Pentágono aponta aumento do abuso sexual nas Forças Armadas dos EUA

Por NYT |

compartilhe

Tamanho do texto

Estudo estima que número de pessoas abusadas sexualmente em 2012 no Exército subiu de 19 mil em 2010 para 26 mil no ano passado

NYT

O problema de assédio sexual no Exército dos EUA foi exposto ainda mais em Washington em 6 de maio, quando o Pentágono divulgou um estudo estimando que 26 mil pessoas nas Forças Armadas foram abusadas sexualmente no ano passado, em comparação a 19 mil em 2010. O presidente dos EUA, Barack Obama, e o Congresso americano exigiram que seja tomada alguma providência.

Virginia Messick: Ex-recruta da Força Aérea dos EUA acusa instrutor de estupro

New York Times
Secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, presta testemunho à Comissão dos Serviços Armados do Senado em Washington (17/04)

Lackland: Nos EUA, cultura da Força Aérea pode estar por trás de casos de abuso sexual

O estudo, baseado em uma pesquisa confidencial enviada a 108 mil membros ativos do serviço militar, foi realizada dois dias depois de o oficial encarregado dos programas de prevenção de assédio sexual para a Força Aérea ter sido preso e acusado de agressão sexual por apalpar os seios e os glúteos de uma mulher em um estacionamento em Arlington, Virgínia.

Numa coletiva na Casa Branca, Obama expressou irritação com as tentativas do Pentágono em controlar os casos de assédio sexual. "Não tolero esse tipo de atitude", disse em resposta a uma pergunta sobre a pesquisa. "Se descobrirmos que alguém está envolvido nesse tipo de comportamento, esses indivíduos precisam ser responsabilizados, processados, removidos de seus cargos, enviados à corte marcial, demitidos e exonerados. Fim da discussão."

O presidente disse que ordenou ao secretário de Defesa Chuck Hagel "que intensifique exponencialmente os esforços" para evitar crimes sexuais, afirmando querer que as vítimas militares de agressão sexual saibam que ele “está do seu lado".

'Urine ou vomite': Universidade divulga dicas para evitar estupro e causa polêmica nos EUA

Em um relatório separado divulgado no dia 7, os militares documentaram 3.374 relatos de violência sexual no ano passado contra 3.192 em 2011, sugerindo que muitas vítimas continuam não denunciando os crimes.

Autoridades do Pentágono disseram que quase 26 mil homens e mulheres na ativa responderam a pesquisa de agressão sexual. Destes, 6,1% das mulheres e 1,2% dos homens disseram ter sido abusados sexualmente no ano passado, que o estudo definiu como tudo aquilo de abrangesse do estupro a "toques sexuais indesejados" na genitália, seios, glúteos e parte interna da coxa.

Desses porcentuais, o Pentágono estimou que 12,1 mil das 203 mil mulheres na ativa e 13,9 mil dos 1,2 milhão de homens na ativa experimentaram algum tipo de abuso sexual. Em 2010, uma pesquisa similar do Pentágono descobriu que 4,4% das mulheres na ativa e menos de 0,9% dos homens na ativa tiveram esse tipo de experiência.

Jovem de 18 anos: Militar americano é condenado na Coreia do Sul por estupro

Em resposta ao relatório, Hagel afirmou em uma coletiva que o Pentágono estava instituindo um novo plano que ordena os chefes de serviços militares a incorporar programas de agressão sexual em seus comandos.

O relatório rapidamente causou polêmica no Capitólio, onde as mulheres no Comitê de Serviços Armados do Senado expressaram indignação com dois oficiais da Força Aérea que sugeriram que faziam progressos para acabar com o problema em seu ramo.

"Se o homem da Força Aérea que está no comando de prevenir agressões sexuais é acusado de ter abusado sexualmente de alguém neste fim de semana", disse a senadora Kirsten Gillibrand, democrata de Nova York, “obviamente existe uma falha na formação e compreensão do que é abuso sexual, e o quão prejudicial ele é para a boa ordem e disciplina”.

Por Jennifer Steinhauer

Leia tudo sobre: euapentágonoabuso sexual

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas