EUA ajudam aliados contra hackers do Irã

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Governo americano auxilia países do Oriente Médio a construir defesas contra arsenal de ciberarmas iranianas

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O governo Obama começou a ajudar seus aliados do Oriente Médio a construir defesas contra o crescente arsenal de ciberarmas do Irã e fará o mesmo na Ásia para conter ataques a computadores perpetrados pela Coreia do Norte.

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AP
Analista de cibersegurança em laboratório de defesa do governo americano, em Idaho (29/9/2011)

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As autoridades americanas não quiseram citar quais países do Golfo Pérsico estão recebendo ajuda, mas disseram que a lista inclui as nações que colaboraram ativamente para encontrar e interceptar armas a caminho do Irã. Os três maiores colaboradores dos EUA nessa área foram Arábia Saudita, os Emirados Árabes e o Bahrein.

Na Ásia, os países mais preocupados com ataques cibernéticos da Coreia do Norte são a Coreia do Sul e o Japão.

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Esse novo programa do Departamento de Defesa é o mais recente exemplo de como o governo Obama está moldando seus esforços de segurança nacional para a era do conflito digital. Nesse caso, trata-se de reforçar as defesas das redes de computadores e, se necessário, revidar possíveis ataques.

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Uma ordem assinada pelo presidente, que veio a público em junho – a terceira de uma série de documentos vazados para a imprensa –, mostra como o governo americano está preparando a si próprio e a seus aliados. Também revela o funcionamento de uma operação de vigilância da internet em larga escala, com o objetivo de identificar ameaças terroristas.

A ordem presidencial inclui uma declaração de que os EUA se reservam o direito de “ações antecipadas” contra “ameaças iminentes”, em uma aparente referência ao tipo de ataque contra infraestrutura que o Irã estaria preparando contra os EUA e aliados.

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A ajuda para fortalecer as defesas das redes de computador de aliados, que não foi anunciada publicamente, faz um paralelo com outros esforços do governo Obama em duas regiões voláteis do mundo. Recentemente, os EUA ajudaram a instalar sistemas antimísseis e radares em países do Golfo Pérsico contra um possível ataque do Irã e fizeram algo semelhante na Ásia, em resposta ao programa de armas nucleares da Coreia do Norte.

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Mas deter ciberataques é um problema bem mais complexo. As autoridades americanas dizem que o esforço, que inclui fornecimento de hardware, software e treinamento, é uma experiência. A iniciativa foi impulsionada por dois grandes ataques no ano passado.

Um deles foi contra a Saudi Aramco, a maior produtora estatal de petróleo da Arábia Saudita. A ofensiva vinda do Irã afetou 30 mil computadores, mas não conseguiu parar a produção. O outro foi um ataque a companhias de mídia e bancos na Coreia do Sul, que congelou as operações bancárias de várias instituições por dias.

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“O ataque iraniano aos sauditas fez todos acordarem e perceberem que, se o Irã pode pensar duas vezes antes de lançar um míssil, ele claramente vê o ciberataque como uma potente forma de responder às sanções que sofre”, disse um funcionário do governo americano que pediu para não ser identificado.

Ninguém sabe ao certo se Irã e Coreia do Norte estão trabalhando juntos para desenvolver armas cibernéticas, da mesma forma que trabalharam juntos por anos para desenvolver tecnologia balística. Acredita-se que o Irã, particularmente, acelerou em muito seus esforços na área da informática. Os avanços parecem ser resultado de um foco cada vez maior na comunidade de hackers e no ensino de ciências da computação.

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O programa iraniano atual se mostra muito mais maduro do que um esforço anterior, que tentou usar as mídias sociais para persuadir militares americanos na região a entrar em sites de relacionamento ou de viagens. O objetivo era obter informações online sobre os oficiais e encontrar portas de entrada no sistema de computador do Exército.

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Para completar, os EUA acreditam que os Irã está contratando programadores estrangeiros associados a crimes na internet, alguns deles da Rússia. E, talvez o ponto mais preocupante, o Irã e outras nações podem agora comprar poderosos malwares (softwares maliciosos como vírus e cavalos de Troia), disponíveis no mercado negro.

No ranking de potências da computação, Irã e Coreia do Norte estão muito abaixo de países como EUA, Israel, Reino Unido, Rússia e China.

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China e Rússia, no entanto, estão tão conectadas à economia global que qualquer ação realmente destrutiva contra os mercados de energia ou financeiro também as prejudicaria. Mas Coreia do Norte e Irã, especialmente em épocas tensas, não teriam tais restrições.

Por Thom Shanker e David Sanger

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