Envio de armas da Arábia Saudita para rebeldes sírios reflete nova abordagem

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Armamentos croatas que teriam sido comprados pela Arábia Saudita e canalizados para opositores foram um fator para as pequenas vitórias táticas dos rebeldes contra Assad

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A Arábia Saudita financiou uma grande compra de armas de infantaria da Croácia e as canalizou aos combatentes anti-governo na Síria em uma medida que visa ao fim de um impasse sangrento que permitiu que o presidente Bashar al-Assad permanecesse no poder, de acordo com oficiais americanos e ocidentais familiarizados com as compras.

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Rebeldes sírios do Exército Livre da Síria lutam contra forças do governo em Heesh (10/3/2013)

Autoridades afirmaram que as armas começaram a chegar para os rebeldes em dezembro de 2012 em carregamentos transportados através da Jordânia e têm sido um importante fator nas pequenas conquistas dos rebeldes contra o Exército e as milícias leais a Assad.

As transferências de armas sinalizam uma mudança em diversos governos que passam a adotar uma abordagem mais ativista ao ajudar a oposição armada na Síria, em parte como um esforço para combater a entrada de armas do Irã para as forças de Assad. A distribuição de armamentos tem priorizado principalmente grupos armados considerados nacionalistas e seculares, no aparente intuito de que elas passem longe dos grupos jihadistas, cujos papéis na guerra deixam as potências ocidentais e regionais em constante alerta.

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Durante meses países da região e do Ocidente têm relutado em armar os rebeldes, em parte por medo de que as armas caiam nas mãos de terroristas. Mas autoridades afirmam que a decisão de enviar mais armas tem como objetivo combater um outro medo do Ocidente em relação ao papel dos jihadistas opositores: esses grupos são melhor equipados do que os combatentes nacionalistas - e, potencialmente, mais influentes.

A ação também sinaliza o reconhecimento entre os partidários dos rebeldes no mundo árabe e no Ocidente de que o sucesso da oposição em retirar o Exército de Assad de grande parte da zona rural do norte da Síria, em meados do ano passado, abriu caminho para uma dura e lenta campanha, em que a oposição continua sem armas e as perdas humanas só aumentam.

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O papel de Washington nos envios, se é que existe algum, não está claro. Autoridades nos Estados Unidos, incluindo as da CIA, citaram a sensibilidade da questão ao recusarem explicitá-la publicamente.

Mas uma autoridade de alto escalão dos Estados Unidos descreveu os envios como "um amadurecimento logístico da oposição". O oficial observou que a oposição continua fragmentada e operacionalmente incoerente, e acrescentou que a recente compra da Arábia Saudita "não era necessariamente uma mudança da posição atual". "Continuo convencido de que não estamos perto dessa mudança de posição", disse.

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A autoridade acrescentou que os envios do Irã ao governo da Síria superam os dos Estados árabes aos rebeldes.

Oficiais familiarizados com as transferências disseram que as armas faziam parte de um excedente não declarado na Croácia que sobrou da década das guerras dos Bálcãs em 1990. Uma autoridade ocidental disse que entre o que foi enviado estavam "milhares de fuzis e centenas de metralhadoras" e uma quantidade desconhecida de munição.

O Ministério das Relações Exteriores da Croácia e agência de exportação de armas negaram os envios. Autoridades sauditas diminuíram as solicitações de entrevistas a respeito do suposto envio de armas por duas semanas. Oficiais jordanianos também se recusaram a comentar.

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Uma autoridade de Washington disse que a possibilidade dos envios ter ocorrido dos Bálcãs foi abordada no ano passado, quando um oficial sênior croata visitou a capital e comentou com autoridades dos EUA que a Croácia possuía muitas armas disponíveis e sugeriu que alguém poderia ter interesse em levá-las par aos rebeldes da Síria.

Na época, os rebeldes estavam avançando lentamente em algumas partes do país, mas lutando para manter a dinâmica em meio à escassez de armas e munições.

De acordo com um oficial familiarizado com os envios, em dezembro, à medida que os refugiados fugiam para a Turquia e Jordânia em meio a sinais de uma crise humanitária durante o inverno, as armas croatas estavam em alta.

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Uma autoridade ocidental disse que os participantes estão hesitantes em discuti-los, pois a Arábia Saudita, que o oficial disse ter financiado a compra, pediu sigilo.

Segundo o jornal croata Jutarnji lista, nos últimos meses, houve um número elevado de avistamentos de aviões de carga jordanianos no aeroporto Pleso de Zagreb, capital da Croácia.

O jornal disse que os EUA, principal aliado político e militar da Croácia, foi, possivelmente, o intermediário, e mencionou quatro avistamentos em Pleso de aeronaves Ilyushin 76 de propriedade da Jordan International Air Cargo.

Ele disse que essa aeronave tinha sido vista nos dias 14 e 23 de dezembro, 6 de janeiro e 18 de fevereiro. Ivica Nekic, diretor da agência encarregada pelas exportações de armas da Croácia, rejeitou o relato croata e disse que tudo era apenas especulação.

Por C.J. Chivers e Eric Schmitt

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