Buscas na internet dão pistas sobre curiosidades dos usuários

Sem vergonha do computador, internautas fazem perguntas como 'quando será o fim do mundo?' e 'por que os americanos são gordos?'

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Existem perguntas que são feitas para amigos e familiares. Mas também existem as perguntas para serem feitas à internet.

Os mecanismos de busca há muito tempo têm encontrado pistas sobre os temas preferidos dos usuários. Agora, sites como Google e Bing estão mostrando as perguntas mais pesquisadas, dando a todos a oportunidade de espiar virtualmente as curiosidades particulares de cada um de nós. E eles estão revelando padrões interessantes.

As perguntas mais frequentes incluem: Quando será o fim do mundo? Neil Armstrong é muçulmano? George Washington era homossexual?

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Sistemas de busca dão pistas sobre as curiosidades dos internautas

As perguntas vêm de um recurso que o Google chama de "preenchimento automático" e a Microsoft chama de "autossugestão". Ambos antecipam a probabilidade do que será perguntado baseado em perguntas que outras pessoas fizeram. Basta digitar uma pergunta com uma palavra como "é" ou "era", e os mecanismos de busca começam a preencher o resto.

Pessoas que estudam o comportamento online também disseram que o recurso de preenchimento automático revela padrões mais amplos, incluindo indicações de que as perguntas que as pessoas normalmente pesquisam nos mecanismos de busca muitas vezes lidam com assuntos sensíveis e politicamente incorretos.

"Seu site de busca é o seu melhor amigo, e você conversa com ele sobre tudo, até mesmo sobre coisas que você não pode falar para seus melhores amigos reais", disse Danny Sullivan, editor-chefe do Search Engine Land, um site que atende a indústria de busca. "É uma maneira na qual os mecanismos de busca refletem a sociedade."

Uma categoria de pergunta que surge com frequência no sistema de preenchimento automático é se uma determinada pessoa é homossexual.

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Nick In't Ven, gerente de projetos sênior do mecanismo de busca da Microsoft Bing, disse que as perguntas refletem as curiosidades de seus usuários (e que resultados semelhantes também são encontrados no Google). Ele não soube dizer quantas vezes as pessoas têm de digitar uma pergunta para que ela se torne parte do mecanismo de autopreenchimento, mas disse que, para termos populares únicos, como "Facebook", é por volta dos milhões.

Especialistas em mecanismos de busca disseram que não se pode descartar que o fenômeno é o resultado de algum erro no sistema, mas acrescentaram que isso parece muito improvável.

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In't Ven acrescentou que ele e seus colegas da Microsoft muitas vezes discutiram algumas das perguntas mais diferentes. Há alguns meses atrás, eles se interessou pelas investigações feitas por usuários de pesquisas sobre estereótipos culturais.

Como por exemplo: "por que os americanos são" - e as escolhas de auto preenchimento incluem "gordos", "estúpidos" e "patriotas". Para a palavra “chineses” as opções incluem "magros", "rudes" e "inteligentes." Se o sistema de autopreenchimento é assertivo, então normalmente os usuários que utilizam os mecanismos de buscas regularmente perguntam se os judeus são mais inteligentes e se os negros são melhores atletas.

Em um comunicado, Krisztina Radosavljevic-Szilagyi, porta-voz do Google, escreveu: "As consultas de pesquisa que você vê como parte do autopreenchimento são um reflexo da atividade de pesquisa de todos os usuários da Web". Ela se recusou a dar uma entrevista sobre o sistema de autopreenchimento, mas acrescentou que o Google tenta refletir com precisão a diversidade existente na Internet, seja ela boa ou ruim.

Mas o que poderia explicar esse fascínio aparente com a orientação sexual das pessoas?

Ritch Savin-Williams, professor da Universidade de Cornell que estuda questões homossexuais, disse que a frequência de tais investigações é um sintoma da natureza politizada da homossexualidade. Por exemplo, ele disse que as pessoas que são homossexuais ou que são a favor dos direitos dos homossexuais podem estar procurando por aliados e pessoas simpatizantes, enquanto as pessoas que se opõem a esses direitos podem estar pesquisando o assunto para perseguir alguém, seja um político, atleta ou ator.

"As pessoas estão realizando esse tipo de pesquisa pois querem algo, mas esse algo não quer dizer que o mesmo para todos", disse ele.

Sean Gourley, co-fundador e diretor de tecnologia da Quid, uma empresa de análise de dados, disse que os resultados do autopreenchimento ressaltam o caráter privado das conversas que as pessoas acreditam estar tendo com seus computadores.

"Não estamos sendo julgados por nossos computadores, ou pelo menos não nos sentimos como se estivéssemos sendo julgados", disse ele, acrescentando: "Temos a tendência de fazer perguntas sem nos impor qualquer tipo de barreira."

Por Quentin Hardy e Matt Richtel

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