Controle de armas impõe desafio eleitoral a democratas de Estados decisivos

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Durante anos, a questão das armas foi evitada por democratas em Estados dos EUA cujo voto não é fiel a um determinado partido. Mas a política mudou após massacres recentes

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As famílias das vítimas do massacre de Newtown, Connecticut, que se reuniram no Capitólio na semana passada, fizeram questão de visitar a senadora Heidi Heitkamp, uma democrata conhecida pela típica atitude agradável de alguém da Dakota do Norte, mas a questão principal que os levou ali - limitar a capacidade de publicações sobre armas e a verificação de antecedentes universais - foi secamente rejeitada por ela.

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Parentes de vítimas de massacre em Newtown são vistos no Senado em Washington (11/04)

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"Em nosso Estado, isso não é um problema", explicou posteriormente em uma entrevista. "Esse é um modo de vida. Essa é a maneira como as pessoas se sentem, e isso é extraordinariamente difícil de explicar especialmente para pais em luto." No final do dia, disse: "Representarei meu Estado."

Durante anos, as armas têm sido uma das questões que democratas em Estados decisivos tentam enterrar. Alguns dos principais estrategistas democratas ainda acreditam que a proibição às armas de assalto e o estabelecimento da avaliação de antecedentes contribuíram para a derrota republicana em 1994.

Seis anos mais tarde - depois de o candidato presidencial democrata Al Gore perder em seu Estado natal, Tennessee, na Virgínia Ocidental de tendência democrata e no Arkansas, lar de Bill Clinton (1993-2001), em meio a uma enxurrada de publicidade da Associação Nacional do Rifle -, muitos desses estrategistas prometeram colocar a questão do controle de armas de lado.

Hoje, no entanto, muitos democratas insistem que o ataque em dezembro em Newtown, após atos de violência similares em Aurora (Colorado), Tucson (Arizona) e Virgínia, mudaram a política de armas.

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"Estamos deixando nosso país ser governado e ditado pelos extremos", lamentou o senador democrata Joe Manchin III, da Virgínia Ocidental - que uma vez disparou um rifle contra um projeto de lei de energia do presidente Barack Obama em um comercial de campanha - ao se reunir com sete parentes de crianças e educadores mortos na Escola Elementar Sandy Hook, em Newtown.

Os perigos políticos para os democratas são reais, disse Vic Fazio, um ex-congressista californiano que liderou o Comitê de Campanha Democrata no Congresso em 1994, quando uma maioria democrata que ocupava a Câmara havia quatro décadas perdeu espaço. Outras questões - aumento de impostos, reforma de assistência à saúde - contribuíram para esse resultado, mas o controle de armas desempenhou um grande papel, disse. O poder da Associação Nacional do Rifle pode ter diminuído desde então, afirmou, mas também tem se concentrado em Estados rurais e conservadores.

Até o massacre de Newtown, Obama evitava o assunto das armas a todo custo desde os primeiros dias de sua primeira disputa presidencial. Tão recentemente quanto o segundo debate presidencial com Mitt Romney, em outubro, o presidente elogiou a pergunta de um eleitor sobre as armas de assalto com uma resposta sinuosa aberta com a seguinte frase: "Somos uma nação que acredita na Segunda Emenda, e acredito na Segunda Emenda. Temos uma longa tradição de caça e de esportistas e pessoas que querem ter certeza de que podem se proteger."

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"Será uma votação muito difícil para um pequeno número de democratas", disse o senador Chris Murphy, democrata de Connecticut, um dos patrocinadores do projeto de lei que busca o controle de armas. "Independentemente de conseguir os votos de 52 ou 55 democratas, sempre soubemos que precisávamos dos republicanos."

Democratas como Heitkamp, da Dakota do Norte, apostaram suas reivindicações conservadoras nas armas. Seu último comercial de campanha de 2012 disse que as "escolas, tratores e armas" fazem "parte da forma como vivemos". Seis dias depois do massacre em Newtown, ela classificou as propostas de armas do governo Obama "de mais extremas do que o necessário ou até mesmo do que deveria ser discutido".

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Outros Estados democratas decisivos se esforçam para combater a pressão que é exercida contra eles. O senador Tim Kaine, da Vírginia, foi governador durante o massacre na Universidade Virginia Tech, em 2007, e pressionou para a expansão da verificação de antecedentes. O esforço não foi adiante, mas ele atraiu a inimizade da Associação Nacional do Rifle, que já se opunha à sua candidatura para governador.

Ele prevaleceu em sua disputa para Senado no ano passado e disse que chegou à conclusão de que o poder de liderança da organização é muito superestimada. Ele tem exposto esse argumento a outros membros, afirmou.

Manchin também tem colaborado com esse ponto de vista. Enquanto se reunia com as famílias de Newtown na quarta, pediu para a Associação Nacional do Rifle publicar os detalhes de sua legislação sobre verificação de antecedentes no site do grupo "e permitir que membros da associação como eu possam votar nela".

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Os parentes das vítimas de Newtown o elogiaram pelo que consideraram como coragem e perseverança. "Tenho nenhuma coragem em comparação a todos vocês", respondeu entre lágrimas.

No entanto, não ficou claro se os apelos emocionais podem realmente fazer a diferença, mesmo vindos de Manchin. 

"Considero Joe um ótimo profissional e pessoa", disse Heitkamp. "Acho que Joe trabalhou muito para forjar um compromisso, mas, no final, não se trata das convicções de um senador. Se trata do que o povo da Dakota do Norte acredita."

*Por Jonathan Weisman

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