Pacto mediado por EUA, Rússia, Jordânia e Brasil diz respeito à Cidade Antiga e sua muralha e representa avanço no funcionamento muitas vezes politizado da agência da ONU

NYT

Israel e os palestinos chegaram a um acordo em 23 de abril sobre o envolvimento da Unesco, a agência cultural das Nações Unidas, em áreas sensíveis de Jerusalém. O acordo foi um avanço pequeno, mas significativo no funcionamento muitas vezes altamente politizado da agência.

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Garoto dorme no chão enquanto judeus rezam durante ritual matutino de Tisha B'Av no Muro das Lamentações, o local mais sagrado do judaísmo, na Cidade Velha de Jerusalém (foto de arquivo)
AP
Garoto dorme no chão enquanto judeus rezam durante ritual matutino de Tisha B'Av no Muro das Lamentações, o local mais sagrado do judaísmo, na Cidade Velha de Jerusalém (foto de arquivo)

O acordo diz respeito à Cidade Antiga de Jerusalém e seus muros, incluindo o Muro das Lamentações e uma rampa de acesso ao Monte do Templo ou Haram al-Sharif. Ele foi negociado em uma parceria incomum entre os EUA e a Rússia, com o auxílio da Jordânia, do Brasil e da diretora-geral da Unesco, Irina Bokova. Como parte do acordo, os palestinos concordaram em adiar cinco resoluções críticas de Israel que estavam pendentes no órgão.

A decisão dos palestinos em adiar as resoluções foi um resultado direto das visitas recentes ao Oriente Médio do presidente Barack Obama e do secretário de Estado John Kerry, que asseguraram um compromisso palestino de não "iniciar ações negativas nas organizações internacionais", disse um embaixador do Oriente Médio para a Organização Científica e Cultural das Nações Unidas para a Educação, como a Unesco é formalmente conhecida. A agência, que tem sede em Paris, aceitou os palestinos como membros com pleno direito em 2011 , embora a ONU não tenha feito o mesmo .

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David T. Killion, o embaixador dos EUA na Unesco, disse que o acordo "representa um passo crítico em direção ao despolitizamento da Unesco e sinaliza uma grande mudança em direção a uma abordagem mais construtiva para as questões relacionadas ao patrimônio cultural".

O embaixador palestino Elias Sanbar classificou o acordo de "uma conquista, pois pela primeira vez durante anos obtivemos a implementação de uma das muitas decisões da Unesco a respeito da Palestina". O embaixador israelense Nimrod Barkan disse que o acordo é "o culminar de um esforço israelo-americano, curiosamente com a ajuda da Rússia, para tentar desde janeiro despolitizar a Unesco".

Para Israel, o acordo representa uma concessão aos palestinos, pois há o risco de que os peritos da Unesco critiquem a custódia de Israel sobre a Cidade Velha e seus locais sagrados, que a maioria dos países considera território ocupado. A Cidade Velha e sua muralha continuarão sendo listadas pela Unesco como "Patrimônio Mundial em Perigo", mas Israel terá direito de aprovar quais peritos a Unesco enviará à cidade.

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Os EUA reagiram ao reconhecimento dos palestinos por parte da Unesco, em 2011, cortando sua contribuição anual , que correspondia a 22% do orçamento da agência. Israel também cortou sua contribuição .

*Por Steven Erlanger

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