Guerra civil na Síria influencia êxodo cristão no Oriente Médio

Famílias cristãs que fogem da violência e do caos da guerra civil da Síria estão chegando à libanesa Zahle, onde agências religiosas lhes providenciam auxílio

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A cidade libanesa de Zahle fica no alto do vale do Bekaa, na estrada antiga que liga Damasco a Beirute. Para chegar até ela saindo da costa, é preciso passar por uma série de curvas fechadas pela estrada – e a cada minuto é possível avistar a íngreme paisagem serrana.

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Zahle – uma cidade cristã – já passou por momentos sombrios. Ela formou uma linha de frente perigosa à medida que as forças armadas da Síria intervieram na longa e complexa guerra civil do Líbano nos anos 1980.

Em um conflito muito semelhante na década de 1860, a cidade foi incendiada por combatentes drusos e turcos depois que seus defensores cristãos foram derrotados. Civis foram massacrados.

A reconstrução

Hoje em dia, Zahle é um lugar seguro. Famílias cristãs que fogem da violência e do caos da guerra civil da Síria estão chegando à cidade onde agências cristãs lhes providenciam auxílio.

A questão é se serão capazes de voltar para suas casas quando a luta acabar ou se vão se tornar o mais recente capítulo na longa história de como a população cristã do Oriente Médio continua diminuindo.

Por enquanto, os refugiados que conheci no Líbano foram otimistas e disseram que o objetivo é voltar e reconstruir suas vidas. Mas os presságios não são bons.

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Em momentos de crise no Oriente Médio, os cristãos sempre tenderam a partir para construir uma vida mais segura e pacífica em outros lugares – basta levar em consideração a Palestina em 1948 ou o Iraque recentemente.

As estatísticas são impressionantes. Há cerca de cem anos, acredita-se que cerca de um quinto da população do Oriente Médio era cristã, embora seja difícil ter certeza. Atualmente, o número está provavelmente perto dos 5%.

Os cristãos não são mais a maioria no Líbano, que já foi um reduto político e cultural – e eles são ainda uma minoria na cidade palestina de Belém, o local de nascimento de Cristo.

Desprivilegiados

Houve violência anticristã – mais notavelmente no Iraque nos últimos anos. Mas a população cristã está diminuindo em termos estatísticos, em parte porque tem uma taxa de natalidade muito menor do que a população muçulmana. Além disso, ela tem uma alta propensão a emigrar.

Nem todos os cristãos do Oriente Médio são ricos ou bem educados – alguns dos que fugiram da violência no Iraque eram pobres e desfavorecidos. Mesmo no Líbano, que já teve uma maioria cristã, o número tem diminuído.

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Em Beirute conheci Fadi Halisso, um ex-engenheiro católico romano da cidade de Aleppo, ao norte da Síria, que agora estuda para o sacerdócio jesuíta na capital libanesa. Ele disse que os cristãos tendem a querer viver em paz em uma região turbulenta e costumam ir embora assim que a paz é ameaçada.

"Não dá para afirmar que os cristão são alvos de ataques", disse. "No Iraque eles se encontraram no meio de uma guerra, e não acho que foram alvo mais do que quaisquer outros grupos. Em geral, os cristãos não representam um grande número, eles não andam armados e preferem recuar."

Quando perguntei se Halisso sentia qualquer tipo de hostilidade em relação aos cristãos por parte dos muçulmanos ou se a ascensão do islamismo político foi um dos fatores para a diminuição da população cristã, ele disse que os incidentes individuais, como ataques a igrejas em Alexandria ou Bagdá, poderiam ter exercido um efeito desproporcional.

"Não podemos dizer que os muçulmanos são hostis com os cristãos", afirmou. "Existem alguns, mas é claro que, quando você tem algumas pessoas que causam problemas, podem eventualmente afetar toda uma região. Após os ataques da igreja, os cristãos da região se sentiram ameaçados, mesmo que tivesse acontecido em outro país ou longe deles. É uma impressão geral de que não somos mais bem-vindos, mesmo que tenhamos boas relações com nossos vizinhos."

O medo de perseguição

Halisso disse que achava que era inevitável que a população cristã do Oriente Médio continuasse a diminuir por causa de suas características demográficas. O que levanta a questão do que acontecerá com os cristãos que fugiram dos combates na Síria até agora.

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Alguns dos refugiados que conheci no Líbano eram partidários do regime de Assad – acreditando na versão oficial que tem protegido as minorias religiosas – e outros haviam trabalhado ativamente no movimento de oposição para derrubá-lo.

Esses jovens ativistas estão otimistas, acreditando que uma nova Síria tolerante pode, eventualmente, ser construída sobre as ruínas da guerra civil, em que os cristãos e os muçulmanos serão capazes de viver lado a lado.

Por Kevin Connolly

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