Em foto icônica do ataque em Boston, um pai reconhece seu filho

Por NYT |

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Jeff Bauman descobre o paradeiro do filho através de imagem publicada na mídia; após as explosões, o rapaz de 27 anos teve as pernas amputadas e foi submetido a duas cirurgias

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Quando Jeff Bauman despertou em uma cama de hospital na terça-feira, 16 de abril, um tubo de ar havia sido inserido em sua garganta, suas duas pernas haviam sido amputadas na altura do joelho, e seu pai estava ao seu lado. Tentou falar, mas não conseguia. Ele parecia furioso, à medida que acenava os braços para cima e para fora como se fossem ondas de choque e disse: "Boom! Boom!”

Jeff Bauman é o homem da fotografia que se tornou um ícone do ataque na Maratona de Boston, que mostra um jovem ensanguentado, segurando sua coxa esquerda, sendo carregado por um homem com um chapéu de caubói. Mesmo que o mundo não o identificasse imediatamente, o pai de Bauman - também chamado Jeff - certamente o fez. Esse era o seu filho vestindo sua camisa favorita.

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AP
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Na hora em que as explosões na Maratona de Boston ocorreram, Jeff Bauman, 52, ligou para o celular de seu filho, sem obter resposta. Ele sabia que o filho estava no local para torcer por sua namorada, Erin Hurley, que estava correndo sua primeira Maratona de Boston. Durante uma hora, ele continuou ligando sem parar. Sem nenhuma resposta.

Em seguida, sua enteada, Erika, ligou para ele. "Você viu a foto?", ela perguntou. "Jeffrey está nos noticiários. Ele se machucou.”

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"Você tem certeza? Você tem certeza?", ele perguntava gritando. "Sim! Sim! Tenho certeza”, ela gritou de volta.

Bauman encontrou a foto no Facebook. No entanto, não era a foto completa, a que mostrava que a perna esquerda de Jeff havia sido arrancada na panturrilha. Ele começou a ligar para os hospitais da área de Boston e encontrou seu filho registrado no Boston Medical Center. Ele e sua esposa, Csilla, dirigiram de sua casa em Concord, Nova Hampshire, e chegaram para ficar ao lado de Jeff às 20h.

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A cirurgia já havia sido realizada. Ambas as pernas de Jeff haviam sido amputadas na altura do joelho. Ele tinha perdido uma quantidade excessiva de sangue. Durante a cirurgia, os médicos tiveram que constantemente ressuscitá-lo, dando-lhe sangue e fluidos, pois ele já havia perdido uma grande quantidade deles.

Jeff, 27 anos, é um bom garoto e nunca se meteu em problemas, disse o pai. Ele gosta de tocar guitarra e trabalha no supermercado Costco. Planejava pagar seus empréstimos e voltar a estudar na Universidade de Massachusetts.

Durante a maratona, estava parado na linha de chegada esperando por Hurley, ao lado de seus dois companheiros de quarto. Hurley ainda estava a cerca de um quilômetro e meio de distância, quando as explosões ocorreram, longe o suficiente para não saber o que tinha acontecido.

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 De acordo com sua família, Jeff foi a primeira vítima a chegar no Boston Medical. Ele passou por uma primeira cirurgia e depois por uma segunda, por volta de 1h, para drenar fluidos internos causados pelo trauma.

Naquela noite, o meio-irmão de Jeff, Alan, havia ligado de seu acampamento na base militar de Lackland, em Santo Antonio, Texas. Seu pai lhe disse que Jeff estava ferido, mas não falou a respeito da gravidade do incidente. Ele planejava contar a Alan toda a verdade mais tarde.

A família Bauman sabia o quão sortudo Jeff tinha sido. "O homem vestindo o chapéu de vaqueiro - ele salvou a vida de Jeff", disse Csilla Bauman. Os olhos de Jeff Bauman se arregalaram. Ele disse: "Há um vídeo no qual ele caminha em direção a Jeff, o levanta, o coloca na cadeira de rodas e começa a colocar um torniquete em suas pernas e o leva para longe do local do ataque. Eu preciso falar com esse cara! "

O homem de chapéu de caubói, Carlos Arredondo, 53 anos, estava distribuindo bandeiras americanas para os corredores, quando a primeira explosão ocorreu. Seu filho, Alexander, foi um fuzileiro naval morto no Iraque em 2004, e, desde então, ele entrega bandeiras como um tributo.

Veja imagens do ataque em Boston: 

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Com a primeira explosão, Arredondo pulou a cerca e correu em direção às pessoas deitadas no chão. Depois, ele contou a um repórter o que aconteceu em seguida:

Ele encontrou um jovem, um espectador, cuja camisa estava pegando fogo. Ele apagou as chamas com as mãos. O jovem, Jeff Bauman, tinha perdido a parte inferior de ambas as pernas. Ele tirou a camisa e a amarrou ao redor de uma perna. Ele ficou ao lado de Bauman até que as equipes de emergência chegaram para ajudar a levá-lo para uma ambulância.

Na terça-feira à tarde, os Bauman perguntaram o que tinha acontecido com o homem do chapéu de caubói. Eles queriam dizer a ele que seu filho estava vivo.

Mas pode ser que Jeff fique no hospital por mais duas semanas. O que será que ele fará quando não estiver tão sedado? Eles querem trazer sua guitarra para que ele possa tocá-la. O que eles diriam a ele quando ele acordar? Jeff Bauman, o pai, cobriu a boca com a mão. "Eu não sei", disse ele, e começou a chorar.

Por Tim Rohan

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