De olho em 2016, republicanos debatem qual posição assumir na política externa

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Discussão ocorre após nova geração defender um menor papel externo para EUA, rejeitando ideário clássico do partido de que poder do país no exterior é imperativo e vantagem política

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Por mais de três décadas, a marca do Partido Republicano tem sido profundamente ligada a uma visão de mundo em que o uso agressivo do poder americano no exterior é um imperativo e uma vantagem política.

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Agora, uma nova geração de republicanos como o senador Rand Paul, do Kentucky, questiona a abordagem que atingiu sua expressão máxima após os ataques terroristas do 11 de Setembro de 2001, ao indicar uma vontade de diminuir os orçamentos militares que a possibilitaram.

Isso tem o potencial de ameaçar duas correntes do ideário de segurança nacional republicana: os internacionalistas, que dominaram o cenário político com o presidente George H. W. Bush (1989-1993), e os neoconservadores, que levaram o país a guerras longas e caras no Iraque e no Afeganistão sob o presidente George W. Bush (2001-2009).

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Membros de ambas alas disseram em meados deste mês que têm medo de voltar a uma política externa minimalista, como foi articulada de maneiras diferentes por Paul, o senador Mike Lee, de Utah, e Justin Amash, de Michigan. Os falcões da política externa temem que isso diminuiria o papel dos EUA em um mundo cada vez mais instável e que seu partido poderia perder seu apelo de ter uma postura mais rígida em relação a tais questões.

"Um dos desafios que se aproximam para os republicanos em 2016 é o de qual será sua marca?", disse Richard N. Haass, presidente do Conselho das Relações Estrangeiras e ex-assessor do primeiro presidente Bush. "A razão pela qual Rand Paul está ganhando força é o Iraque. O que ele está articulando representa uma alternativa para ambos os lados."

Alguns republicanos estão tão nervosos sobre as posições defendidas por Paul e seus partidários que começaram a cogitar uma organização para rejeitar eventuais candidatos de primárias (em que são escolhidos os concorrentes eleitorais dos partidos) que Dan Senor, um veterano da equipe de conselheiros de política externa de Bush filho, descreveu como um esforço para reorientar o partido em direção a uma política externa "neoisolacionista" . Essa política, disse Senor, "está provocando discussões entre os doadores conservadores, ativistas e peritos em política sobre a criação de uma rede política para apoiar os republicanos internacionalistas".

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Paul diz não ser "nem neoconservador nem isolacionista, e sim um realista". Mas sua visão dos EUA se assemelha à de seu pai, o ex-deputado Ron Paul, que atraiu um bom número de partidários libertários e republicanos do movimento Tea Party, opondo-se a uma maior participação americana no exterior.

Rand Paul, que considera uma candidatura presidencial em 2016, é menos radical e mais sutil do que seu pai. Em um discurso na Heritage Foundation, no mês passado, ele insistiu que não é contra qualquer intervenção estrangeira, mas se comprometeu a lutar por "uma abordagem mais sã e mais equilibrada em relação à política externa".

A questão para o Partido Republicano é se Paul e seus seguidores emergirão como uma parte suficientemente influente do eleitorado republicano para remodelar a política externa do partido sem levá-lo de volta para a abordagem estritamente isolacionista.

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Alguns republicanos estão menos preocupados. Eles veem a jornada de Paul como nada mais do que uma tentativa por parte de membros do partido da oposição de minar a política assertiva estrangeira do atual presidente.

Na década de 1980, os democratas criticaram duramente as tentativas do presidente Ronald Reagan (1981-1989) para armar rebeldes nicaraguenses. Durante a década de 1990, os republicanos ironicamente chamaram a intervenção do presidente Bill Clinton (1993-2001) no Kosovo de a "guerra de Clinton". No primeiro mandato de Obama, os críticos atacaram sua expansão da guerra contra o terrorismo, incluindo a ampliação do uso de aviões não tripulados.

"Os últimos três presidentes têm se preocupado com a crescente onda de isolacionismo", disse Peter D. Feaver, professor de ciência política na Universidade de Duke, que serviu como um assessor de segurança nacional de Clinton e Bush filho. "Às vezes são os sentimentos protecionistas entre os democratas. Às vezes é o setor extremista libertário do Partido Republicano. Às vezes não é nada mais do que fadiga de guerra."

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Feaver disse que muitos republicanos que elogiaram Paul não compartilhavam de suas visões mais amplas sobre um papel limitado para os EUA no exterior. "Parte do que presenciamos é a torcida por alguém do nosso lado que realmente acertou em cheio", disse Feaver.

Por Michael D. Shear

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