Aos poucos, Japão se afasta do pacifismo

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Exercício militar com os EUA e pequenas alterações nas Forças Armadas ocorrem em meio à disputa com a China por ilhas e retórica ameaçadora por parte da Coreia do Norte

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Os soldados japoneses com rostos camuflados e equipados para combate chegaram em helicópteros na ilha de San Clemente, Califórnia, e movimentaram-se rapidamente para recapturá-la de um invasor imaginário. Para garantir sua vitória, pediram a um navio de guerra americano que estava nas proximidades para que atingisse o "inimigo" com armas de fogo.

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Durante exercício militar em conjunto com os EUA, soldado japonês caminha no campo de Pendleton, na Califórnia

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Talvez a característica mais notável do jogo de guerra que ocorreu em fevereiro, chamado de Punho de Ferro, foi a ousadia de sua advertência silenciosa. O Japão tem medo apenas de um país que poderia atacar uma de suas ilhas: a China.

Punho de Ferro é um dos mais recentes sinais de que a ansiedade do Japão sobre as revindicações insistentes da China à respeito da disputa de ilhas, assim como as constantes ameaças nucleares por parte da Coreia do Norte estão influenciando os líderes japoneses a mudarem sua tática de pacifismo pós-guerra do país.

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A nova assertividade tem sido particularmente evidente em Shinzo Abe, novo primeiro-ministro e um conservador que aumentou os gastos militares do país pela primeira vez em 11 anos. E as solicitações de Abe para que seu Exército esteja mais preparado e mais forte são mais bem recebidas hoje no Japão do que antigamente.

"Esta é uma reflexão muito séria a respeito da segurança do Japão", disse Satoshi Morimoto, ministro da Defesa do último governo, que arquitetou algumas mudanças na política de defesa do Japão.

Ao mesmo tempo, o público japonês tem mais uma vez apoiado totalmente as Forças de Autodefesa. Isso ocorreu em parte devido à sua preocupação com a China e com a Coreia do Norte, mas também devido à presença humanitária dos militares após o tsunami de 2011.

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Aos poucos, porém, significativamente, durante os últimos anos, o Japão vem remodelando a si mesmo e à suas Forças de Autodefesa para se tornarem aliados do Exército americano.

Nos últimos anos, os dois países desenvolveram conjuntamente um sistema de mísseis lançados a partir de navios, capaz de abater mísseis balísticos. Abe solicitou também que haja uma interpretação mais ampla da constituição pós-guerra, que limita o Japão para atuar apenas em "autodefesa", para incluir a ação em defesa de seus aliados.

Abe disse que isso permitiria que as Forças japonesas possam abater um míssil da Coreia do Norte que estivesse a caminho dos Estados Unidos, algo que hoje não poderia ser feito legalmente.

Abe também pediu para reescrever a constituição pós-guerra para acabar completamente com restrições sobre os militares, mas pesquisas mostraram que a ideia continua pouco popular entre a maior parte dos japoneses. Ainda assim, em um país que durante anos não reconhecia que possuía Forças Armadas, as mudanças nos orçamentos e táticas são significativas.

Por Martin Fackler

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