Ucrânia toma medidas para reafirmar controle sobre região perto da Rússia

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Kiev expulsa manifestantes de prédio em Kharkiv para conter tumultos que Ocidente teme possam levar à invasão russa

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O Ministério do Interior da Ucrânia expulsou manifestantes pró-Rússia de um prédio da administração regional na cidade oriental de Kharkiv na manhã desta terça-feira, prendendo cerca de 70 deles enquanto o governo interino de Kiev agia para exercer controle sobre tumultos que os EUA e seus aliados ocidentais temem que possam levar a uma invasão militar russa.

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AP
Membros de uma unidade especial da polícia guarda o prédio da administração regional em Kharkiv, Ucrânia, após expulsão de manifestantes

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A operação bem-sucedida para remover os manifestantes foi anunciada pelo ministro do Interior em exercício Arsen Avakov, que viajou para Kharkiv para supervisionar o esforço policial e descreveu uma dramática operação de madrugada durante a qual o prédio foi incendiado.

Escrevendo no Facebook, Avakov comemorou que o prédio foi retomado "sem disparar um único tiro e sem o uso de granadas e outras armas especiais". Ele disse que as forças especiais que lançaram a operação em Kharkiv faziam parte de um posicionamento mais amplo do Ministério do Interior no leste da Ucrânia com o objetivo de conter a convulsão, que, segundo o governo em Kiev, está sendo orquestrada pela Rússia.

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O tumulto, no qual os manifestantes russos tomaram no domingo prédios do governo em Kharkiv, Donetsk, Lugansk e outras cidades na região, representou um desafio delicado para as autoridades em Kiev considerando-se que as Forças Armadas da Rússia estão posicionadas ao longo da fronteira e que o Kremlin alertou estar preparado para intervir para proteger a população de etnia russa na Ucrânia.

Veja fotos da presença russa na Crimeia, anexada por Moscou no mês passado:

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

O Ministério de Relações Exteriores da Rússia, respondendo ao posicionamento dos soldados do Ministério do Interior da Ucrânia, emitiu uma dura declaração acusando o governo da Ucrânia de inserir dentro de suas forças no leste ucraniano militantes nacionalistas do grupo Setor Direito e mercenários privados dos EUA de uma companhia chamada de Greystone. Segundo a Chancelaria russa, os seguranças privados dos EUA foram disfarçados como membros de uma unidade militar chamada "Falcão".

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Academi, uma companhia de segurança privada dos EUA afiliada à Greystone que antes era conhecida como Blackwater, notória por seu trabalho contratado no Iraque, divulgou uma nota em meados de março dizendo que seus funcionários não estão na Ucrânia depois que alegações similares surgiram na imprensa russa. A companhia não respondeu imediatamente à declaração da Chancelaria da Rússia.

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O ministério, que repetidamente denunciou o governo em Kiev como ilegítimo e como resultado de um golpe ilegal, alertou contra o uso de força militar no leste da Ucrânia. "Pedimos a imediata suspensão de quaisquer preparativos militares, que arriscam desencadear uma guerra civil", disse o ministério.

Em Moscou, o chanceler russo, Serguei Lavrov, disse nesta terça-feira que a Rússia buscaria negociações multinacionais sobre a crise política da Ucrânia que poderiam incluir os EUA, a União Europeia e "todas as forças políticas na Ucrânia", que deveriam incluir representantes do sudeste do país, o que inclui Donetsk e Lugansk.

“O resultado, claro, deveria ser uma reforma constitucional", disse Lavrov em uma coletiva televisionada depois de um encontro bilateral com o chanceler de Angola.

Reuters
Manifestantes pró-russos se reúnem em uma barricada do lado de fora de prédio do governo regional em Donetsk, Ucrânia

Lavrov disse que as negociações deveriam incluir os candidatos presidenciais dos principais partidos do país, incluindo o Partido das Regiões, do presidente deposto Viktor F. Yanukovych.

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“Estamos profundamente convencidos, e essa convicção não foi refutada por ningém até agora, de que é impossível acalmar a situação e trilhar o caminho do diálogo nacional se as autoridades ucranianas continuam ignorando interesses das regiões no sudeste do país", disse Lavrov.

Avakov, o ministro do Interior em exercício, retratou a expulsão dos manifestantes em Kharkiv como uma vitória. No Facebook, escreveu: “Nós, a nova equipe no Ministério de Questões Internas, escolhemos guardar a integridade e a independência da Ucrânia. Glória à Ucrânia."

Centenas de manifestantes pró-Rússia continuam a ocupar o prédio da administração do governo em Donetsk, assim como prédios do governo em outras cidades.

A captura dos prédios do governo por manifestantes pr-Rússia fornecer um particular desafio de relações públicas para o novo governo ucraniano porque os manifestantes em Kiev que ajudaram a derrubar Yanukovych por muito tempo ocuparam prédios do governo na capital, incluindo a prefeitura.

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