Preso injustamente por quase 18 anos, americano busca reparação no Colorado

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Estados dos EUA confrontam questão de como compensar o crescente número de ex-detentos que foram exonerados por testes de DNA após passar vários anos na prisão

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Robert Dewey passou quase 18 anos na prisão por um crime que não cometeu. Agora ele passa seu tempo esperando por um vale-refeição ou seu cheque mensal de US$ 698 por invalidez. Ele toma analgésicos e espera que sua costas parem de doer. Espera também que o Estado lhe pague por seu tempo perdido.

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Robert Dewey, que passou quase 18 anos na prisão por um assassinato que não cometeu, é visto em universidade em Greeley, Colorado (02/02)

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Dewey, um motociclista de 52 anos, conhece os perigos de estradas escorregadias. Mas no quase um ano desde que foi inocentado por testes de DNA e libertado da prisão, a estrada mais perigosa que enfrenta atualmente não é a aquela onde dirige sua Harley-Davidson, mas a que o levou para longe da prisão e para o desconcertante mundo dos smartphones, netos e novas liberdades.

"Quando você sai da prisão, sente-se invencível", disse em uma tarde recente sentado no sofá na casa de um amigo. "Mas não demora muito para que se dê conta de que esse pode não ser o caso."

A libertação de Dewey está entre algumas das exonerações que confrontam o Estado do Colorado com a questão do que deve aos detentos erroneamente acusados e presos. Um tema que Louisiana, Texas, Illinois e outros Estados também têm de enfrentar.

Colorado é um dos 23 Estados que não possuem um sistema para recompensar presos injustamente condenados. Ele não fornece uma rede formal de aconselhamento, de educação ou dá qualquer outra assistência que grupos de defesa como o Projeto Inocência apontam como necessárias para não agravar a transição já difícil de volta à vida civil.

Um projeto de lei na Assembleia Legislativa do Colorado poderia mudar isso por meio da concessão de US$ 70 mil para cada ano de prisão injusta e isenção de taxa de matrícula em faculdades estaduais. O projeto foi aprovado em um teste inicial legislativo em 7 de março, recebendo apoio unânime do Comitê Judiciário da Câmara do Estado.

"Temos uma responsabilidade de fazer justiça a essa injustiça", disse a deputada Angela Williams, Denver, que defende a medida. "Você perde tudo. Você está começando do zero. Como é possível economizar dinheiro sob essas condições?"

Um porta-voz do governador do Colorado, John W. Hickenlooper, disse que ele ainda não decidiu se apoiará o projeto. Mas Dewey, agora desempregado, está apostando tudo nessa aprovação.

Depois de anos de trabalho de seu advogado nomeado pelo tribunal, Danyel Joffe, o Projeto Inocência entrou em ação em 2007 e pagou por testes que comprovaram nenhuma ligação de DNA entre Dewey e a cena do crime. Sua condenação foi revertida, e ele foi libertado em abril de 2012. Ele saiu com um pedido de desculpas e aperto de mão dos promotores do Condado Mesa, Colorado Springs, relatou, e nada mais.

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Robert Dewey, que foi solto após passar quase 18 anos na prisão por um assassinato que não cometeu, enfrenta o desafio de se adaptar ao mundo extremamente digital

Como Dewey havia sido condenado à prisão perpétua, contou que nunca mexeu em um computador ou fez qualquer tipo de curso profissionalizante enquanto estava na prisão. Ele saiu para ser confrontado com um mundo que se tornou extremamente digital. Na primeira vez em que entrou em um Wal-Mart, disse, ficou tão emocionado com suas cores e grandiosidade que teve de correr para fora para fumar um cigarro.

Após sua libertação, as pessoas enviaram doações de US$ 100 ou US$ 200 e mandaram ferramentas e peças para que ele reformasse sua moto. De acordo com ele, um homem na prisão chegou a lhe remeter US$ 20. Mas as doações acabaram, e ele está com problemas financeiros. Dewey agora se pergunta se conseguirá economizar o suficiente para que possa ir ao Missouri para ver seus netos que nasceram quando estava na prisão.

Ele disse que quer trabalhar, mas uma lesão nas costas agravada na prisão o impede disso.

Mas Dewey parece estar determinado a contar e recontar uma história que vive todos os dias. Há algumas semanas, ele falou com várias pessoas de uma universidade na cidade de Greeley, relatando novamente seus quase 18 anos na "caixa de sapato".

"Sim, claro que tenho raiva do que me aconteceu", disse. "Não estou culpando ninguém. É o que é. Apenas tento fazer o melhor que posso."

*Por Jack Healy

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