Tecnologia e medidas de segurança reduzem imigração ilegal no Arizona

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Enquanto Congresso discute reforma migratória, agentes afirmam que divisa que já foi a mais movimentada dos EUA está segura com barreira e sofisticados equipamentos de vigilância

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Voando baixo ao longo da fronteira mexicana em um helicóptero Black Hawk, a Patrulha de Fronteira dos EUA pôde avistar torres de vigilância acima dos cactos. Também avistaram seus agentes em caminhões brancos dirigindo entre a mata, em busca de pessoas fazendo uma travessia ilegal.

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Barreira de cinco metros de altura construída com postes de metal bifurca a cidade de Nogales, no Arizona, e a mexicana Nogales (20/02)

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Bem alto, um avião não tripulado transmitiu imagens do terreno para um centro de inteligência em Tucson, Arizona. Pilotos passaram em aviões de reconhecimento transportando radares e câmeras de infravermelho capazes de distinguir um imigrante com uma mochila de um animal selvagem a muitos quilômetros de distância.

Sabri Dikman, diretor executivo da patrulha para a região de Nogales, Arizona, gostou do que viu - e do que não viu. Se quaisquer imigrantes ilegais estivessem tentando atravessar para dentro dos EUA, disse, as chances eram de que os agentes os encontrariam e prenderiam.

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"Sabemos com o que estamos lidando e onde lidamos com isso", disse Dikman. "De uma certa forma, temos a capacidade de observar cada parte da fronteira do Arizona."

Enquanto o Congresso americano analisa uma reforma ampla das leis de imigração, incluindo um caminho para possibilitar a cidadania a 11 milhões de imigrantes ilegais, legisladores céticos se perguntam se a fronteira sudoeste é segura o suficiente para resistir a qualquer nova onda de travessias ilegais que poderiam ser impulsionadas por um programa de legalização ou por um novo crescimento na economia americana.

Funcionários que protegem a divisa dizem que a maior parte da fronteira atualmente é mais segura do que nunca. Eles afirmam estar em condições de afastar uma onda de imigração ilegal e mostrar por que um dos principais exemplos é o Arizona, que já foi a fronteira mais movimentada e controversa da batalha contra imigração ilegal.

No leste, no Texas, os agentes ainda lutam para impedir a entrada de imigrantes em centenas de quilômetros de terreno variado e penetrável. Mas, no Arizona, todas as medidas disponíveis indicaram quedas acentuadas no número de pessoas que cruzaram ilegalmente a fronteira, indicadores que os agentes de fronteira disseram demonstrar o que eles são capazes de realizar.

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Sombra de helicóptero operado por agentes de imigração é vista durante patrulha no condado de Pima, Arizona (21/02)

Congresso: Esforços por reforma migratória nos EUA preocupam base republicana

No Congresso, muitos republicanos lembram que uma anistia em 1986, que tinha como objetivo resolver a questão da imigração ilegal, foi seguida por um fluxo ainda maior de imigrantes ilegais. Um grupo bipartidário no Senado trabalha em uma proposta que exigiria aumentos mensuráveis na segurança da fronteira antes de os imigrantes serem autorizados a adquirir a cidadania plena.

Mas, para autoridades de fronteira de Nogales, o Congresso parece estar atrasado, sem notar que eles já fizeram muitos dos avanços que os legisladores buscam. Desde 2005, o número de agentes de patrulha no sudoeste quase dobrou para mais de 18 mil.

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A Alfândega e Proteção de Fronteiras, a agência controladora da Patrulha da Fronteira, reforçou seu setor aéreo com mais de 260 aeronaves. Ela adquiriu uma matriz de tecnologia, incluindo sensores terrestres e dispositivos de detecção aérea desenvolvidos pelo Departamento de Defesa no Iraque e no Afeganistão, e criou uma estrutura de comando ao estilo militar com operações de inteligência expandidas para coordenar os agentes no terreno.

Cidades gêmeas

Em Nogales, uma descontraída cidade de fronteira que cerca a maior porta de entrada no Arizona, veículos da equipe da Patrulha de Fronteira percorrem livremente a estrada de terra ao longo de uma barreira de 5 metros feita de postes de metal que dividem a cidade americana de sua gêmea mexicana, também chamada Nogales. Até recentemente, os agentes tiveram de manter uma certa distância. Mas Leslie Lawson, o agente chefe da Patrulha de Fronteira em Nogales, Arizona, disse que a barreira foi um exemplo de uma pequena melhoria que fez uma grande diferença.

Uma cerca menor construída na década de 1990 havia sido coberta com tapetes para evitar que os mexicanos conseguissem enxergar além dela. Contrabandistas transportavam pessoas ou narcóticos sobre a cerca para em seguida arremessar pedras contra agentes desde colinas no lado mexicano, assim permitindo que os imigrantes se escondessem. Em 2011, o setor de Lawson sofreu mais ataques de pedras contra os agentes do que qualquer outro no país - 170 no total.

Infográfico: Linha do tempo da imigração nos EUA

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Mulher é vista pouco antes de ser deportada em Nogales, Arizona (20/02)

No ano passado, 4 quilômetros da antiga cerca foi substituída por postes posicionados de maneira estratégica. Os agentes conseguem avistar os imigrantes antes de eles chegarem perto da cerca. Ataques com pedras diminuíram cerca de 60%.

Medidas para mudança

Um defensor em Nogales do progresso da agência de fronteiras é o prefeito, Arturo Garino. Ele disse que sua cidade se tornou uma das mais seguras do Arizona, com um assassinato nos últimos seis anos.

"Costumávamos ter perseguições pelas ruas o tempo inteiro", disse. "Agora, isso é passado, já nem ouvimos falar mais nisso." Ele afirmou que os legisladores em Washington deveriam se concentrar em corrigir o sistema de imigração.

Mas uma maior eficiência teve um custo humano. Imigrantes foram empurrados cada vez mais para as paredes rochosas e vales remotos da paisagem mais mortal da fronteira. Muitos imigrantes pagam a contrabandistas valores maiores. No entanto, por causa do forte esquema de segurança, eles não sentem mais nenhuma obrigação de terminar o trabalho de levar os migrantes até os EUA.

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De acordo com dados compilados pelo jornal Arizona Star, no ano passado, 172 corpos foram encontrados no deserto do Estado de fronteira.

Por Julia Preston

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