Em música, estrela da salsa critica Maduro antes de eleição na Venezuela

Por NYT |

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Com muitos fãs na Venezuela, americano de raízes porto-riquenhas aborda problemas do país e insinua que potencial sucessor de Chávez é 'reserva encarregado de piorar o desastre'

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Na Venezuela, as campanhas políticas muitas vezes se assemelham a uma competição musical. Canções escritas para as campanhas são tocadas em alto-falantes enormes em comícios e caminhões que trafegam pelas cidades onde os candidatos aparecem. As campanhas disputam para criar músicas populares para animar seus partidários em comícios que muitas vezes são festas organizadas e movidas a cerveja.

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Agora, enquanto a Venezuela se aproxima de uma eleição no domingo (14) para substituir Hugo Chávez, que morreu em 5 de março, a oposição tem ao seu lado um aliado peculiar: Willie Colón, o músico de salsa nascido no Bronx, Nova York, com raízes porto-riquenhas.

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Nicolás Maduro, homem escolhido por Chávez como seu sucessor, faz campanha eleitoral em Maracay, Venezuela (05/04)

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Na sexta-feira de 5 de abril, Colón publicou uma gravação de uma de suas canções de salsa na internet, cuja letra faz referências a Nicolás Maduro, o homem que foi escolhido por Chávez para sua sucessão.

Sem mencionar Maduro diretamente, a canção se refere a ele como "Mentira Fresca", um apelido que o candidato da oposição, Henrique Capriles Radonski, começou a usar para se referir a seu adversário.

Em um comício na noite de segunda-feira, Maduro, que é o presidente interino, reagiu dizendo que Colón, um dos maiores nomes da salsa com muitos fãs na Venezuela, havia “perdido seu caminho".

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"Por que, sendo porto-riquenho, você beija a mão imperial que transformou seu país em uma colônia?", questionou Maduro, que fez com que seus ataques aos EUA se tornassem um importante elemento de campanha. Ele sugeriu que os EUA causaram o câncer de Chávez e que seu governo não continuaria as negociações destinadas a melhorar as relações entre os países.

"Mesmo assim, nós da Venezuela te perdoamos. Continue com sua rumba, sua rumba do ódio, enquanto continuaremos com nossa rumba do amor ", disse Maduro.

Chávez, um socialista, era uma figura divisória que dominou a vida política da Venezuela durante 14 anos.

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A canção de Cólon, escrita pelo ator venezuelano Rolando Padilla, aborda uma série de problemas da Venezuela, como pontes em colapso, a desvalorização da moeda, apagões de energia elétrica e criminalidade desenfreada. Ele faz uma referência a Maduro como sendo “o reserva encarregado de tornar o desastre ainda pior".

Colón pede que seus fãs votem em Capriles e, usando o apelido do candidato, diz: "Ataque, magro!"

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A canção foi tocada mais de 670 mil vezes até a noite de quarta, segundo o Soundcloud, site em que foi publicada. Uma porta-voz do site disse ser uma das músicas latinas mais tocadas desde o dia 5.

Em uma entrevista por telefone, Colón afirmou ter muitos amigos na Venezuela e que seus fãs em Caracas o apoiaram de forma entusiasmada quando começou uma carreira solo em 1980. Há alguns anos, ele começou a publicar mensagens criticando Chávez no Twitter e logo passou a receber respostas raivosas de partidários de Chávez.

"Eles me perseguiram e queriam me atacar de qualquer maneira, e eu disse 'Ok' e então arregacei minhas mangas", contou Colón.

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A briga pelo Twitter aconteceu novamente em janeiro, depois que Chávez não pôde assumir seu quarto mandato por estar em Cuba após sua quarta cirurgia relativa a um câncer. Na época, Maduro, que era vice-presidente de Chávez, administrava o país.

Colón publicou no Twitter uma piada sobre o sobrenome Maduro. A publicação dizia que a Venezuela teve dois presidentes, um maduro e um podre.

Cada campanha utiliza músicas de diferentes gêneros musicais, incluindo pop, reggaeton e a música tradicional venezuelana.

Uma canção que tocou recentemente em um comício para Maduro foi baseado no "Gangnam Style", com as palavras “garota sexy” do refrão sendo substituídas por "com Maduro". Maduro também dança, canta e toca um tambor durante seus comícios.

No dia 9 de abril, ele subiu em um palco em Caracas e cantou canções revolucionárias com um grupo de músicos. "Gringo, vá para casa!", cantou em uma música. "Yankee, go home!"

*Por William Neuman

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