Lentidão do processo de visto dos EUA ameaça vidas de tradutores afegãos

Por NYT |

compartilhe

Tamanho do texto

Sulaiman, um dos intérpretes que colaborou com soldados americanos na guerra, foi alvo de três ataques do Taleban

NYT

A primeira vez que o Taleban tentou matá-lo, Sulaiman estava dirigindo em direção à sua base quando seu caminhão foi atingido por um foguete, derrubando-o de um penhasco.

Conheça a nova home do Último Segundo

AP
Sulaiman, tradutor das tropas de Operações Especiais dos EUA que sobreviveu a três ataques do Taleban, em Cabul, Afeganistão

Os insurgentes sabiam qual era seu veículo, o número de sua placa e, o mais importante, sua ocupação: tradutor de combate para soldados americanos das Operações Especiais no Afeganistão.

Eles acreditaram que o haviam matado, em julho de 2011, mas ele saiu do ataque com uma clavícula e duas costelas quebradas e um novo senso de cautela. Desde então, sobreviveu a dois outros ataques.

Entenda: Invasões e conflitos marcam história do Afeganistão

Geopolítica: Por que o Afeganstão é estratégico?

O supervisor americano de Sulaiman já não lhe permite viajar de carro quando sai de sua base militar para visitar a família. Mas ninguém se sente seguro o suficiente, já que o Taleban não poupa esforços para assassinar afegãos que ajudam as forças americanas.

Sua melhor esperança é uma que nunca sequer lhe passou pela cabeça, apesar de anos de esforço: um visto para os EUA.

Sulaiman é um dos milhares de afegãos que ajudaram diretamente a missão militar ocidental no Afeganistão e estão aguardando resposta do Departamento de Estado sobre os pedidos de vistos especiais de imigração.

Mesquita: Bomba em microfone mata governador que fazia discurso

Kerry: EUA alcançam acordo parcial de segurança com o Afeganistão

À medida que soldados americanos se retiram do país e bases estão sendo fechadas, centenas de afegãos de repente se viram sem emprego, deixando-os sem proteção militar, apesar do risco contínuo de ataques por parte do Taleban.

Este perigo é especialmente verdadeiro para os cerca de 8 mil intérpretes que trabalharam para os americanos. Embora ninguém acompanhe os números de vítimas da violência, a evidência é desagradável – pelo menos algumas pessoas são mortas por mês.

Afeganistão: Soldado dos EUA pega prisão perpétua por massacre de 16 civis

Machismo: Preconceito e assédio sexual impedem afegãs de virarem policiais

Sulaiman, 26 anos, que pediu para ser identificado apenas por seu primeiro nome para não colocar sua família em risco, é um dos mais relativamente afortunados. Ele ainda está empregado, e seus colegas militares americanos estão fazendo o possível para ajudá-lo.

Mas ele ainda espera. Ele acredita que um pedido de visto de 2008 foi perdido no caos burocrático. Sua segunda solicitação, no final de 2011, lhe rendeu uma entrevista na embaixada americana no ano passado. Desde então, no entanto, ele recebeu respostas automatizadas para suas súplicas. O Departamento de Estado se recusou a falar a respeito do caso.

Feriado: Bomba mata 14 mulheres e crianças afegãs; presidente pede paz

Karzai: Militantes do Taleban invadem complexo presidencial em Cabul

Vários de seus colegas da unidade de Operações Especiais enviaram cartas implorando para que o Departamento de Estado agilizasse seu pedido, acrescentando para a pilha de recomendações louvando suas habilidades e coragem.

"Se este processo demorar muito, se há um erro em algum lugar, ele e sua família estarão comprometidos", disse seu supervisor, que falou sob a condição de anonimato por razões de segurança. "Estamos contando os minutos para que seu processo seja concluído."

Por Azam Ahmed

Leia tudo sobre: afeganistãotalebansoldadoseuaguerra do afeganistão

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas