração regional em Kharkiv, Ucrânia, após expulsão de manifestantes
AP
Membros de uma unidade especial da polícia guarda o prédio da administração regional em Kharkiv, Ucrânia, após expulsão de manifestantes

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A operação bem-sucedida para remover os manifestantes foi anunciada pelo ministro do Interior em exercício Arsen Avakov, que viajou para Kharkiv para supervisionar o esforço policial e descreveu uma dramática operação de madrugada durante a qual o prédio foi incendiado.

Escrevendo no Facebook, Avakov comemorou que o prédio foi retomado "sem disparar um único tiro e sem o uso de granadas e outras armas especiais". Ele disse que as forças especiais que lançaram a operação em Kharkiv faziam parte de um posicionamento mais amplo do Ministério do Interior no leste da Ucrânia com o objetivo de conter a convulsão, que, segundo o governo em Kiev, está sendo orquestrada pela Rússia .

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O tumulto, no qual os manifestantes russos tomaram no domingo prédios do governo em Kharkiv, Donetsk , Lugansk e outras cidades na região, representou um desafio delicado para as autoridades em Kiev considerando-se que as Forças Armadas da Rússia estão posicionadas ao longo da fronteira e que o Kremlin alertou estar preparado para intervir para proteger a população de etnia russa na Ucrânia.

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O Ministério de Relações Exteriores da Rússia, respondendo ao posicionamento dos soldados do Ministério do Interior da Ucrânia, emitiu uma dura declaração acusando o governo da Ucrânia de inserir dentro de suas forças no leste ucraniano militantes nacionalistas do grupo Setor Direito e mercenários privados dos EUA de uma companhia chamada de Greystone. Segundo a Chancelaria russa, os seguranças privados dos EUA foram disfarçados como membros de uma unidade militar chamada "Falcão".

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Academi, uma companhia de segurança privada dos EUA afiliada à Greystone que antes era conhecida como Blackwater, notória por seu trabalho contratado no Iraque, divulgou uma nota em meados de março dizendo que seus funcionários não estão na Ucrânia depois que alegações similares surgiram na imprensa russa. A companhia não respondeu imediatamente à declaração da Chancelaria da Rússia.

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O ministério, que repetidamente denunciou o governo em Kiev como ilegítimo e como resultado de um golpe ilegal, alertou contra o uso de força militar no leste da Ucrânia. "Pedimos a imediata suspensão de quaisquer preparativos militares, que arriscam desencadear uma guerra civil", disse o ministério.

Em Moscou, o chanceler russo, Serguei Lavrov, disse nesta terça-feira que a Rússia buscaria negociações multinacionais sobre a crise política da Ucrânia que poderiam incluir os EUA, a União Europeia e "todas as forças políticas na Ucrânia", que deveriam incluir representantes do sudeste do país, o que inclui Donetsk e Lugansk.

“O resultado, claro, deveria ser uma reforma constitucional", disse Lavrov em uma coletiva televisionada depois de um encontro bilateral com o chanceler de Angola.

Manifestantes pró-russos se reúnem em uma barricada do lado de fora de prédio do governo regional em Donetsk, Ucrânia
Reuters
Manifestantes pró-russos se reúnem em uma barricada do lado de fora de prédio do governo regional em Donetsk, Ucrânia

Lavrov disse que as negociações deveriam incluir os candidatos presidenciais dos principais partidos do país, incluindo o Partido das Regiões, do presidente deposto Viktor F. Yanukovych .

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“Estamos profundamente convencidos, e essa convicção não foi refutada por ningém até agora, de que é impossível acalmar a situação e trilhar o caminho do diálogo nacional se as autoridades ucranianas continuam ignorando interesses das regiões no sudeste do país", disse Lavrov.

Avakov, o ministro do Interior em exercício, retratou a expulsão dos manifestantes em Kharkiv como uma vitória. No Facebook, escreveu: “Nós, a nova equipe no Ministério de Questões Internas, escolhemos guardar a integridade e a independência da Ucrânia. Glória à Ucrânia."

Centenas de manifestantes pró-Rússia continuam a ocupar o prédio da administração do governo em Donetsk, assim como prédios do governo em outras cidades.

A captura dos prédios do governo por manifestantes pr-Rússia fornecer um particular desafio de relações públicas para o novo governo ucraniano porque os manifestantes em Kiev que ajudaram a derrubar Yanukovych por muito tempo ocuparam prédios do governo na capital, incluindo a prefeitura.

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