Cortes abrem caminho para Obama criar Exército mais enxuto

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Funcionários do governo, e até alguns oficiais do Pentágono, veem chance para diminuição de bases e de programas de saúde e de armas que há tempos estão na mira do presidente

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Numa época em que US$ 46 bilhões em cortes obrigatórios no Orçamento causam ansiedade no Pentágono, autoridades do governo enxergam um benefício em potencial: pode haver uma abertura para defender reduções profundas em programas que estão na mira do presidente Barack Obama faz tempo e que há muito são rejeitados pelo Congresso.

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AP
Presidente dos EUA, Barack Obama, olha para multidão enquanto tenta ouvir pessoa gritando durante seu discurso no Centro de Convenção Internacional em Jerusalém (foto de arquivo)

Na lista não estão apenas o fechamento de bases, mas também uma redução adicional no número de armas nucleares prontas para uso ou em estoque e uma reestruturação do programa de seguro médico militar que custa mais do que os EUA gastam em toda sua diplomacia e ajuda externa ao redor do mundo. Outro projeto em consideração é mais uma diminuição na produção de aviões de guerra de próxima geração, começando com o F-35, o mais caro programa de armas da história dos EUA.

Nenhum desses programas desapareceria. Mas, dentro do Pentágono, até mesmo alguns oficiais superiores dizem que as reduções, se forem realizadas de maneira inteligente, poderiam facilmente exceder as adotadas pelos cortes, o que faria sobrar espaço para as áreas em que o governo acredita que será necessário mais dinheiro. Estes incluem aviões não tripulados, desenvolvimento de armas cibernéticas ofensivas e defensivas e foco em forças de Operações Especiais.

Publicamente, pelo menos, Obama não apoiou quaisquer desses cortes, apesar de ter lamentado a abordagem "burra" de simplesmente cortar todos os programas no serviço militar sem critério. Oficiais do Pentágono começam a analisar maneiras específicas para diminuir seu orçamento.

Quando Obama assumiu o cargo há quatro anos, com a guerra do Iraque e Afeganistão em plena atividade, profundos cortes no Orçamento de Defesa pareciam impossíveis. Ele forçou o Pentágono a cortar cerca de US$ 50 bilhões por ano, o que foi considerado por muitos como um valor inatingível.

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No início de março, um grupo de cinco ex-secretários da Defesa - essencialmente ex-diretores operacionais do Pentágono - apelaram para uma revisão “completa" que reavaliaria a necessidade de cada grande programa e sistema de armas, dizendo que essa era uma oportunidade para realizar cortes que são adiados há tempos, depois de uma década em que o Orçamento Nacional de Segurança americano quase dobrou.

Mas a próxima série de cortes será muito mais difícil, porque envolvem grandes círculos eleitorais - em distritos eleitorais, dentro dos serviços militares e entre grupos de veteranos.

"O problema é que os maiores e mais necessários cortes estão em programas que também possuem o maior número de defensores", disse Maren Leed, diretor do Grupo de Defesa e de Estudos de Política do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington e ex- assessor do general Ray Odierno, agora chefe de equipe do Exército.

Os exemplos mais óbvios desses problemas vêm em fechamentos de base e maiores pagamentos ou prêmios para os beneficiários do Tricare, programa de cuidados de saúde militar, que custa mais de US$ 51 bilhões por ano.

Cortes no arsenal nuclear enfrentam um imperativo político diferente. Obama analisa há meses uma proposta, acordada pelo Estado-Maior Conjunto, que poderia reduzir o número de armas nucleares ativas no arsenal dos EUA em quase um terço e fazer grandes cortes no arsenal de armas de reserva. Mas ele ainda não assinou a proposta.

Em vez de agir unilateralmente, o governo Obama espera poder negociar cortes similares com o presidente Vladimir V. Putin da Rússia - e fazê-lo sem um tratado que, certamente, abriria espaço para outra batalha no Senado. Mas, de acordo com autoridades de alto escalão, essa possibilidade é duvidosa.

Mesmo que Obama vença com seu argumento estratégico de que o arsenal é muito grande para as futuras necessidades de defesa dos EUA, não está claro o quão grande essa economia seria. As armas mais fáceis de ser cortadas - aquelas com base em silos no centro do país - são também as mais baratas de se manter no campo.

As armas nucleares mais caras estão a bordo de submarinos. Elas são as mais invulneráveis a ataques e, por isso, estrategistas do Pentágono e da Casa Branca desejam preservá-las por mais tempo.

O maior alvo de todos é o F-35 Joint Strike Fighter, um novo jato para a Marinha, Força Aérea e os Fuzileiros Navais, e o item mais caro no Orçamento do Pentágono. Entre US$ 55 bilhões e US$ 84 milhões já foram gastos, mas as estimativas de custos de produção finais poderão chegar a US $ 400 bilhões.

O Corpo dos Fuzileiros Navais disse que não tem escolha a não ser seguir em frente com a sua versão do plano, pois sua atual aeronave está praticamente obsoleta, e a Força Aérea quer substituir o F-16.

Mas o programa foi administrado descontroladamente durante o governo de George W. Bush (2001-2009). "O programa Joint Strike Fighter tem sido um escândalo e uma tragédia", disse o senador John McCain, republicano do Arizona, em dezembro de 2011 - e agora que o número de aviões programados para ser produzidos diminuiu, o custo por avião aumentou para mais de US$ 1 bilhão.

O manejo da produção pela Lockheed Martin e as grandes mudanças exigidas por cada um dos serviços fizeram com que o avião se tornasse um alvo fácil para os críticos.

Mas Lockheed espalhou a produção para quase todos os Estados do país, a fim de continuar com o apoio do Congresso: assim que a discussão se centra nas necessidades estratégicas, Lockheed começa a salientar o número de empregos que estão em risco se o programa for cortado ou cancelado.

Por David E. Sander e Thom Shanker

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