Direitos dos homossexuais vira principal tema na campanha eleitoral da Alemanha

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Conservador e católico, partido de Angela Merkel tenta acompanhar mudanças de comportamento no eleitorado para saber que caminho seguir na questão

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Os direitos dos homossexuais se tornaram um dos principais temas da campanha parlamentar da Alemanha neste ano, com os conservadores democratas cristãos que apoiam Angela Merkel lutando para acompanhar as mudanças de atitude do eleitor sobre questões como o casamento e a adoção de crianças por casais gays.

O debate ganhou um novo impulso após uma decisão do Tribunal Constitucional Federal, que determinou que os homossexuais deveriam ser autorizados a adotar crianças já previamente adotadas por seus parceiros. A próxima batalha, sobre os benefícios fiscais para as uniões civis, já começou.

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"A decisão de colocar as uniões civis e o casamento no mesmo patamar precisa de um grande impulso", disse o ministro da Justiça Sabine Leutheusser-Schnarrenberger ao site de notícias Spiegel Online no fim do mês passado.

A questão é particularmente controversa para a União Democrática Cristã de Merkel, que vem tentando equilibrar uma abordagem conservadora de valores familiares tradicionais, favorecida por eleitores mais velhos do partido, com algo mais atraente para os mais jovens, que, em grande parte, apoiam os direitos dos homossexuais.

Uma nova pesquisa de opinião descobriu que cerca de três quartos dos alemães apoiam o casamento homossexual. Segundo a revista, 74% dos alemães e dois terços dos eleitores democratas cristãos são a favor da transformação das parcerias civis no mesmo estatuto dos casamentos tradicionais. "Merkel não pode ignorar isso", disse Gero Neugebauer, cientista político da Universidade Livre de Berlim. "Ela tem que reagir."

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Somando-se à essa pressão, em fevereiro, a câmara baixa do Parlamento da França aprovou um projeto de lei para legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, apesar de uma significativa oposição de líderes religiosos. O Senado deve aprovar a legislação no início de abril. A França e a Alemanha, vizinhos, parceiros e os dois países mais influentes da União Europeia, muitas vezes se comparam.

A Alemanha reconheceu as uniões civis para casais de homossexuais em 2001, mas ainda não têm muitos dos direitos e benefícios que os casais heterossexuais possuem.

Questões de direitos homossexuais colocam Merkel em uma posição particularmente difícil em comparação com seus aliados políticos. A União Social Cristã, o partido aliado na conservadora e  católica Baviera, está ainda mais relutante em conceder direitos adicionais para os homossexuais. 

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No fim de semana, vários líderes democratas-cristãos anunciaram que iriam apoiar a legislação para fornecer os mesmos benefícios fiscais aos homossexuais em uniões civis da mesma maneira que apoiam para parceiros heterossexuais - uma aparente mudança de política que incomodou a ala socialmente conservadora do partido. De fato, os democratas-cristãos rejeitaram uma proposta semelhante em dezembro.

Mas especialistas legais esperam que o influente Tribunal Constitucional tome uma decisão que disponibilize esses benefícios. Como resultado da "clara tendência nas decisões do Tribunal Constitucional Federal, deveríamos agir o mais rápido possível para implementar o necessário direito constitucional da igualdade", disse Michael Grosse-Bromer, parlamentar do partido Democráta Cristãos, ao diário Süddeutsche Zeitung.

A mudança de política pelos democratas-cristãos foi criticada por políticos da oposição, que os acusam de favorecer os eleitores. A notícia também pode colocar Merkel em uma posição desconfortável entre uma população socialmente liberal, que ela faz questão de agradar antes das eleições em setembro, e seu partido.

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Merkel, uma política tática que não é contra mudar a posição do seu partido em questões importantes para o público se acredita que com isso ganhará votos, no passado, adotou políticas de centro-esquerda sobre o salário mínimo e para acabar com o serviço militar obrigatório.

Ela poderia muito bem fazer o mesmo com os direitos dos homossexuais. Mas se ela apoiar a questão em demasiado, poderá perder o voto dos eleitores conservadores em setembro. "Ela quer continuar no poder, é isso o que a incentiva", disse Neugebauer.

Por Chris Cottrell e Nicholas Kulish

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