Nos EUA, cultura da Força Aérea pode estar por trás de casos de abuso sexual

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Maioria das recrutas mulheres não denunciam casos de assédio por temer represálias; instrutores usavam seu poder para se aproveitar de alunas na Força Aérea

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Uma fraca estrutura de comando e um clima de medo entre as oficiais do sexo feminino foram responsáveis pelas condições que levaram a situações generalizadas de agressão sexual de recrutas por seus instrutores na Base Aérea de Lackland, no Texas, afirmaram comandantes sênior da Força Aérea americana.

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Na véspera de o Pentágono fazer um comunicado anunciando o banimento da proibição das mulheres em combate, o general Mark A. Welsh III, chefe da Força Aérea, disse ao Comitê das Forças Armadas da Câmara que houve pouca supervisão dos istrutores em Lackland, e reconheceu que foram desenvolvidas "fraquezas em cada uma de nossas estruturas institucionais" que levaram os instrutores a acreditar que poderiam se livrar facilmente da culpa de ter abusado de jovens recrutas. 

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Mulheres no Exército americano geralmente não reportam casos de assédio por temerem represálias

O caso de Lackland, envolvendo 32 professores que abusaram de seu poder com cerca de 59 recrutas, é um dos maiores escândalos sexuais nas Forças Armadas desde o episódio de Tailhook do início dos anos 1990 e ocorreu em um momento no qual problemas de agressão sexual, assédio e abuso tornaram-se questões importantes para os militares.

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No ano passado, o secretário de Defesa LeonPanetta reconheceu que o número de agressões sexuais nas Forças Armadas era provavelmente muito maior do que as estatísticas oficiais mostravam.

Pelo menos dois dos instrutores em Lackland supostamente tiveram relações sexuais com dez recrutas diferentes cada. Os instrutores se aproveitaram de recrutas adolescentes recém ingressas na Força Aérea e que haviam recebido ordens para obedecer seus instrutores. Em alguns casos, as recrutas foram ordenadas por instrutores para entrarem em um armário, onde então foram molestadas.

Welsh disse que o maior problema enfrentado pelos militares ao lidar com agressões e abusos sexuais tem sido a relutância das mulheres em denunciar casos de assédio por medo de represálias. O general Edward Rice Jr., comandante de Educação e Treinamento Aéreo, disse ao comitê que apenas "algumas" das 59 vítimas tinham se manifestado para denunciar as agressões.

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"Por que será que evitam se manifestar em uma situação como essas?", questionou Welsh. "Esse é o problema. As pessoas não se sentem confortáveis em manifestar suas queixas e não estão acostumadas a denunciar alguém por agressão sexual ou assédio sexual, e isso é um dos maiores problemas que temos".

Tanto Welsh quanto Rice reconheceram que um dos problemas é que os comandantes da Força Aérea possuem o poder de decidir se incluirão incidentes de assédio sexual no histórico de oficiais da Força Aérea. Eles disseram ser possível que pessoas fossem transferidas de uma base para outra sem qualquer registro de casos de assédio sexual em seus históricos.

A audiência do fim de janeiro ocorreu após o levantamento de uma petição com 10 mil assinaturas exigindo que o Congresso examinasse os incidentes de Lackland e de um anúncio na semana passada pela Força Aérea que havia acabado de completar uma inspeção de todas suas bases que encontraram evidência generalizada de que houvesse pornografia e outros materiais inadequados.

"A Guerra Invisível", um documentário sobre estupro e agressão sexual no Exército, que foi recentemente nomeado para um Oscar na categoria de documentário, foi creditado por ter incentivado mais mulheres a denunciar o abuso e por forçar os militares a lidar mais abertamente com o problema. De acordo com um porta-voz da Força Aérea, em novembro Welsh se reuniu com todos os comandantes da Força Aérea para que assistissem o filme com ele.

Por James Risen

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