Ataque de Boston representa novo entrave à aprovação da reforma imigratória

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Americanos passam a refletir sobre lado negativo de se conceder cidadania a 11 milhões de imigrantes ilegais depois que irmãos de origem chechena lançaram ataque em maratona

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Com a televisão em sua pizzaria mostrando uma repetição infinita da caçada a um dos suspeitos do ataque à Maratona de Boston na sexta-feira, 19 de abril, Bessie Kontis estremeceu ao ver as cenas do bloqueio militar.

"Depois que algo assim acontece, deveriam impedir que mais vistos americanos fossem concedidos, pelo amor de Deus", disse Bessie, 58 anos, dona da New Wayne Pizza com seu marido, Alex. "É uma loucura. Isso me irrita.”

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AP
Tamerlan Tsarnaev (esq.) e Dzhokhar Tsarnaev (dir.) são os suspeitos do ataque à Maratona de Boston

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Bessie nasceu na Grécia e imigrou para os Estados Unidos quando era ainda criança. Porém, quando dois homens com antepassados chechenos foram identificados como suspeitos dos atentados fatais à Maratona de Boston, sua visão normalmente liberal a respeito da imigração foi alterada por preocupações com a segurança nacional.

"Esse é o tipo de pessoa que está imigrando para nosso país", disse. "Não sabemos que tipo de pessoas são. No final das contas, temos que parar de ser americanos bonzinhos."

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À medida que um grande debate nacional a respeito da reforma da imigração começa no Congresso, alguns adversários estão apontando para o ataque de Boston como motivo de preocupação a respeito da expansão de programas de vistos e aqueles que querem oferecer a milhões de imigrantes ilegais um caminho para a cidadania.

Na sexta-feira, 19 de abril, o senador Charles Grassley, republicano de Iowa no comitê de discussão da reforma, que foi proposta por um grupo bipartidário de oito senadores, disse que os atentados terroristas deveriam ser levados em consideração no debate. Alguns comentaristas conservadores e republicanos do Congresso querem desviar o foco das preocupações econômicas e humanitárias para a segurança na fronteira e a potencial ameaça de terroristas que entram no país.

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Em entrevistas na sexta à noite, enquanto a caçada aos suspeitos era transmitida, muitos mencionaram que os dois irmãos ligados aos ataques - Dzhokhar Tsarnaev, 19, que foi capturado na sexta-feira e Tamerlan Tsarnaev, 26 anos, que foi morto - chegaram o país na década anterior, com um pai que pediu asilo devido ao conflito em sua terra natal. Eles dificilmente teriam sido identificados como possíveis ameaças pelo controle das fronteiras, segundo fontes.

"Não é possível impedir que pessoas venham para os Estados Unidos, e nem é possível prever que 10 anos mais tarde farão coisas ruins", disse Andrew Factor, 26 anos, um consultor de investimentos. "Começaremos a procurar por terroristas quando ainda forem crianças de 9 a 16 anos?"

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No entanto, esse detalhe da odisseia da família Tsarnaev pode se perder diante de um debate maior a respeito da política de imigração, uma questão que evoca reações viscerais. Dois senadores republicanos favoráveis à reforma da lei da imigração, Lindsey Graham, da Carolina do Sul, e John McCain, do Arizona, mencionaram o ataque na Maratona de Boston durante o debate e insistiram que uma revisão da imigração reforçaria a segurança nacional "ajudando-nos a identificar exatamente quem entrou em nosso país e quem foi embora".

No entanto, essa mensagem não foi necessariamente bem recebida. "Hoje, eu sou um pouco mais extremista depois do que aconteceu em Boston", disse Greg Ricker, 41 anos, um corretor da bolsa de valores. "Eu acho que nós simplesmente deveríamos parar de deixar as pessoas entrarem em nosso país".

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Como na cidade de Wayne, Malvern faz parte de um cinturão de subúrbios que se tornaram cada vez mais democrata nas eleições recentes. As atitudes em relação à reforma da imigração parecem estar mudando, em parte, ao longo de linhas geracionais.

Frank Cunningham, um contador de 27 anos de idade, disse que, ao contrário de seu pai, era favorável a um caminho para a cidadania para os quase 11 milhões de imigrantes ilegais no país. "Meu pai me criou dizendo: 'Se você entrar no país ilegalmente, você não merece estar aqui'", disse Cunningham, "mas eu quero saber, quem é que vai fazer os trabalhos que os americanos não querem?"

Gary Burnett, 35 anos, disse que apoia o caminho para a cidadania e a expansão de vistos de residência permanentes para aqueles que aguardam fora do país, já que os EUA fazem parte de uma economia global.

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Como engenheiro de software, ele disse, "eu estou competindo com o mundo inteiro. Eu tenho que ser capaz de fazer o trabalho de pelo menos três pessoas na Ásia para poder competir no mercado de trabalho.”

Veja imagens da caçada a Dzhokhar Tsarnaev:

Policial sorri e outro faz sinal de positivo após prisão de suspeito por ataque em Boston. Foto: APImagens cedidas pela CBS mostram momento em que Dzhokhar Tsarnaev sai do barco. Foto: Reprodução/BBCMulheres comemoram depois de prisão de suspeito por ataque em Boston. Foto: APCom rosto abatido, presidente dos EUA, Barack Obama, faz pronunciamento após prisão de suspeito que estava foragido em Boston. Foto: APPolícia observa enquanto ambulância deixa rua Franklin no fim da caçada por Dzhokhar Tsarnaev, suspeito de ataque em Boston. Foto: ReutersReprodução de vídeo mostra Dzhokhar Tsarnaev, suspeito por ataque em Maratona de Boston, em ambulância depois de ser capturado em barco. Foto: APPolicial monta guarda em local de busca de suspeito por ataque a Maratona de Boston
. Foto: APPoliciais buscam suspeito por ataque a Maratona de Boston em  Watertown, Massachusetts. Foto: APSuspeito de ataque foi cercado no quintal de uma casa na Rua Franklin, em Watertown, e se escondeu dentro de um barco. Foto: Reprodução/Google MapsPoliciais são vistos durante cerco a suspeito por ataque em Boston. Foto: APMoradores de Watertown acompanham cerco da polícia à distância. Foto: APEquipe da Swat marcha em bairro enquanto fazem buscas por suspeito de ataque em Boston em Watertown, Massachusetts. Foto: APPoliciais da SWAT vasculham casas em Watertown, em Massachusetts, em busca de suspeito de atentato em Boston. Foto: ReutersMulher observa pela janela movimentação de policiais em busca de suspeitos no subúrbio de Watertown. Foto: ReutersMoradores de Watertown acompanham da janela ação de policiais. Foto: APPolícia caça segundo suspeito de ataque na Maratona de Boston, na última segunda-feira. Foto: ReutersPolicial toma posição em caçada a suspeito de atentato . Foto: ReutersRuas foram interditadas, escolas fechadas e sistema de transporte público suspenso nesta sexta-feira. Foto: ReutersTécnicos em bombas inspecionam ruas em Watertown. Foto: ReutersPoliciais caçam segundo suspeito em Watertown, Massachusetts. Foto: APPoliciais param carros em busca de suspeito de atentados. Foto: APFuncionário fecha porta de estação de trem após recomendação da polícia. Foto: APPolicial corre com a arma na mão em busca de suspeito em Watertown. Foto: AP

Ele disse que o potencial para que alguns imigrantes pudessem se tornar terroristas era apenas uma desculpa para desviar atenções do foco principal.

Melvin Cook, 57, que estava comprando uma pizza, foi mais longe. Ele acusou os políticos de explorarem o ataque. "Eles estão tentando fazer com que fiquemos com medo dos imigrantes", disse. Cook, um motorista de caminhão, disse, "ninguém quer as vagas de trabalho que estes imigrantes ilegais estão ocupando."

The New York Times

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