EUA podem reconsiderar armar rebeldes sírios enquanto Assad se agarra ao poder

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No ano passado, Obama rejeitou medida com temor de que armamento caísse em mãos erradas, mas ela pode voltar à discussão para tentar acelerar queda de líder sírio

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Quando rejeitou a proposta de quatro de suas autoridades de alto escalão de Segurança Nacional que queriam armar os rebeldes na Síria no ano passado, o presidente Barack Obama pôs fim a um debate de vários meses sobre quão agressivamente Washington deveria reagir ao conflito que deixou quase 70 mil mortos.

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Membro do Exército Livre da Síria aponta sua arma durante o que opositores dizem ser confrontos contra forças de Assad em Aleppo (26/02)

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Mas a decisão também deixou a Casa Branca sem uma estratégia clara para resolver uma crise que a tem atormentado desde que uma revolta popular eclodiu contra o presidente Bashar al-Assad há quase dois anos. Apesar de um programa americano de assistência não letal para os opositores do governo sírio e de US$ 365 milhões em ajuda humanitária, Obama parece estar ficando sem alternativas para acelerar a saída de Assad.

Com as condições piorando cada vez mais, segundo as autoridades, o presidente poderia reabrir o debate sobre o fornecimento de armas para selecionar os membros da resistência, em um esforço para romper com o impasse na Síria. A questão é se Obama, cercado por uma nova equipe de Segurança Nacional, conseguirá chegar a uma conclusão diferente.

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"Essa não é uma decisão final", disse uma autoridade de alto escalão do governo Obama. "À medida que a situação evoluir, que nossa confiança aumentar, poderemos revisitá-la."

Segundo as autoridades, a decisão de Obama de não fornecer as armas quando a proposta foi abordada antes da eleição de novembro foi impulsionada por sua relutância em entrar em uma guerra indiretamente e por seu medo de que as armas acabariam nas mãos de unidades não confiáveis, podendo ser utilizadas contra civis ou contra os interesses israelenses e americanos.

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No entanto, à medida que os EUA reavaliam sua política, Assad não demonstrou nenhum sinal de que está pronto para ceder o poder, e a resistência da Síria tem sido inflexível ao rejeitar negociar uma transição na qual ele exerça qualquer influência.

Mesmo se Assad for deposto, a convulsão poderia fragmentar a Síria ao longo de linhas sectárias e étnicas, cada uma apoiada por potências estrangeiras concorrentes, disse Paul Salem, que administra o escritório de Oriente Médio do Fundo Carnegie para a Paz Internacional. "A Síria", disse, "está no processo não de transição, mas de desintegração".

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No dia 11, os ministros da União Europeia rejeitaram facilitar a estrangeiros uma moratória de armas apesar das objeções por parte do Reino Unido. No que parece ser um compromisso, os ministros concordaram em "fornecer mais apoio não letal e assistência técnica para a proteção de civis", segundo o site da UE.

Embora a Casa Branca tenha se concentrado nos riscos de fornecer armas, outras nações não apresentaram tais reservas. A Rússia continuou fornecendo armas e apoio financeiro ao governo de Assad. O Irã tem fornecido ao governo armas e assessores paramilitares da Força Quds. O Hezbollah enviou militantes para a Síria para ajudar as forças de Assad. Por outro lado, os combatentes antigoverno filiados à Al-Qaeda têm recebido ajuda financeira e outros tipos de apoio de seus aliados no Oriente Médio.

Reuters
Membros de um grupo islâmico seguram suas armas durante protesto contra regime de Assad em Deir el-Zor (25/02)

A grande questão é se a composição da nova equipe de Obama desencorajaria uma mudança política importante. O secretário de Estado John Kerry antecipou que pretendia avançar com sua intenção de mudar a situação durante sua primeira viagem internacional - que está em andamento neste mês -, indicando que uma de suas ideias é solicitar uma maior colaboração do Kremlin.

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Mas ainda não se sabe se os russos serão flexíveis em relação à sua posição. Em uma conversa por telefone, Kerry e Serguei Lavrov, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, discutiram como Washington e Moscou poderiam encorajar uma transição política na Síria e disseram que tentariam se encontrar nas próximas semanas, disse Victoria Nuland, porta-voz do Departamento de Estado.

Outras ideias em análise incluem como os fundos do Departamento de Estado poderiam ser usados para ampliar o apoio à oposição síria. Diante de tudo isso, no entanto, encontra-se a triste realidade de que Assad não parece demonstrar nenhum sinal de que deixará o poder tão cedo.

Mesmo com todo cuidado tomado por Obama, a Casa Branca disse manter todas opções sobre a mesa, com autoridades apontando que, no decorrer do tempo, estão aprendendo cada vez mais sobre as facções rebeldes.

"Temos considerado todos elementos da nossa política sobre a Síria, incluindo o que podemos e deveríamos fornecer à oposição", disse Benjamin J. Rhodes, um assessor de segurança nacional.

Por Mark Landler e Michael R. Gordon

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