Filha pede inquérito independente sobre morte de dissidente cubano Oswaldo Payá

Por NYT |

compartilhe

Tamanho do texto

Rosa Maria Payá solicita investigação internacional após espanhol que dirigia carro ter lhe dito que outro veículo os atingiu por trás antes de acidente em julho do ano passado

NYT

Leda Balbino
Ativista Oswaldo Payá, que era considerado o principal dissidente político de Cuba, em sua casa no Município de Cerro, na cidade de Havana (foto de arquivo)

A filha do conhecido dissidente cubano Oswaldo Payá, morto em um acidente de carro no ano passado, solicitou no dia 3 uma investigação internacional independente sobre o caso após o homem que dirigia o veículo ter lhe dito que outro carro os atingiu por trás pouco antes do acidente.

Outubro: Cuba condena Carromero a quatro anos de prisão por acidente que matou Payá

Payá, um dos críticos mais conhecidos do governo Castro que incansavelmente desafiou a posição do regime sobre os direitos humanos, e o também dissidente Harold Cepero morreram em 22 de julho, quando o carro em que viajavam com dois políticos da Espanha e da Suécia bateu em uma árvore no leste de Cuba, de acordo com autoridades cubanas. O espanhol Ángel Carromero Barrios, que estava ao volante no momento do acidente, foi condenado por homicídio e transferido em dezembro para a Espanha, onde está em liberdade condicional.

Julho: Europeus que sofreram acidente que matou Payá confirmam versão oficial

Agora Rosa Maria Payá, uma das filhas do dissidente, solicitou uma investigação independente, depois que Carromero lhe disse recentemente e também em uma entrevista para a seção de opinião do jornal Washington Post, em março, que um segundo veículo atingiu o carro por trás. Ele também afirmou que, durante o inquérito pós-acidente, estava sob influência de medicamentos e foi intimidado pelos investigadores cubanos.

"Existem hoje alguns fatos que indicam que o que aconteceu não foi um acidente", disse Rosa Maria em uma entrevista por telefone no dia 3 desde Nova York. "Por isso, pedimos à comunidade internacional que uma comissão independente investigue o caso", afirmou a filha do dissidente, que está em turnê pelos EUA e Europa para expor o caso.

Entrevista ao iG em 2010: 'População de Cuba não está anestesiada', diz Oswaldo Payá

Entrevista ao iG em 2011: 'Não nos interessa a sucessão da tirania', diz opositor cubano

Jens Aron Modig, político sueco que viajava com Payá, relatou que dormia quando o acidente aconteceu, mas, segundo Rosa Maria, ele havia enviado uma mensagem de texto afirmando que Carromero lhe informou que um outro carro lhes havia atingido antes do acidente. Em sua entrevista ao The Post, o espanhol afirmou que estava atordoado pelo acidente e pelos medicamentos que havia recebido no hospital, mas que vários carros haviam seguido o grupo à medida que saiam de Havana, com um deles tendo chegado bem perto deles um pouco antes do acidente.

"A última vez que olhei no retrovisor, percebi que um dos carros havia se aproximado muito de nós e, de repente, senti um impacto estrondoso por trás", revelou em entrevista em 5 de março ao jornal, que não informou onde e quando conversou com Carromero.

Na semana passada, um grupo bipartidário de oito senadores americanos solicitou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos que fosse realizado um inquérito, ação apoiada pelo Departamento de Estado dos EUA. A porta-voz do departamento, Victoria Nuland, disse: "O povo de Cuba e os parentes dos dois ativistas merecem que os fatos desse acidente sejam esclarecidos."

Saiba mais: Veja o especial do iG sobre Cuba

EFE
O espanhol Ángel Carromero, que dirigia o veículo em que estava Payá (foto de arquivo)

Separadamente, o senador democrata Bill Nelson, da Flórida, pediu à Organização das Nações Unidas a realização de um inquérito.

O Cubadebate, site patrocinado pelo Estado cubano, ridicularizou a ideia de um segundo carro, dizendo que tal alegação repete as habituais "propagandas anti-Castro."

Analistas disseram duvidar que Cuba orquestrasse um assassinato político desse nível, com a ressalva de que o acidente pode ter sido resultado do excesso de zelo dos que perseguiam o grupo.

Rosa Maria evitou culpar diretamente o governo de Cuba pelo acidente. "Só quero esclarecer o que aconteceu", disse. "Quero que a verdade seja contada e reconhecida."

Por Randal C. Archibold

Leia tudo sobre: cubaoswaldo payáángel carromenopayá

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas