Governo Obama busca grandes doadores para cumprir agenda do segundo mandato

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Equipe de presidente circula pelos EUA para tentar arrecadar US$ 50 milhões para converter sua campanha de reeleição em uma das maiores operações de lobby de Washington

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A equipe de política do presidente Barack Obama circula por todo o país em busca de uma meta ambiciosa: arrecadar US$ 50 milhões para converter sua campanha de reeleição em uma potencial rede nacional, uma soma que tornaria o novo grupo em uma das maiores operações de lobby de Washington.

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New York Times
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Mas a campanha renovada, conhecida como Organizing for Action (“Organizando pela Ação”, em tradução livre), levou o presidente e seus assessores a um limbo de financiamento de campanha com poucas regras claras, amplo potencial para tráfico de influência e nenhum precedente real na política nacional.

Em reuniões e telefonemas privados, assessores de Obama deixaram claro que a nova organização dependerá muito de um pequeno número de doadores com poder financeiro, diferente dos Super PACs (Comitês de Ação Política, na sigla em inglês), cuja influência sobre as campanhas políticas Obama anteriormente criticou.

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Pelo menos metade do Orçamento do grupo virá de um seleto grupo de doadores que vão contribuir ou arrecadar US$ 500 mil ou mais, de acordo com os doadores e estrategistas envolvidos no esforço.

Ao contrário de uma campanha presidencial, o Organizing for Action foi criado como um "grupo de bem-estar social" isento de impostos. Isso significa que não está vinculado a limites de contribuição federais, a leis que impedem funcionários da Casa Branca de solicitar contribuições ou a requisitos rigorosos de informação para campanhas. Em vez de tudo isso, o novo grupo poderá se autorregular.

O dinheiro pagará salários, aluguel e publicidade e também será usado para fazer a manutenção do banco de dados dos eleitores e manter a infraestrutura tecnológica que entrelaça 2 milhões de voluntários de Obama, 17 milhões de assinantes de e-mail e 22 milhões de seguidores no Twitter.

A nova organização de Obama atraiu críticas no fim de fevereiro de grupos de monitoramento que a enxergam como um distanciamento da regulação mais rígida que a campanha de Obama uma vez defendeu. Nos últimos dois anos, ele mudou de opinião em relação a diversas questões financeiras de sua campanha ao aceitar a criação de uma comissão Super PAC por ex-assessores e de aceitar grandes contribuições corporativas para sua festa de posse.

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Muitas organizações tradicionais, incluindo o Sierra Club e a Associação Nacional do Rifle, são definidas como grupos de bem-estar social, ou 501 (c) (4)s no jargão fiscal. Mas, ao contrário desses grupos, a organização de Obama parece ser uma extensão de seu governo, tripulada por ex-membros da Casa Branca de Obama e de equipes de campanha dedicados exclusivamente à agenda do segundo mandato do presidente.

O Organizing for Action prometeu ficar longe da política eleitoral, ao contrário dos grupos politicamente ativos sem fins lucrativos como o Crossroads Grassroots Policy Strategies and Americans for Prosperity. Tais grupos gastaram centenas de milhões de dólares em publicidade durante o mais recente período de campanha eleitoral, atraindo uma onda de ações judiciais, reclamações éticas por parte de grupos de monitoramento de campanha e críticas de Obama.

Mas pode ser difícil para o Organizing for Action manter a distinção entre campanhas e defesa de um tema no prelúdio das eleições de 2014, especialmente se continuar enfatizando sua atenção em pressionar os legisladores sobre questões delicadas, como a imigração e armas.

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Em uma reunião em 20 de fevereiro, Jon Carson, o novo diretor executivo da organização, disse que o grupo esperava formar parcerias com outros grupos 501 (c) (4)s de esquerda, incluindo Votos da América, que foi o centro dos esforços democratas para derrotar o presidente George W. Bush em 2004 e agora serve como um coordenador para organizações de defesa progressistas.

Ele também afirmou que gostaria de montar uma ação para ser um contrapeso às organizações de base à direita, como a Associação Nacional do Rifle, de acordo com participantes do encontro.

Por Nicholas Confessore

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