Venezuela diz ter monitorado líder da oposição Capriles em viagens ao exterior

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No fim de semana anterior à morte de Chávez, vice chama potencial candidato opositor de 'príncipe de Manhattan' ao acusá-lo de ter apartamento em Nova York: 'Como o comprou?'

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O mundo muitas vezes bizarro da política venezuelana parece estar longe de Nova York, mas uma autoridade de alto escalão em Caracas, Venezuela, disse no fim de semana que o governo do presidente Hugo Chávez, que morreu na terça após uma batalha de quase dois anos contra um câncer, rastreou os movimentos de um proeminente político da oposição em uma viagem a Manhattan.

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Reuters
Henrique Capriles, opositor da Venezuela, segura Constituição do país durante coletiva em Caracas (08/01)

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"O acompanhamos de perto", disse o vice-presidente Nicolás Maduro, que assumiu o poder interinamente após a morte de Chávez, sobre o líder opositor Henrique Capriles.

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"Tenho todos os dados, sabemos exatamente onde esteve em Manhattan", disse Maduro na rede estatal de televisão, olhando para o seu celular como se verificasse informações enviadas em uma mensagem de texto ou um e-mail.

Segundo ele, Capriles é dono de um apartamento na Rua 85 East. "Deixe-o negar", disse Maduro. "Como será que comprou um apartamento em Nova York?", arrancando risadas da plateia ao chamar Capriles de "o príncipe de Manhattan, o príncipe de Nova York".

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Em uma chamada telefônica no domingo desde Nova York, Capriles negou possuir um apartamento na cidade. "Toda vez que saio da Venezuela, o governo tenta transformar a situação em uma conspiração", disse, acrescentando que esteve em Nova York para visitar sua irmã e sua família, que vivem no apartamento no East Side mencionado por Maduro. "É ridículo imaginar que, com todos os problemas que existem na Venezuela, é com isso que o governo se preocupa."

AP
Pessoas caminham ao lado de caixão de Hugo Chávez coberto com bandeira venezuelana em Caracas (06/03)

Capriles é o governador do Estado de Miranda, que inclui uma parte de Caracas, a capital. Ele concorreu sem sucesso contra Chávez nas eleições de outubro. Na eleição antecipada que deve ser convocada em 30 dias após a morte de Chávez, é possível que Capriles represente a oposição enquanto Maduro será o candidato do governo.

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Chávez, um socialista que criticava ferozmente os EUA como uma potência imperialista, não foi visto em público desde sua quarta cirurgia relativa ao câncer em 11 de dezembro em Cuba. Maduro governou o país na sua ausência e incessantemente atacou Capriles em discursos e aparições públicas, indicando que o governo se preparava para uma eventual eleição.

Maduro disse que Capriles também havia viajado a Miami e o acusou de se encontrar com banqueiros fugitivos venezuelanos e outros que, segundo ele, conspiravam para desestabilizar o país.

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Capriles disse que fez uma escala em Miami, mas não participou de nenhuma reunião política durante sua viagem. Embora a informação de que um governo estrangeiro pudesse espionar um político da oposição nos EUA possa ser controverso, não ficou claro se o governo venezuelano realmente seguia Capriles ou se Maduro realmente possuía informações precisas.

"Se eles me seguiram, não reparei", disse Capriles, acrescentando que o governo usava táticas de intimidação.

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Maduro também disse no dia 2 que Capriles esperava para confirmar uma reunião com Roberta S. Jacobson, secretária-assistente americana de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental. No domingo, Jacobson negou tal afirmação.

"Não estamos cientes de uma viagem do governador Capriles para os EUA, e não tenho planos de me encontrar com ele neste momento, então não tenho certeza do que estão falando", disse Jacobson em uma entrevista por telefone.

Veja imagens do luto por Chávez na Venezuela:

Tela com vídeo de Hugo Chávez é vista em frente de lugar onde funeral de presidente venezuelano ocorre em Caracas (08/03). Foto: APFoto divulgada pelo Palácio de Miraflores mostra autoridades do governo venezuelano dando as mãos sobre caixão de presidente Hugo Chávez durante funeral de Estado (08/03). Foto: APPresidente cubano, Raúl Castro, saúda o caixão do presidente Hugo Chávez na Academia Militar em Caracas (08/03). Foto: APCom Lula, presidente Dilma Rousseff comparece ao velório de Hugo Chávez em Caracas, na Venezuela (07/03). Foto: Roberto Stuckert Filho/PR Partidários do Hugo Chávez são refletidos em poça d'água enquanto fazem fila para ver corpo de líder na Academia Militar de Caracas. Foto foi girada em 180 graus (07/03). Foto: ReutersVestido com camiseta com imagem do presidente venezuelano, Hugo Chávez, homem segura bandeira da Venezuela durante tributo a líder morto no dia 5 (06/03). Foto: ReutersMulher ergue o punho em saudação a Hugo Chávez diante do caixão do presidente venezuelano, morto na terça-feira (7/3). Foto: APVenezuelana chora ao ver o corpo do presidente venezuelano Hugo Chávez na Academia Militar em Caracas (7/3). Foto: APVenezuelanos fazem fila do lado de fora da Academia Militar onde o corpo do presidente Hugo Chávez é velado em Caracas (7/3). Foto: APMilhares acompanham cortejo fúnebre do presidente Hugo Chávez em Caracas (06/03). Foto: APMulher segura pequena foto de Hugo Chávez durante cortejo fúnebre do presidente venezuelano em Caracas (06/03). Foto: APGuarda-costas entram com caixão com corpo de Hugo Chávez na Academia Militar de Caracas, onde será velado até sexta (06/03). Foto: APPessoas caminham ao lado de caixão de Hugo Chávez coberto com bandeira venezuelana em Caracas (06/03). Foto: APCaixão coberto pela bandeira venezuelana leva corpo do presidente Hugo Chávez durante cortejo fúnebre em Caracas (06/03). Foto: APVice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (2º à D), segura braço de líder boliviano, Evo Morales, em Caracas (06/03). Foto: APCaixão com o corpo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, passa por ruas de Caracas depois de deixar hospital militar onde morreu na terça-feira (06/03). Foto: ReutersPartidários de Hugo Chávez choram do lado de fora de hospital militar onde presidente venezuelano morreu na terça-feira aos 58 anos (06/03)
. Foto: APVenezuela chora segurando foto do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, contra o rosto do lado de fora de hospital militar em Caracas (06/03). Foto: APPartidários do presidente Hugo Chávez choram enquanto seguram cartazes em que se lê 'Eu sou Chávez' durante homenagem a líder venezuelano na Praça Bolívar, Caracas (05/03). Foto: APPartidários de Hugo Chávez seguram cartaz em que se leem 'Sejamos como Chávez' e 'Proibido esquecer' durante homenagem a líder venezuelano, morto nesta terça, em Caracas (05/03). Foto: APPartidários de Hugo Chávez reagem ao anúncio de sua morte em frente ao hospital militar em que ele estava internado, em Caracas (05/03). Foto: ReutersPartidário do presidente Hugo Chávez expressa dor pela morte do líder venezuelano em frente ao hospital militar em Caracas (05/03). Foto: ReutersPartidária de Hugo Chávez reage ao anúncio da morte do presidente venezuelano em Caracas (05/03). Foto: Reuters'Chávez, nosso libertador do século 21', diz cartaz nas mãos de partidários de Hugo Chávez após sua morte (05/03). Foto: ReutersVenezuelanos choram após o anúncio da morte do presidente Hugo Chávez em Caracas (05/03). Foto: ReutersVenezuela chora ao saber da morte de Hugo Chávez, anunciada pelo vice-presidente em Caracas (05/03). Foto: ReutersVenezuelanos cantam após o anúncio da morte de Chávez (05/03). Foto: APMulher chora na frente do hospital militar em Caracas onde Hugo Chávez morreu (05/03). Foto: APVenezuelanas se abraçam e choram do lado de fora do hospital militar onde Chávez estava internado (05/03). Foto: APAlguns escolheram andar com motos por Caracas empunhando bandeiras, para homenagear Hugo Chávez (05/03). Foto: ReutersMulheres choram e se abraçam após o anúncio da morte de Chávez pelo vice Nicolas Maduro (05/03). Foto: APPartidários de Hugo Chávez reagem ao anúncio de sua morte, feito em Caracas (05/03). Foto: APHomens reagem à notícia da morte de Chávez em Caracas (05/03). Foto: ReutersApoiadoras de Chávez se abraçam ao receber as notícias de sua morte (05/03). Foto: AP

Essa foi pelo menos a segunda vez que Maduro fez comentários na televisão sobre como controlar Capriles durante viagens ao exterior. No início de fevereiro, ele mencionou a visita de Capriles à Colômbia, criticando-o por ter-se encontrado com o ex-primeiro-ministro espanhol Felipe González.

Os registros de imóveis em Nova York mostraram que Alexandra, irmã de Capriles, e seu marido compraram um apartamento no prédio na Rua 85 East em 2011 por US$ 4,1 milhões.

Leia: Maior controle do petróleo e distribuição de renda marcam economia da era Chávez

Um apartamento adjacente é de propriedade de uma empresa cujos registros do Estado de Nova York indicam ter como presidente Monica de Capriles, que é o nome da mãe do governador de Miranda. O imóvel foi comprado por US$ 2,7 milhões em 2009. No domingo, Capriles disse que não estava ciente de qualquer ligação entre sua mãe e a propriedade em questão.

Por William Neuman

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