Castel Gandolfo será lar de Bento 16 por dois meses

Por NYT | - Atualizada às

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Pequena cidade perto de Roma dá abrigo ao primeiro 'papa emérito' em 600 anos; Bento 16 chegará na cidade nesta quinta-feira, seu último dia no pontificado

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A pequena cidade de Castel Gandolfo, nos arredores de Roma, recebeu, na tarde desta quinta-feira (28), um convidado de honra: o papa Bento 16, que começará sua nova vida como "papa emérito", um dos títulos pelos quais será conhecido.

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Jardins das vilas pontifícias de Castel Gandolfo, na Itália, onde Bento 16 passará dois meses após renúncia


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Autoridades da prefeitura querem uma empolgante – até onde for possível, considerando que é um evento eclesiástico - festa de boas vindas, com sinos tocando, tochas processionais e distribuição de santinhos de papel com o semblante do papa em um lado e uma oração no verso.

"Queremos expressar afeto e a solidariedade por uma escolha que nos deixou perplexos", disse o reverendo Pietro Diletti, o pároco da igreja de San Tommaso di Villanova, onde o papa celebra tradicionalmente uma missa todo dia 15 de agosto, o dia de festa da Assunção da Virgem Maria.

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O papa deverá passar cerca de dois meses na cidade, à medida que espera pela restauração de alojamentos permanentes em um convento dentro do Vaticano, onde viverá "escondido do mundo", como ele mesmo disse. À medida que o Colégio de Cardeais começará a se reunir na próxima semana antes de um conclave para escolher o sucessor de Bento 16, a passagem do papa em Castel Gandolfo, localizado a cerca de 15 km ao sudeste da cidade do Vaticano, é uma garantia adicional de que ele não exercerá qualquer influência indevida no processo de seleção.

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Durante quase 400 anos, a cidade de Castel Gandolfo tem sido palco de uma sucessão de pontífices que buscam consolo durante o sufocante verão romano. As vilas pontifícias de Castel Gandolfo cobrem uma faixa em forma de triângulo da cidade, em um total de cerca de 54 hectares. Uma fazenda da região produz frutas, vegetais, óleo, ovos e laticínios para a cozinha do papa - tanto na cidade quanto para o Vaticano. Embora as moradias estejam sob jurisdição pontifícia e muros altos e portões de entrada impeçam contato com pessoas de fora, há considerável interação com a cidade.

"Formalmente temos dois Estados, mas na verdade é tudo uma comunidade", disse o prefeito, Milvia Monachesi, observando que alguns dos seus 9 mil moradores trabalharam para as moradias papais, principalmente cuidando de jardins.

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Como outras cidades da serra de Alban, Castel Gandolfo é um destino popular durante todo o ano para os romanos que procuram escapar do caos da capital. "Mas quando o papa vem para a cidade, ela se torna o centro do mundo", disse Monachesi, com uma onda de peregrinos, turistas e uma vista ocasional do chefe de Estado junto com a comitiva que o acompanha. "Nós somos uma cidade pequena, mas também somos internacionais".

Era natural que Bento 16 quisesse voltar para "um lugar que amava", disse o prefeito. Uma placa do lado de fora da prefeitura cita uma frase do próprio papa em 2011: "Aqui eu encontro tudo. Montanhas, um lago, e eu até posso ver o mar. E as pessoas boas. "

O papa chegou na cidade em um helicóptero nesta quinta-feira (28), nas horas finais do seu pontificado, que termina às 20h de Roma (16h de Brasília).

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"Simbolicamente, naquele momento, os portões do palácio serão fechados e os guardas suíços irão embora", disse o reverendo Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, em uma entrevista coletiva na terça-feira, 26 de fevereiro, falando das forças armadas que têm servido como guarda-costas papais desde 1506. A polícia do Vaticano assumirá a proteção do ex-pontífice.

O papa residirá em seu apartamento de verão na cidade com seus dois secretários e quatro memores, mulheres da comunidade Memores Domini que cuidam dele, disse Saverio Petrillo, o diretor das Vilas Pontifícias de Castel Gandolfo. O ambiente intimista "permitirá uma vida mais familiar", disse.

Anna Maria Vici Torrigiani, cuja loja faz batinas e decorações da igreja, no ano passado, apresentou ao papa um ícone da Virgem Maria sobre um fundo que retrata o Lago Albano e Castel Gandolfo. "Eu espero que ele leve consigo o ícone quando partir para o convento no Vaticano", disse. "Levando em consideração que não será capaz de ter mais contato com o mundo, eu espero que ele leve um pouco de Castel Gandolfo com ele."

Entrada do palácio papal na praça da Liberdade em Castel Gandolfo, na Itália
. Foto: NYTPorteiro trabalha no palácio papal em Castel Gandolfo, Itália. Foto: NYTSaverio Petrillo, diretor das vilas pontifícias de Castel Gandolfo, faz um tour com jornalistas na sala de Bento 16, no palácio papal. Foto: NYT

Por Elisabetta Povoledo

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