Tibetanos são acusados de incitar monges a atear fogo no próprio corpo

Por NYT |

compartilhe

Tamanho do texto

Cinco tibetanos detidos teriam tentado convencer os participantes de que se tornariam heróis com morte através da autoimolação; grupos de direitos humanos criticam repressão chinesa

NYT

NYT
Imagem mostra monge tibetano Lobsang Namgyal, que ateou fogo em si mesmo em protesto contra a China (foto de arquivo)

Autoridades de segurança na província de Gansu, segundo a imprensa estatal chinesa, prenderam cinco tibetanos e os acusaram de incitar uma série de autoimolações no final do ano passado ao tentarem convencer os participantes de que se tornariam heróis com sua morte. Quatro dos detidos eram monges budistas, que a polícia disse serem guiados por uma organização de tibetanos exilados.

Mohamed Bouazazi: O homem que 'acendeu' a fagulha da Primavera Árabe

Leia mais: Tecnologia atinge cantos remotos do Tibete e alimenta motins

As prisões, anunciadas no fim do mês passado pela Xinhua, a agência oficial de notícias, fizeram parte de uma campanha cada vez mais desesperada do governo para acabar com a onda de protestos suicidas através de intimidação, prisão e recompensas para os que cooperarem com a polícia.

Grupos de direitos humanos criticaram a repressão como sendo pouco produtiva, dizendo que só vai alimentar o desespero que convenceu pelo menos 107 pessoas a atarem fogo em si mesmas desde 2009. Em fevereiro, houve sete episódios de autoimolações em regiões tibetanas da China, incluindo uma autoimolação em conjunto na qual dois adolescentes se mataram juntos na província de Sichuan.

Protesto: Capital do Tibete é palco de suas primeiras imolações

Imagens fortes: Morre o tibetano que ateou fogo ao próprio corpo em Nova Délhi

Nas últimas semanas, as autoridades detiveram 70 acusados de ajudar a organizar, incentivar ou difundir este tipo de ato. Os tribunais chineses até o momento mostraram pouca clemência para com os acusados, sentenciando mais de dez tibetanos a longas penas de prisão e, em um caso, em janeiro, a uma sentença de morte.

A Radio Free Asia informou que entre os que foram presos se encontra um artista de 20 anos de idade, de Lhasa, a capital da Região Autônoma do Tibete, que recebeu uma pena de dois anos em um acampamento para presos depois que a polícia encontrou imagens de autoimoladores em seu celular durante uma verificação de rotina.

As autoimolações têm seguido um padrão sombrio com os tibetanos, muitos deles jovens monges, incendiando suas roupas encharcadas de combustível em público para protestar contra as rígidas políticas de Pequim na região. Muitos também pedem pelo retorno do Dalai Lama, o exilado líder espiritual, à medida que são consumidos pelas chamas.

NYT: Dinheiro e imigrantes chineses invadem o Tibete

De acordo com o breve artigo publicado pela Xinhua, os cinco homens presos na província de Gansu faziam parte de uma conspiração que envolvia um jornalista da Voz da América e do Congresso da Juventude Tibetana, um grupo de exilados na Índia, que defende a independência do Tibete.

O artigo disse que um dos suspeitos, Karong Takchen, um monge de 21 anos de idade, viajou de Sichuan para "organizar atividades de autoimolação", para eventualmente convencer três pessoas a participar dos protestos no final de outubro e início de novembro. Trabalhando com três dos outros, segundo a Xinhua, o monge comprou gasolina e fotografou os homens à medida que morriam queimados. O artigo descreveu seus crimes como "homicídio por autoimolação".

Tsewang Rigzin, presidente do Congresso da Juventude Tibetana, chamou as acusações de "infundadas e falaciosas", dizendo que a organização não possui membros na China. Ele observou que os processos dos detidos nos últimos meses, muitas vezes, invocaram confissões forçadas por meio de tortura. Segundo Rigzin, os casos têm sido breves e, em sua maioria, os acusados não tinham advogados e não foram autorizados a falar em tribunal.

"O que o governo chinês precisa fazer é lidar com as queixas subjacentes", disse ele em uma entrevista em Dharamsala, na Índia, sede do governo tibetano no exílio. "A força bruta não resolverá o problema."

Por Andrew Jacobs

Leia tudo sobre: tibeteautoimolaçãofogochina

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas