Cidade de Atlanta quer transformar antiga ferrovia em lazer para seus cidadãos

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ATrilha da Zona Leste faz parte de proposta ambiciosa em construção desde 2000: transformar 35 km de ferrovias cobertas por mato em parques, habitação e transporte público

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New York Times
Ryan Gravel (C), que concebeu a ideia do projeto da Atlanta BeltLine como parte de sua tese de mestrado, é visto em parte do projeto em Atlanta (12/01)

Até o ano passado, os antigos trilhos de trem que atravessam o leste da cidade de Atlanta, no Estado americano da Geórgia, estavam abandonados e cobertos por garrafas quebradas e sacos plásticos.

Mas recentemente esse corredor de 3 quilômetros está repleto de corredores, ciclistas e pedestres. Condomínios estão sendo construídos ao longo de uma trilha cheia de árvores, e também há planos para que um bonde circule na região.

O Eastside Trail (Trilha da Zona Leste, em tradução literal), como o caminho é conhecido, é uma das primeiras ideias de uma proposta ambiciosa que está em obras desde o início de 2000 - transformar 35 quilômetros de ferrovias cobertas por mato em parques, habitação e transporte público para Atlanta.

"Estamos transformando Atlanta em uma cidade onde as pessoas poderão desfrutar de caminhadas e passeios de bicicleta", disse o prefeito Kasim Reed. "Sempre dependemos de automóveis para fazer tudo e acabamos não conhecendo a cidade de uma maneira mais intimista."

Mas a trilha é apenas o começo. E, embora alguns reforços cívicos, incluindo Reed, queiram acelerar o ritmo das construções (ele gostaria que a ciclovia estivesse toda pavimentada e os bondes instalados dentro de uma década), o cumprimento do grande plano, chamado de Atlanta Beltline (Cinturão de Atlanta, em tradução literal), está longe de ser completado.

Inúmeros obstáculos permanecem - como a compra de terras e a limpeza da região dos trilhos. Mas o maior desafio é o financiamento. A cidade e uma série de organizações sem fins lucrativos arrecadaram US$ 350 milhões por meio de doações privadas e impostos de propriedade para o projeto de US$ 2,8 bilhões.

Os eleitores no ano passado rejeitaram a proposta de um centavo de imposto sobre vendas que teria arrecadado US$ 600 milhões. E um imposto sobre a propriedade especial criado em 2005 forneceu menos receitas do que o esperado antes do colapso do mercado.

Na semana passada, a Suprema Corte estadual ouviu os argumentos de um grupo de contribuintes que disseram que impostos escolares foram gastos inconstitucionalmente para pagar parte do Cinturão de Atlanta.

Os críticos solicitaram que o projeto fosse deixado de lado. O maior desafio sobre o tráfego da cidade, argumentaram, não será resolvido ao embelezar os bairros da cidade, e sim reduzindo o impasse dos subúrbios.

"O Cinturão de Atlanta não chegará aonde as pessoas querem ou precisam que chegue", disse Michael Dobbins, um professor de arquitetura do Instituto de Tecnologia da Geórgia, que estudou a viabilidade do projeto. "Os parques e trilhas são grandes, mas não faz sentido adicionar bondes enquanto o tráfego em outro lugar continua ruim, especialmente durante essa economia."

O Cinturão de Atlanta ligará 45 bairros. O caminho de 4 metros de largura abrangerá partes ricas e pobres de Atlanta, passando através de áreas urbanas densas e florestas exuberantes.

A ideia começou humilde, como uma tese de pós-graduação na Georgia Tech. Em 1999, o estudante Ryan Gravel propôs uma revisão do corredor ferroviário. Ele pensou que seu estudo de 120 páginas ficaria esquecido na biblioteca do campus.

Mas em vez disso a vereadora Cathy Woolard, que mais tarde tornou-se presidente do conselho, ficou sabendo da proposta e gostou. Ela forjou uma improvável coalizão de ambientalistas, autoridades de trânsito, artistas locais e promotores imobiliários. A cidade começou a comprar o corredor ferroviário em 2007.

"As pessoas querem viver em uma cidade onde o projeto faça sentido", disse Gravel. "Não basta apenas mudar a forma física da cidade. Temos de mudar a maneira como pensamos da cidade."

Construção ao longo da Trilha na Zona Leste da cidade tem aumentado. O maior projeto imobiliário é de 1,8 milhão de metros quadrados, ex-centro de distribuição da Sears que está sendo convertido em apartamentos, restaurantes e um local para praticar o minigolfe.

Skip Engelbrecht é dono de uma loja de móveis antigos, a Paris on Ponce, que fica de costas para a trilha na zona leste da cidade. Ele disse que seu negócio melhorou dez vezes nos últimos dois anos desde que a trilha foi aberta.

"É irreal. Costumávamos nos preocupar com as pessoas sem-teto que ficavam no local e hoje é um calçadão movimentado e bonito”, disse. "Estamos planejando uma nova entrada na parte de trás da loja, e talvez até mesmo um café. É difícil imaginar que antigamente toda esta região era uma antiga ferrovia."

Por Robbie Brown

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