Jovens e conservadores, Paul e Rubio disputam espaço no Partido Republicano

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Dois anos antes do início da campanha eleitoral nos EUA, dois senadores competem por manchetes e holofotes e passam a representar uma divisão na legenda

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Eles deveriam ser aliados: dois conservadores relativamente jovens da ala do movimento Tea Party do Partido Republicano que ascenderam ao Senado em 2010 e já se provam ser possíveis candidatos para a eleição de 2016.

Mas dois anos antes do início da próxima campanha presidencial, Rand Paul e Marco Rubio estão invadindo o espaço do outro, não como rivais, mas como óbvios competidores, batendo sutilmente um no outro nos estreitos limites do mundo político.

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Rand Paul apresenta o então candidato a vice-presidência Paul Ryan durante encontro em Cincinnati (25/9/12)

Em temas que vão da imigração à política externa passando pelo futuro do Partido Republicano, os dois senadores têm aparecido nas manchetes e provaram que o Senado pode parecer um local claustrofóbico quando seu objetivo final é a Casa Branca. "Está claro que eles não estão apenas discutindo sutilmente", disse Doug Gross, consultor político republicano em Iowa. "Eles estão se acotovelando."

Rubio, 41 anos, político cubano-americano da Flórida, deveria ser o principal foco das manchetes na busca do seu partido para atingir aos eleitores latinos com uma revisão ampla das leis de imigração. Mas, Paul, 50, um oftalmologista de Kentucky, tomou o centro das atenções com um discurso em março à Câmara Hispânica de Comércio e um apoio implícito para facilitar a cidadania para 11 milhões de imigrantes ilegais.

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Em matéria de imigração, Paul estava tentando acompanhar a disputa. Ele não está participando do grupo bipartidário de oito senadores que vêm negociando uma revisão da lei de imigração, um grupo no qual Rubio é indispensável. No entanto, por Paul não ser latino, e por ter feito campanha com a mensagem de fechar as fronteiras, sua participação no debate parecia ser um ponto crucial de mudança.

Na semana passada, em um grande encontro de políticos conservadores, Paul ofuscou Rubio novamente dizendo que o "antigo Partido Republicano está ultrapassado e velho". Sua réplica veio depois de Rubio ter declarado que: "Não precisamos de uma nova ideia. Há uma ideia: ela se chama Estados Unidos."

Rubio se apresentou vestindo um terno escuro e gravata azul. Paul, seguindo Rubio ao púlpito, trocou seu traje formal que veste para ir ao Senado por um par de jeans e botas de cowboy.

Escolhido para dar a resposta republicana ao discurso sobre o Estado da União do presidente Barack Obama, Rubio, declarou: "O mundo é um lugar melhor quando os Estados Unidos são o país mais forte do mundo". Então, Paul agitou o partido ao destacar as guerras da Casa Branca de aviões não tripulados e um excesso de poder presidencial que libertários enxergam como uma ameaça que pode se estender ao território americano.

À medida que repórteres conversavam com Paul  para saber à respeito de seus pensamentos sobre a imigração e sua viagem para Iowa, Rubio foi a CNN e declarou que Justin Timberlake pode ser um artista talentoso, mas que não estava à altura de um de seus favoritos, Tupac Shakur. "Ele não está na minha lista de artistas do meu iPod", disse Rubio sobre Timberlake.

Mas, para melhor ou para pior, Rubio e Paul passaram a representar neste momento uma divisão no partido republicano. Rubio, que mexeu com o status quo republicano em 2010, ao desafiar o ex-governador Charlie Crist na disputa para o Senado na Flórida, pode ser a melhor escolha por enquanto.

À medida que Paul tenta expandir seu apelo político para além da base libertária sólida porém limitada de seu pai, Ron Paul, se tornou o rosto de um governo radicalmente menor e de uma política externa mais voltada para dentro e limitada.

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Senador Marco Rubio deixa sala após votar em John Kerry para secretário de em audiência do Comitê de Relações Exteriores em Washington, EUA

"Rand Paul tem que ser levado a sério como sendo um candidato em potencial", disse Fergus Cullen, ex-presidente do Partido Republicano de Nova Hampshire. Mas Cullen acrescentou que o apelo de Rubio para os republicanos mais tradicionais ainda pode ser um fator mais decisivo. "Três anos é muito tempo", disse. "Ser a cara do status quo pode eventualmente ser algo positivo."

E há quem esteja prestando atenção. A senadora republicana Kelly Ayotte, de New Hampshire, disse que ficou sabendo de "numerosos pedidos" de republicanos para que os dois visitassem seu Estado, que detém a primeira primária presidencial.

Tudo isso vem se desenvolvendo dia após dia no Senado. Afinal, nos primeiros meses da campanha de 2008, os líderes do Senado tiveram que cronometrar seus votos para lidar com as ausências de sete senadores em plena campanha eleitoral: Barack Obama, Hillary Rodham Clinton, Joe Biden, Christopher J. Dodd, Evan Bayh, John McCain e Sam Brownback.

"Se você é um senador dos Estados Unidos, a menos que você esteja sob acusação ou em processo de desintoxicação, você automaticamente se considera um candidato a presidente dos Estados Unidos", disse McCain, do Arizona, o candidato republicano naquele ano.

Por Jonathan Weisman

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