Para reduzir crimes juvenis, polícia de Nova York age antes que roubo aconteça

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Departamento de Polícia de Nova York adotou uma nova postura para evitar que jovens entrem no mundo do crime e dos roubos: dissuadir os mais propensos a cometê-los

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Três policiais bateram à porta do apartamento de um rapaz de 15 anos. Ele já tinha estado dos dois lados do crime: foi baleado e esfaqueado, mas também preso por assalto. Ele começou a fazer parte de uma gangue de East Harlem e morava com sua avó no sétimo andar de um edifício de habitação pública, onde as escadarias cheiravam a maconha.

Ele era o tipo de adolescente potencialmente problemático. E era exatamente esse o motivo pelo qual os policiais estavam batendo à sua porta naquela noite de inverno.

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John Rivera, 19, parte de programa policial, durante visita de agente em seu apartmento em Nova York

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O departamento de polícia de Nova York adotou uma nova abordagem para deter ladrões juvenis, essencialmente realizando intervenções em esforços para conter uma maré de roubos, por meio da dissuasão daqueles mais propensos a cometê-los.

Oficiais não apenas os visitam em suas casas em projetos habitacionais e escolas, mas também os abordam nas ruas, por meio de saudações amistosas, na frente de seus amigos. A Divisão de Inteligência da polícia decifra o apelido de cada adolescente e suas gangues. Detetives compilam um fichário sobre cada adolescente que inclui fotos do Facebook e fotos de prisão de seus companheiros de crime.

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A ideia, em parte, é isolar esses adolescentes de colegas com quem cometem crimes. "Estamos vindo para encontrá-lo e monitorar cada passo que você der", disse Joanne Jaffe, chefe do departamento do Instituto de Habitação. "E nós iremos estudar cada má influência com quem você anda. E você vai ficar alienado destes amigos, pois nós estaremos de olho em você."

A polícia também rastreará esses indivíduos de maneiras mais discretas. Detetives passam horas, durante o dia e a noite, monitorando as páginas do Facebook e contas de Twitter de adolescentes no programa, conhecido como Programa de Intervenção Contra o Roubo Juvenil, e de seus associados criminais. Para isso, os detetives criam uma página falsa no Facebook - através da criação de um perfil falso de uma atraente jovem adolescente - e enviam "pedidos de amizade", como isca para ir além de suas configurações de privacidade da rede social.

Ao mesmo tempo, os agentes procuram forjar relações com a família do adolescente, atraindo-os com mordomias como um peru de Ação de Graças e brinquedos e tênis de marca para seus irmãos mais novos. Os policiais também fornecem ajuda customizada, levando membros da família para consultas médicas, levando-os para grupos de ajuda contra álcool e abuso de drogas e preenchendo pedidos de habitação de baixa renda, vale-alimentação, apoio à criança e creches para crianças.

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É o jeito do Departamento de Polícia demonstrar que se importa. "Nós dizemos a esses adolescentes, 'Você tem uma escolha", disse Jaffe. "Você não vai levar ninguém com você. Se você cometer um assalto ou qualquer outro crime que possa ferir alguém, vamos fazer o melhor possível para lhe prender. Seus amigos vão estar livres. Você não."

Por Wendy Ruderman

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