Mais do que a retórica bélica, EUA temem os riscos velados da Coreia do Norte

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Ações difíceis de rastrear, como os ciberataques contra bancos sul-coreanos e o lançamento de torpedo contra embarcação em 2010, preocupam mais EUA que discurso inflamado

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Na semana passada, o jovem líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, ordenou que subordinados se preparassem para um ataque de mísseis contra os EUA. Ele apareceu em um centro de comando na frente de um mapa com o seguinte título: “Planos para Atacar o Continente Americano.”

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No início do mês, seus generais haviam se gabado de terem desenvolvido uma ogiva nuclear ao “estilo coreano” que poderia ser acoplada a um míssil de longo alcance.

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AP
Líder norte-coreano Kim Jong-un levanta sua mão com outro líderes durante encontro do Comitê Central do governista Partido dos Trabalhadores em Pyongyang (31/03)

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Mas os sistemas de mísseis que figuram na avalanche de ameaças e ordens de Kim ainda não têm o alcance para chegar perto da costa dos EUA. Não há evidências de que suas armas atômicas possam ter o tamanho reduzido para caber sobre um míssil.

E uma fotografia que mostrava o Exército de Kim desembarcando em uma praia parecia ter sido fabricada, levantando questões sobre se suas forças poderiam repetir o feito de seu avô que, em 1950, ordenou um ataque terrestre para dar início à Guerra da Coreia (1950-1953).

"Esperava-se que uma ordem tão militar como essa fosse emitida em segredo", disse Kim Min-seok, porta-voz do Ministério da Defesa da Coreia do Sul. "Acreditamos que, ao divulgar isso para a mídia e para o mundo, a Coreia do Norte tenta travar uma guerra psicológica."

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Na verdade, são as habilidades que Kim não mostra que preocupam o governo do presidnete dos EUA, Barack Obama. Os ataques cibernéticos ao sistema bancário e de televisão da Coreia do Sul há duas semanas foram surpreendentemente bem-sucedidos, como foi o ataque de torpedo há três anos contra Cheonan, uma corveta da Marinha, que matou 46 marinheiros da Coreia do Sul.

O Norte nunca reconheceu o envolvimento em qualquer um dos ataques - embora o Sul e especialistas americanos acreditem que o Norte tenha sido responsável por ambos.

No mundo da propaganda que as três gerações da dinastia Kim criaram, Kim representa "um líder admirado por todo o seu povo, incluindo generais que realmente serviram nas Forças Armadas", disse Lee Sung-yoon, especialista em Coreia do Norte na Escola Fletcher de Direito e Diplomacia da Universidade Tufts. "Para o terceiro Kim, a fantasia é a realidade."

"Todos estamos tentando entendê-lo", disse Jonathan D. Pollack, especialista em Coreia do Norte do Instituto Brookings. "Há um ano, os americanos e os chineses enxergaram pelo menos a possibilidade de que ele seria alguém com quem poderiam negociar. Mas ele aos poucos provou o contrário" ao adotar a estratégia de seu pai e avô em usufruir da percepção de uma ameaça externa para solidificar seu apoio em casa.

Por Choe Sang-Hun e David E. Sanger

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