Bronx pode se tornar um novo destino turístico em Nova York

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Hotel de luxo chegou ao bairro, que tem sido visto com outros olhos pelos empresários graças aos preços relativamente baixos de seus imóveis

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Toques de luxo, como televisores de tela plana e toalhas de mão enroladas no formato de cisnes aguardam hóspedes em cada um dos quartos deste estabelecimento. No final do corredor, há um piano de cauda para as noites na sala de estar, uma biblioteca com painéis de carvalho com uma lareira de mármore, e não apenas um, mas três salões de festas que lembram os tempos áureos desta mansão no estilo do Renascimento italiano. Mas talvez a característica mais surpreendente desse hotel boutique seja sua vista para o Bronx, Nova York.

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Marcia Fingal, diretora de marketing do Conselho de Cidadãos do Bronx, é uma das donas do Andrew Freedman Hotel


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O Andrew Freedman, um marco em homenagem ao filantropo que o encomendou, foi reinventado em dezembro como um hotel de luxo com 10 quartos, com diárias entre US$ 130 e US$ 250 para uma noite de estada no centro de um bairro que é mais conhecido por sua pobreza e crime do que pelo turismo.

E embora tenha passado por dificuldades em atrair clientes, é parte de uma safra de novos hotéis previstos para serem abertos no Bronx nos próximos anos que visam trazer o estilo e conforto de Manhattan a preços mais baixos para uma região da cidade que muitos visitantes têm historicamente negligenciado e até mesmo evitado.

O Empire Hotel Group, que opera sete hotéis em Manhattan, está focando seus esforços no sul do Bronx com a transformação de US$ 10 milhões de uma histórica casa de ópera em um hotel com 60 quartos com piso de mosaicos e um mezanino que servirá café da manhã, chá da tarde e café. O Marriott abrirá uma unidade no Bronx no próximo ano com um Residence Inn em um complexo comercial em construção na área da Baía de Pelham.

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Os hotéis de luxo são o exemplo mais notável de um esforço realizado por oficiais da prefeitura do Bronx, ativistas comunitários e moradores para tentar melhorar seu bairro. Assim, uma paisagem urbana que possuía edifícios abandonados na década de 1970 está sendo lentamente transformada com a construção de complexo de apartamentos no sul do Bronx e um campo de golfe de Donald Trump no Ferry Point Park na esperança de que estes desenvolvimentos tornarão o Bronx o próximo destino turístico.

O Bronx seguiu o exemplo de outras áreas urbanas que também passaram por dificuldades, incluindo Buffalo, Nova York, e Detroit, que buscaram revitalizar sua região com novos hotéis e centros de convenções, muitas vezes com sucesso limitado a longo prazo. Ainda assim, os líderes locais adotaram os novos hotéis como um sinal de sorte para melhorar seu bairro – e também na esperança de gerar empregos. Hoje existem 14 alojamentos no Bronx - contra apenas dois em 2006 - em comparação com 341 em Manhattan, 90 no Queens, 52 no Brooklyn, e nove em Staten Island, de acordo com a NYC & Co., o braço do marketing e turismo da cidade. (Um dos hotéis no Bronx, do Howard Johnson Express Inn, chegou a aparecer no noticiário no ano passado, quando uma turista foi perseguida e estuprada por um homem que encontrou no metrô em Manhattan).

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Desenvolvedores disseram que já começaram a olhar para o Bronx de uma maneira diferente devido ao preço relativamente baixo de seus imóveis, a disponibilidade de grandes sites comerciais, a acessibilidade ao metrô, e a rica história cultural, entre outros fatores. Alguns hotéis esperam atrair turistas que não podem pagar os preços robustos dos quartos de hotel em Manhattan, enquanto outros são destinados aos fãs do Yankees e aqueles que vão até o Bronx para visitar os hospitais e faculdades locais.

Douglas Brookman, que está supervisionando o projeto no Bronx Ópera House Hotel, disse que celebridades como Harry Houdini, George Burns e os Irmãos Marx, uma vez se apresentaram no edifício na rua Oriente 149. O hotel será aberto em abril, com 28 m² de quartos com paredes à prova de som e janelas, mobiliário personalizado, microondas e geladeiras pequenas. As diárias começam em torno de US$ 130 por noite.

Brookman disse que o hotel deverá contratar pelo menos 20 funcionários, dando preferência aos residentes do Bronx. "Realmente acreditamos no Bronx, acreditamos na direção na qual está indo", disse Brookman. "Queremos ser os precursores em trazer mais movimento para esta área."

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Os hotéis têm provocado um certo ressentimento entre os moradores pobres e desempregados que dizem que os estabelecimentos fazem pouco para resolver os problemas mais urgentes de suas vidas, como a falta de habitação a preços acessíveis, e se preocupam que eles são arautos de gentrificação. "Quem é que vai pagar US$ 130 a noite?", perguntou Natalie Brye, 35, uma dona-de-casa. "Nós somos pobres nesta região. Eu poderia comprar comida com isso. Eu poderia pagar minha conta de televisão a cabo com isso."

Mas os oficiais eleitos, ativistas comunitários e jovens profissionais, muitos dos quais são de Manhattan, afirmaram que o Bronx deverá investir em projetos ambiciosos, como os hotéis e cultivar novas oportunidades, se for para se libertar da pobreza cíclica pela qual o bairro é conhecido.

Ruben Diaz Jr., presidente do bairro do Bronx, está buscando um plano para substituir uma garagem subutilizada perto do Estádio dos Yankees para servir como o primeiro hotel do bairro com serviço completo e centro de conferências. E os desenvolvedores locais propuseram outros projetos, incluindo um hotel boutique ao lado da Avenida Arthur, que é conhecida por restaurantes italianos e supermercados.

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Cisne feito de toalha enfeita quarto de hóspede em hotel no Bronx, Nova York


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O Andrew Freedman está no Grand Concourse, uma ampla avenida alinhada com elegantes apartamentos que já começaram a atrair algumas famílias de classe média nos últimos anos. A mansão é propriedade do Centro do Conselho do Cidadãos Idosos, uma organização de desenvolvimento comunitário que espera transformar o hotel em um campo de treinamento para os estudantes locais que buscam carreiras em hospitalidade.

"Há uma transformação acontecendo no Bronx, e queremos fazer parte dela", disse Marcia Fingal, diretora de marketing para o conselho. "Não é mais aquele velho lugar abandonado. Isso ficou no passado."

Por Winnie Hu

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