Quando alguém é condenado por crimes federais, serviço nos EUA se encarrega de arrumar e vender propriedades

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Um prédio de US$ 17,75 milhões (cerca de R$ 37,89 milhões) na Park Avenue, uma unidade de dois quartos em um condomínio no distrito financeiro, uma mansão de US$ 4,495 milhões (R$ 9,596 milhões) em Long Island que pertence a Peter Madoff, um apartamento de três quartos no sul do Bronx com problemas de ratos.

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Uma garagem para dois carros confiscada pelo governo federal e colocada à venda pelos U.S Marshals em Nova York, nos EUA
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Uma garagem para dois carros confiscada pelo governo federal e colocada à venda pelos U.S Marshals em Nova York, nos EUA

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O que todas essas propriedades têm em comum? Aparentemente, nada. Elas são de diferentes estilos, tamanhos e preços. Mas cada uma delas foi confiscada de criminosos pelo governo americano.

A The Appraisal (informativo do mercado imobiliário) destacou em maio a residência de Madoff em Long Island, mas a casa é apenas um pequeno quinhão do que o United States Marshals Service, encarregado de vender propriedades apreendidas, tem a oferecer. Na verdade, parece que o serviço é dono do mais variado portfólio de imóveis de Nova York, uma cidade obcecada por propriedades. Eles vendem mansões, apartamentos sem elevador, casas modestas. Parece que têm propriedades para todo mundo.

Os marshals também têm propriedades que ninguém quer, como uma garagem sem janelas no leste do Bronx, coberta de pichação. Ela está no mercado por US$ 87,9 mil (R$ 187 mil), mas mal dá para saber que está a venda, porque a placa já foi roubada várias vezes.

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“Confiscamos uma vasta variedade de propriedades, de pequenas casas a mansões multimilionárias”, disse Joseph Guccione, marshal responsável pelo distrito sul de Nova York. Desde janeiro do ano passado a maio deste ano, os marshals do seu distrito venderam 28 propriedades, num total de US$ 42,5 milhões (R$ 90,733 milhões).

Casa confiscada pelo governo federal e colocada à venda pelos U.S. Marshals em Nova York
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Casa confiscada pelo governo federal e colocada à venda pelos U.S. Marshals em Nova York

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Quando uma pessoa é condenada por crimes federais, como lavagem de dinheiro ou tráfico de drogas, as autoridades confiscam todas as propriedades usadas para promover o crime ou compradas com seus lucros. Os US marshals ficam encarregados de fazer a segurança, arrumar e vender os locais.

De maneira geral, as casas são bem comuns, sem esconderijos ou passagens secretas. Os bens deixados dentro das propriedades também costumam ser bem banais – uma casa em Yonkers que era ocupada por espiões russos tinha um karaokê, uma câmera digital e um frasco com o rótulo “pílulas para queimar gordura”.

Mas ao menos uma vez, os marshals encontraram um “tesouro escondido” em uma casa confiscada. Um fugitivo, acusado de tentar assassinar um policial, estava dentro de um closet de uma casa no Bronx. Ele foi entregue à polícia.

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Quando Ashley Elitt e seu marido, Michael, compraram do governo um apartamento de dois quartos em um condomínio com porteiro e academia, o local não parecia ter nenhuma peculiaridade. O antigo dono, que desviava benefícios de pessoas falecidas para sua conta bancária, foi condenado por fraude postal. “Recebemos muitas correspondências, diferentes nomes. Só esperamos que, quando ele saia da cadeia, não queira vir nos atormentar, dizendo que quer o apartamento de volta”, afirmou Ashley.

As autoridades garantem que os Elitts não têm nada a temer; não há registros desse tipo de problema.

Casa confiscada pelo governo federal e colocada à venda pelos U.S Marshals em Nova York, nos EUA
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Casa confiscada pelo governo federal e colocada à venda pelos U.S Marshals em Nova York, nos EUA

Nesta parte do país, os imóveis representam uma porção significante do programa de confisco de bens. Mas os bens que o governo confisca e vende, seja para devolver o dinheiro para as vítimas de um crime ou para reverter à polícia, são mais variados do que apenas casas.

Entre as ofertas há 400 cavalos, um sedan de luxo Lincoln Town de 1995, um Rolex de US$ 25 mil (R$ 53, 37 mil) e um velho trator azul. Há também um pingente de joia no formato de Bob Esponja, avaliado em US$ 1,2 mil (R$ 2.561).

Por Elizabeth Harris

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