Rede de TV americana explora violência armada após ataque em Newtown

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Uma série de programas no canal PBS dos EUA, intitulado 'Depois de Newtown', faz um exame detalhado do problema das armas no país e tentar delinear possíveis soluções

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A programação nacional da rede de televisão americana PBS é planejada com bastante antecedência e geralmente sujeita a pequenos ajustes. Por causa disso, a série de uma semana intitulada "Depois de Newtown", no ar dois meses depois do massacre na escola Sandy Hook, em Newtown, Connecticut, representou um esforço maior para as equipes de reportagem e produção, em uma emissora mais acostumada a trabalhar de forma bem mais devagar.

É difícil imaginar um programa ambicioso sobre a violência armada em qualquer outro canal na televisão aberta. Ele nunca seria possível devido a grande quantidade de comerciais. Ou seja, um grande número de redes de televisão poderiam fazer algo assim, mas a PBS é provavelmente a única que estaria disposta a se arriscar.

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Trecho do documentários 'Guns in America', veiculado pela rede de televisão PBS


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Resta saber se a programação - que inclui quadros no "PBS NewsHour", que começou em 18 de fevereiro, e vai abranger episódios dos programas "Frontline" e "Nova", bem como dois novos documentários, "Guns in America" ("Armas na América") e "The Path to Violence" ("O caminho para a violência") - valeu a pena. Com base nos quatro programas principais disponíveis para análise, a resposta foi positiva.

Os programas se sobrepõem e variam em qualidade e abrangência para que a série como um todo não pareça como o produto de uma rede de notícias unificada. Em um nível mais concreto, os telespectadores poderão perguntar por que três dos programas se concentram no comportamento e química do cérebro, em vez das armas.

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Isso faz com que você se pergunte sobre a força vontade editorial (cerca de 10% do financiamento da PBS vem do governo federal) e a astúcia editorial. Por que enfatizar os problemas psicológicos enquanto o debate nacional está centrado no controle de armas? - ao menos um quadro do noticiário "NewHour", bem como o "Washington Week with Gwen Ifill" abordou o controle de armas diretamente.

Quaisquer dúvidas não serão respondidas pelo documentário "Guns in America". Um exercício polido em neutralidade de bom gosto, que varia entre temas sobre o controle de armas e defensores dos direitos de armas, deixando seus argumentos não examinados enquanto estabelece a história do papel das armas de fogo na vida americana, começando com os tempos coloniais.

No final, o caso da posse de armas sem limites é feita de maneira mais vívida, se não mais substancial - seus proponentes incluem David Keene, presidente da Associação Nacional do Rifle, e Cody Wilson, que incentiva a fabricação caseira de fuzis AR-15, utilizando impressoras digitais em 3D - enquanto as vozes de advertência tendem a pertencer aos historiadores e autoridades policiais, que falam com uma reserva inerente.

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O lobby das armas também vence a batalha das imagens: cenas de caçadores e atiradores desportivos em campos e florestas verdes apoiam a posse de armas, enquanto cenas das ruas violentas de Chicago procuram argumentar pela regulamentação ou pela necessidade de possuir uma arma para auto-defesa. No entanto, pode até mesmo haver um vislumbre de intenção divina liberal sob o tratamento de Jim Supica, diretor do Museu Nacional de Armas de Fogo, cujas apresentações de mosquetes e pistolas têm um efeito inesperadamente cômico.

O foco muda para a psicologia no episódio de "Frontline", "Raising Adam Lanza", que segue dois repórteres do Hartford Courant à medida que eles investigam a relação entre Lanza, o atirador de Newtown, e sua mãe, Nancy, que foi a primeira de suas 27 vítimas. Apesar de algumas teorizações perigosamente especulativas sobre a família Lanza - o programa tem a vantagem de fornecer novas informações sobre a mãe e filho - com relatos de vários conhecidos que não tinham se manifestado anteriormente em público.

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No entanto, os novos detalhes não são conclusivos, e não estamos mais perto de obter uma resposta dos motivos por trás do ato de Adam Lanza, embora o programa indiretamente flutue sobre uma teoria de que a sua aversão à mudança pode ter sido agravada por uma possível proposta para estudar em uma faculdade fora do Estado.

O episódio de "Nova", "A mente de um assassino", e o documentário "The Path to Violence" são amplos relatórios médicos e psicológicos que não tratam diretamente sobre o tiroteio de Newtown. "Nova" começa perguntando se a química e a arquitetura do cérebro poderiam estar ligadas ao comportamento violento em jovens - com a resposta sendo "provavelmente" - antes de falar sobre a natureza versus criação - modelos para predizer a violência e relatos de depressão e psicopatia entre os meninos.

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O foco indefinido é frustrante, mas os quadros individuais são bastante interessantes.

O documentário final, "The Path to Violence", tem uma tendência de seguir o caminho para soluções corporativas. Tomando como ponto de partida um estudo de ataques frustrados a escolas - o programa afirma que tiveram mais de 120 casos parecidos na última década - ele fala com especialistas em "avaliação de risco" sobre as maneiras na quais as escolas poderiam ser mais seguras sem interferir demais com as liberdades civis.

Por Mike Hale

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