Ataque sem mortos na China reacende debate nos EUA sobre armas de fogo

Em Chengping, homem de 36 anos atacou crianças mas não deixou mortos, pois utilizou uma faca como arma, diferentemente de Adam Lanza que fez uso de um rifle em Newtown

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No mesmo dia do massacre em Newtown , Connecticut, outro homem atacou crianças diante de uma escola primária há milhares de quilômetros dali. Este ataque não recebeu tanta atenção quanto o de Connecticut, por isso pode parecer novidade para a maioria do público. Mas ele ocorreu em Chengping, uma vila na região central da China.

Algumas das circunstâncias de ambos atentados são muito semelhantes. O número de vítimas em Chengping, 22 crianças e um adulto, é parecido com as 20 crianças e 6 adultos na matança da escola Sandy Hook. As idades dos estudantes chineses, alguns de 6 anos de idade , eram aproximadamente as mesmas das crianças de Connecticut.

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Crianças aguardam do lado de fora da Escola Elementar Sandy, em Newtown, Connecticut, onde ocorreu o ataque

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No entanto, houve uma enorme diferença. Ao contrário do resultado monstruoso em Newtown, todas as crianças em Chengping sobreviveram. Uma segunda diferença explica a primeira: a arma usada pelo assaltante, um homem de 36 anos de idade, era uma faca.

Claro que facas podem tirar uma vida. Estudantes chineses já foram assassinados em uma onda de ataques a faca como este. Mas a contagem de corpos não foi nada parecida com a do massacre causado pelo atirador de Sandy Hook, Adam Lanza , e por outros assassinos em massa que cada vez mais se proliferam pelo país, armados com rifles de assalto e pistolas semi-automáticas, capazes de disparar vários projéteis em alta velocidade.

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Com uma faca, é possível matar apenas uma pessoa por vez. Com o armamento militar que é facilmente disponibilizado no país, as possibilidades para uma chacina são inúmeras.

Esse fato elementar esteve presente no coração da mensagem divulgadas pelo prefeito Michael  Bloomberg, que se tornou uma figura central no controle de armas de defesa, além de ser um dos inimigos principais da Associação Nacional de Rifles , um papel que abraça com orgulho.

Não há como negar a justiça com que o prefeito traz a esta questão - considerada por ele e muitos outros, considera a peça chave para a segurança nacional. Em aparições públicas nos últimos dois dias, ele não mencionou o incidente em Chengping como uma referência, mas expôs algumas lições extraídas do massacre.

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Elas são importantes:

Nunca iremos acabar com assassinatos. Nunca iremos conseguir acabar com surtos de insanidade. Mas o mínimo que um país civilizado pode fazer é limitar o número de mortos, até mesmo tornar mais difícil para uma pessoa transformar uma sala de aula ou uma casa de culto ou um shopping center em um local para chacinas.

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O prefeito afirmou que nenhuma outra nação industrializada permite que os seus cidadãos guardem armas e munições que "possam ser usadas para matar um grande número de pessoas rapidamente." Enquanto a Segunda Emenda garante o direito de "manter e portar armas", ela não garante o direito de guardar e portar armas devastadoras, capazes de infligir mortes em massa e destinadas principalmente para os militares em um campo de batalha.

Na segunda-feira, dia 17 de dezembro, Bloomberg intensificou sua exigência para que o presidente Obama e o Congresso parassem de falar sobre o quão terrível é a violência e começassem a fazer algo para lidar com as armas de assalto e com o tráfico de armas.

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Em seu cargo como co-presidente dos Autarcas Contra Armas Ilegais (junto do prefeito Thomas Menino, de Boston), Bloomberg anunciou uma campanha chamada Eu exijo um plano. Seu núcleo emocional é uma série de vídeos, preparados antes do massacre de Newtown, com 34 sobreviventes de violência por armas de fogo ou parentes das vítimas que falavam sobre sua dor e apelavam para uma ação federal.

Alguns deles estavam entre as 45 pessoas que acompanhavam Bloomberg em uma coletiva de imprensa que ocorreu na Prefeitura. Eles formaram um quórum, levando consigo as cicatrizes de horrores cujo locais estão gravados para sempre na história americana: Virginia Tech, Tucson, Aurora, Oak Creek.

Entre elas estava Mary Reed, baleada três vezes pelo atirador que deixou seis mortos e feriu gravemente a deputada Gabrielle Giffords perto de Tucson, no Arizona, em janeiro de 2011. Ela ainda tem uma bala alojada nas costas por ter se jogado em cima de sua filha adolescente, Emma, para protegê-la.

"Nós somos uma comunidade de pessoas cuja união foi causada por algo ruim", disse Reed sobre o grupo que estava com o prefeito. "Mas é uma comunidade de coração e alma. Somos uma família agora. Nós passamos por um momento muito marcante."

Tudo o que ela queria e tudo que o senhor Bloomberg pediu foi para que Washington impusesse algumas restrições de bom senso que poderiam salvar vidas e impedir que outras famílias ingressem no clube daqueles que tiveram que passar por uma situação traumatizante.

Por Clyde Haberman

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