Programa de Los Angeles atua para prevenir ataques contra escolas nos EUA

Por NYT | - Atualizada às

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Profissionais de saúde mental, agências policiais e escolas colaboram em um dos esforços mais intensos dos EUA para identificar potenciais autores de crimes violentos

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Nos dias após o massacre na escola elementar em Newtown, em Connecticut, Tony Beliz e sua equipe no Departamento de Saúde Mental do condado de Los Angeles fizeram uma série de ligações.

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Tony Beliz, vice-diretor do Departamento de Saúde Mental de Los Angeles, participa de reunião em Los Angeles (29/01)

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Eles telefonaram para um garoto de 16 anos que aparentemente gostava de fabricar bombas de produtos químicos e, dois anos antes, tinha dito: "Tenho de me livrar das pessoas ruins neste mundo", descrevendo um plano "especial" que, afirmou, colocaria em ação em alguns anos.

Eles ligaram para a mãe de outro adolescente - apelidado de "Jared Loughner" em referência ao homem que disparou contra a deputada Gabrielle Giffords em Tucson, Arizona, em 2011 - que era obcecado por armas e morte, tinha acesso a armas de fogo e havia pesquisado extensivamente sobre ataques a tiros em escolas.

Eles contataram um jovem de 20 anos que, em 2010, fantasiava sobre assassinar membros de sua família e de lançar um ataque contra uma escola.

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Os jovens receberam tais ligações graças ao programa do Time de Avaliação para Resposta de Ameaça Escolar supervisionado por Beliz, um dos esforços mais intensos no país para identificar o potencial de violência escolar e tomar medidas para evitá-la.

O programa, uma colaboração incomum envolvendo profissionais de saúde mental do condado, agências policiais e escolas, foi desenvolvido pelo Departamento de Polícia de Los Angeles em 2007, após o ataque na Universidade Virginia Tech, e foi disseminado em todo o país em 2009 por Beliz, vice-diretor do Departamento de Saúde Mental.

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Muitas escolas secundárias e universidades de todo o país têm protocolos para lidar com alunos que ameaçam atos de violência, e cidades além de Los Angeles iniciaram programas destinados a identificar os alunos de risco. Mas especialistas em justiça criminal afirmaram que o programa em Los Angeles, financiado sob o Ato dos Serviços de Saúde Mental da Califórnia, é notável por causa do compartilhamento de informações entre as agências e pelo grau de acompanhamento para controlar os alunos que demonstram tendências violentas ao longo do tempo.

Diariamente, dezenas de ligações são feitas para o centro de atendimento do programa por diretores, conselheiros, seguranças escolares ou pais preocupados com os alunos que comentaram algo sobre suicídio, exibiram comportamento bizarro ou fizeram ameaças diretas.

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"Vamos a uma escola e avaliamos esse indivíduo, assim como também nos encaminhamos até sua casa e pedimos para ver seu quarto e fazer uma avaliação bem precisa", relatou Beliz. "Tentamos descobrir quais são os fatores que o levaram a agir assim? Quais são os fatores de risco? O que realmente está acontecendo e como podemos intervir?"

Parte do desafio, contou Beliz, foi educar os administradores escolares e profissionais de saúde mental sobre suas responsabilidades legais e as exceções nas leis federais de privacidade que permitem o compartilhamento de informações em determinadas circunstâncias - por exemplo, quando uma ameaça está envolvida. Escolas e profissionais de saúde mental muitas vezes relutam em liberar qualquer informação a funcionários municipais e a policiais, acreditando que a lei impede a divulgação de dados em qualquer circunstância.

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Outra dificuldade foi convencer os administradores escolares, cuja primeira reação é muitas vezes expulsar os alunos que fizeram ameaças - mesmo as mais leves -, que isso só empurra o problema para outra escola ou deixa uma criança em casa com tempo livre para navegar na internet e alimentar rancor contra a instituição de ensino.

Dependendo da situação, um estudante que tenha feito uma ameaça séria pode ser detido durante 72 horas em um hospital para saúde mental ou pode ser preso se um crime foi cometido. Policiais disseram que a detenção em um hospital de saúde mental muitas vezes é preferível pelo fato de a lei da Califórnia permitir, sob ela, a apreensão de armas de fogo. Mas mesmo quando um estudante expressa frustração ou faz algo que chame a atenção dos adultos, a equipe trabalha para levá-lo a aconselhamento e para ajudar as famílias a entrar em contato com serviços sociais adequados.

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Charles Dempsey, detetive responsável pelo programa por parte da polícia de Los Angeles, disse que, na maioria dos casos, os pais permitem que equipes médicas de campo e policiais treinados vasculhem o quarto de um estudante ou façam buscas em mochilas e computadores. "Temos bastante cooperação dos pais", disse. "Depois do choque inicial, eles querem saber também 'o que não percebemos'?"

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Tony Beliz, vice-diretor do Departamento de Saúde Mental de Los Angeles, mostra fotos de Jared Loughner, Anders Breivik e James Holmes durante apresentação (05/02)

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Em uma reunião recente, membros da equipe revisaram os históricos escolares, declarações, ações e dinâmicas familiares dos alunos e chegaram a uma avaliação sobre a gravidade das ameaças, julgando se um estudante estava "no caminho da violência", como Beliz descreveu, ou se em vez disso apenas passava por dificuldades emocionais improváveis de resultar em comportamento violento.

Na maioria dos casos, quanto mais a equipe descobre, menos preocupante o caso se torna. Em três casos recentes, considerou-se que os alunos, após uma investigação mais aprofundada, precisavam de vários tipos de ajuda, mas não representavam um risco de violência iminente. Mas Linda Boyd, gerente do programa para a equipe de análise de ameaça, disse que a equipe também lidou com alunos que fizeram listas com alvos ou foram descobertos com armas - facas e armas de fogo.

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A preocupação com a segurança da comunidade pode esbarrar contra os direitos individuais, especialmente quando nenhum crime foi cometido.

Em uma reunião sobre um caso recente, Beliz e sua equipe discutiram o caso preocupante de um veterano do ensino médio que fez ameaças sérias na escola e agora se inscrevia nas faculdades. Eles poderiam notificar a universidade onde o aluno eventualmente se matriculasse sobre o seu comportamento? Eles concordaram que isso seria entrar em um território legal complicado.

Por Erica Goode

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