Reformulação de base legal para uso de 'drones' tem poucos efeitos práticos

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Há meses, o governo Obama tenta institucionalizar seu programa de ataques com aviões não tripulados, mas enfrenta críticas no âmbito legal, prático e moral sobre seu uso

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Sob crescente pressão para oferecer mais transparência e prestar contas a respeito do uso do chamado assassinato seletivo, o governo Obama luta para tranformar um programa que foi concebido sob pressão, que opera de forma sigilosa e, muitas vezes, ao acaso, e tem deixado os EUA cada vez mais isolados, atém mesmo de seus aliados.

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AP
O uso de drones no Paquistão, segundo Washington, é para contenção (foto de arquivo)

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Há meses, o presidente Barack Obama e seus assessores têm prometido gradualmente acabar com a onda de segredos a respeito do projeto e trabalhar com o Congresso para criar um quadro legal mais duradouro para os ataques, que são realizados com aviões não tripulados.

Mas a única proposta que veio à tona até o momento - um plano do governo, que ainda não foi aprovado, para gradualmente transferir algumas das operações de aviões não tripulados que hoje são administradas pela CIA aos militares - poderá ter pouco efeito prático, pelo menos a curto prazo.

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Isso só ressalta o problema que o governo de Obama enfrentará ao tentar institucionalizar um programa que autoridades de segurança nacionais acreditam que estará no centro das guerras americanas durante os próximos anos, enquanto ganha um crescente grupo de críticos que desafiam o programa de assassinato seletivo em quesitos legais, morais e práticos.

Nos últimos meses, as críticas por parte de ativistas de direitos humanos, oficiais da ONU e alguns governos estrangeiros aliados têm sido respaldadas por uma série de ex-militares sêniores e agentes de inteligência que argumentam que os custos do programa de aviões não tripulados poderão exceder seus benefícios.

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No exemplo mais recente, o general James Cartwright, ex-vice-presidente do Estado-Maior Conjunto, expressou sua preocupação em um discurso realizado na quinta-feira, 21 de março, dizendo que a agressiva campanha americana de ataques aéreos poderia prejudicar esforços a longo prazo ao convertê-la em extremismo de batalha.

"Estamos presenciando um efeito contrário", disse Cartwright, que é aposentado do serviço militar, no Conselho de Chicago para Assuntos Globais. "Se você tenta encontrar um caminho para uma solução por meio de ataques mortais, não importa o quão preciso seja, você vai atingir civis, mesmo que não sejam seu alvo."

Atualmente, o Pentágono é responsável por aviões não tripulados no Afeganistão, na Somália e no Iêmen, onde a CIA também executa um programa separado. Devido ao fato de que a proposta que está sendo analisada pelo Conselho de Segurança Nacional resultaria em deixar as operações com aviões não tripulados no Paquistão sob a administração da CIA, o impacto prático de tal medida a curto prazo parece ser bastante limitado.

Por Mark Mazzetti e Scott Shane

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