Ajuda militar para rebeldes da Síria aumenta com 'empurrão' da CIA

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Governos árabes e da Turquia expandiram a 'ponte aérea' secreta para o envio de armas e de equipamentos aos rebeldes contra o presidente Bashar al-Assad

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Com a ajuda da CIA, os governos árabes e a Turquia têm aumentado acentuadamente sua ajuda militar aos combatentes da oposição Síria nos últimos meses, expandindo uma ponte aérea secreta de armas e equipamentos para a revolta contra o presidente Bashar al-Assad, de acordo com dados de tráfego aéreo, entrevistas com oficiais de vários países e relatos dos comandantes rebeldes.

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Dados mostraram que o transporte aéreo, que começou em pequena escala no início de 2012 e continuou de forma intermitente durante a metade do ano passado, aumentou para um fluxo constante e muito mais carregado no final do ano passado. Ele cresceu para mais de 160 voos de aviões de carga militar da Jordânia, Arábia Saudita e Catar que pousaram no Aeroporto Esenboga perto de Ancara,Turquia e, em uma escala menor, em outros aeroportos turcos e da Jordânia.

À medida que evoluiu, o transporte aéreo se correlacionou com mudanças na guerra no interior da Síria, enquanto rebeldes expulsavam o Exército da Síria do território em meados do ano passado.

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E mesmo que o governo Obama publicamente tenha apenas concordado em providenciar ajuda "não letal" para os rebeldes, o envolvimento da CIA no embarque de armas - embora tenha executado apenas um papel consultivo de acordo com autoridades americanas - mostrou que os Estados Unidos estão mais dispostos a ajudar seus aliados árabes a apoiarem o lado letal da guerra civil.

Com escritórios em locais secretos, agentes de inteligência dos EUA ajudaram os governos árabes a comprarem armas, incluindo um lote grande por parte da Croácia, e vetaram que comandantes e grupos rebeldes possam determinar quem deverá receber as armas que chegam, de acordo com oficiais americanos que falaram sob condição de anonimato. A CIA se recusou a comentar sobre as remessas ou sobre seu papel neste episódio.

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A maioria dos voos ocorreram a partir de novembro do ano passado, após a eleição presidencial nos Estados Unidos e enquanto crescia a frustração dos governos turcos e árabes com o progresso lento dos rebeldes contra as forças armadas de Assad. Os voos também ficaram mais frequentes quando a crise humanitária na Síria se aprofundou com o inverno, com milhares de refugiados atravessando a fronteira para países vizinhos.

"Uma estimativa conservadora da carga útil desses vôos seria de 3,5 mil toneladas de equipamento militar", disse Hugh Griffiths, do Stockholm International Peace Research Institute, que monitora as transferências de armas ilícitas.

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Mesmo assim, comandantes rebeldes têm criticado os embarques como sendo insuficientes, dizendo que a quantidade de armas que recebem são poucas e leves demais para lutar contra as forças de Assad de maneira eficaz.

"Os países estrangeiros nos providenciam armas e munição aos poucos", disse Abdel Rahman Ayachi, um comandante do Soquor al-Sham, um grupo de combate islâmico no norte da Síria. Ele fez um gesto como se estivesse abrindo e fechando uma torneira. "Eles abrem e fecham o caminho que nós temos para conseguir munições como se fosse água", disse.

Por C.J. Chivers e Eric Schmitt

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