Foguete palestino pode ter matado bebê de Gaza em novembro, indica ONU

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Filho de jornalista da BBC, criança de 11 meses se tornou poderoso símbolo de confronto entre Israel e Hamas; antes se acreditava que ataque israelense havia causado sua morte

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Um relatório da ONU sugeriu que um bebê palestino que morreu durante combates em Gaza em novembro pode ter sido vítima de um foguete palestino em vez de um ataque aéreo israelense, como se acreditava na época. A morte da criança tornou-se rapidamente um símbolo poderoso do conflito.

Editor da BBC em Gaza: 'Por que meu filho teve de morrer assim?'

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Jornalista da BBC Jehad Mashhrawi chora durante entrevista sobre ataque que matou seu filho em Gaza (nov/ 2013)

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A criança de 11 meses era filho de Jehad Mashhrawi, um jornalista da BBC em Gaza, e fotografias do pai desesperado carregando o corpo de seu filho, Omar, envolto em uma mortalha branca foram impressas em jornais ao redor do mundo e amplamente divulgadas em canais de mídia social.

Na época, Mashhrawi e organizações de direitos humanos atribuíram as mortes de Omar e dois parentes em 14 de novembro a ataques aéreos israelenses durante ofensiva militar contra militantes do Hamas em Gaza.

Um dia após as mortes, o Centro Palestino para os Direitos Humanos com sede em Gaza disse que a casa de Mashhrawi havia sido atingida por um míssil disparado por um avião de guerra israelense. A Human Rights Watch também disse que a casa havia sido atingida por um ataque israelense, citando compilações de notícias e testemunhos feitos ao grupo.

Paul Danahar, chefe do escritório da BBC do Oriente Médio, escreveu em sua conta no Twitter que um pedaço de munição israelense havia atravessado o telhado da casa em Gaza. Danahar visitou seu colega em luto em 15 novembro e publicou uma foto de um buraco arredondado no teto da sala.

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Mas um relatório de 6 de março do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos sobre o conflito de oito dias, que terminou com um cessar-fogo, afirmou que três pessoas na casa - Omar, uma mulher e um jovem de 18 anos - pareciam ter sido vítimas “do que se assemelhava a um foguete palestino que não chegou até Israel".

Mas as circunstâncias dessas mortes devem permanecer em disputa. Os militares de Israel não determinaram se haviam atacado a casa ou não, dizendo que não possuíam informações claras sobre o que aconteceu. A BBC informou que autoridades militares disseram reservadamente a jornalistas que Israel estava atrás de um militante que teria se escondido no prédio naquele instante.

Em 11 de março, o jornalista Mashhrawi disse à BBC que considerava os resultados da investigação da ONU como "mentira".

Matthias Behnke, uma autoridade da ONU, disse à Associated Press que ele não poderia "inequivocamente concluir" que um foguete palestino foi responsável pelas mortes. Segundo ele, as informações recolhidas a partir de testemunhas levaram seus investigadores a afirmar que "(o ataque) parecia ser atribuível a um projétil palestino".

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Israel lançou sua ofensiva em Gaza em resposta a disparos de foguetes palestinos a partir do enclave costeiro no sul de Israel. O conflito teve início após um ataque aéreo que matou o comandante militar do Hamas, o grupo islâmico que controla Gaza, ao qual se seguiram intensas ondas de bombardeios

Durante oito dias de combates, Israel lançou cerca de 1,5 mil ataques aéreos, mais de 1,5 mil foguetes foram disparados por militantes de Gaza contra Israel, chegando até ao norte de Tel Aviv. O relatório da ONU disse que pelo menos 168 palestinos foram mortos nos ataques israelenses, dos quais 101 eram civis.

Além disso, segundo o relatório, seis palestinos, incluindo uma mulher e três crianças, "podem ter sido mortos por projéteis disparados por grupos armados palestinos que desembarcaram em Gaza".

Seis israelenses foram mortos por mísseis palestinos e morteiros durante os combates de novembro, sendo quatro civis.

O relatório da ONU levantou preocupações sobre a conduta de ambos os lados, apontando para o "aparente fracasso" do Exército israelense em respeitar os princípios da proporcionalidade, distinção e precauções em seus ataques, e pela "natureza indiscriminada da grande maioria" de mísseis disparados por grupos armados palestinos, alguns dos quais declararam que tinham o objetivo de atingir centros civis israelenses. O relatório observou que os foguetes foram lançados de áreas densamente povoadas de Gaza, colocando ainda mais em perigo a população civil.

Por Isabel Kershner

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