Vítimas do ataque em Boston enfrentam longo caminho até recuperação

Por NYT |

compartilhe

Tamanho do texto

Muitos dos 260 feridos foram submetidos a amputações ou diversas cirurgias complexas e levará tempo até que se adaptem à nova realidade

NYT

Quase três semanas após o ataque à Maratona de Boston, que matou três e feriu mais de 260, as consequências para os esforços médicos estão cada vez mais claras, com muitas das vítimas sofrendo em decorrência de complexos ferimentos que causam dor intensa e que exigirão mais cirurgias.

Dezesseis vítimas, com idades entre 7 e 71 anos, tiveram seus membros arrancados nas explosões ou amputados depois. Mas, de certa forma, seus casos são os mais simples, segundo David King, um cirurgião no Hospital Geral de Massachusetts.

Intenção: Suspeitos de ataque em Boston planejavam atentado para 4 de julho

Leia também: Mais três suspeitos são detidos por envolvimento em ataque a Boston

NYT
Ryan McMahon, que ficou ferida no ataque à Maratona de Boston, repousa na casa de sua avó em Chestnut Hill

Governo: Obama anuncia revisão de inteligência sobre ataque em Boston

Ataque em Boston: Veja cronologia dos principais acontecimentos

Para alguns, cujos membros foram preservados, disse King, os ferimentos estavam tão cheios de detritos que cinco ou seis operações foram necessárias para limpá-los. "A ideia é distribuir o estresse fisiológico ao longo de várias operações", disse.

Alguns dos feridos também precisam de cirurgia para reparar ossos, veias e nervos. Muitos também precisarão de fisioterapia. Segundo Timothy Sullivan, porta-voz de um hospital de reabilitação em Boston, cerca de 10 pacientes já chegaram ao local e esse número poderia dobrar em breve.

Inteligência dos EUA na berlinda:
Legisladores verificam se houve falha de inteligência em ataque em Boston
Suspeito morto de ataque em Boston não estava em lista de vigilância terrorista
Suspeito de ataque em Boston estava em banco de dados da CIA há 18 meses

Para muitos dos feridos, controlar a dor é um desafio constante. Alok Gupta, cirurgião da ala de traumatologia no Centro Médico Beth Israel Deaconess, disse que o hospital dava aos pacientes narcóticos via oral e intravenosa e, quando possível, bloqueava regiões nervosas utilizando cateteres.

King afitmou que para aqueles que perderam membros, a chamada "dor fantasma" - que parece vir da parte do corpo que já não existe - pode ser excruciante e particularmente difícil de tratar.

As doenças não são apenas físicas. Alguns pacientes estão otimistas, de acordo com médicos, mas outros estão com raiva, ansiosos e deprimidos.

Dzhokhar Tsarnaev: Suspeito de ataque em Boston é transferido para prisão

Tamerlan: Suspeito de ataque em Boston foi influenciado por radical misterioso

Joan Smith, gerente de serviços de assistência social no Centro Médico Tufts, disse que praticamente todas as 14 vítimas que foram ao hospital passavam por um tipo de transtorno de estresse pós-traumático, que poderia continuar indefinidamente.

Scott Ryan, chefe de trauma ortopédico no Centro Médico Tufts, disse que não conseguia parar de pensar no quão traumático esse evento deve ter sido para as vítimas, pois a maioria delas pemaneceu consciente após as explosões e pôde presenciar a gravidade de seus ferimentos enquanto era levada para os hospitais.

Páginas da internet de arrecadações de fundos para algumas vítimas descrevem seus sofrimentos físicos e emocionais detalhadamente.

NYT: Universo virtual de suspeitos de ataque em Boston é esmiuçado link a link

Terra natal dos suspeitos: Cáucaso russo é terreno fértil para o terrorismo

Uma página para Christian Williams, 41 anos, diretor de arte, cujas pernas foram gravemente feridas enquanto estava perto da linha de chegada da maratona, incluiu uma anotação dele descrevendo o que sentiu após sua quarta cirurgia em 22 de abril. Embora os médicos "tenham quase conseguido fechar minha perna direita", ele escreveu, "os remédios não estavam funcionando e eu não conseguia esconder a dor que estava sentindo."

No Spaulding, o hospital de reabilitação, uma equipe de médicos, enfermeiros, psicólogos e fisioterapeutas trata exclusivamente as vítimas do atentado. Muitas delas terão que usar próteses nas pernas enquanto estiverem lá. A reabilitação de internação geralmente dura algumas semanas, disse Ross Zafonte, diretor médico do Spaulding, embora alguns desses pacientes provavelmente ficarão mais tempo. Em seguida, serão necessários meses de reabilitação ambulatorial, disse.

Vítimas do ataque em Boston:
Menino de 8 anos morto em ataque em Boston 'era cheio de vida e amava correr'
Polícia identifica mulher de 29 anos como segunda vítima de ataque em Boston
Estudante chinesa é identificada como terceira vítima de ataque em Boston

"Eles estão aprendendo a andar com uma prótese, recuperar o equilíbrio, tomar o cuidado com suas extremidades, como realizar suas atividades diárias", disse Zafonte. "Eles têm que lidar com todos esses problemas e com uma mudança de vida muito rapidamente."

Ryan McMahon, 33 anos, que fraturou as costas e quebrou os dois pulsos quando caiu das arquibancadas na linha de chegada durante o pânico que se instalou após as explosões, dá início à sua longa recuperação na casa de sua avó em Newton, Massachusetts. Sentada em linha reta no sofá da avó, com as costas apoiadas por uma cinta e um de seus braços apoiado por uma pilha de travesseiros, McMahon disse que lidava com sua adaptação com muita ansiedade.

Suspeito em interrogatório: Ataque a Boston teria motivação religiosa

NYT: Ataque em Boston impôs decisão difícil a médicos: amputar ou não uma perna?

"Estava muito ansiosa em relação a como seria minha transição de voltar para casa - o sentimento de que este era um ambiente seguro, mas ao mesmo tempo olhando ao redor sentindo como se fosse um lugar diferente ", disse McMahon, que passaria por uma consulta com um conselheiro de saúde mental dali a quatro dias.

McMahon foi levada para o Centro Médico de Boston após os atentados, e foi uma das primeiras pacientes a chegar no local. "Eu vi todo mundo entrando e foi muito difícil", disse ela, acrescentando que a visão de outros pacientes que chegavam cobertos de sangue e sem membros tem sido muito mais difícil de processar do que seus próprios ferimentos. "De vez em quando, eu me pego pensando no evento e principalmente nas outras pessoas."

Por Abby Goodnough e Jess Bidgood

Leia tudo sobre: ataque em bostonmaratona de bostonbostoneuaferidovítimaamputação

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas