Obama conquista vantagem sobre premiê ao apoiar Israel apesar de divergências

Em vez de punir Netanyahu por endosso a Romney, presidente manteve ações pró-Israel, fortalecendo posição perante público israelense e para aumentar pressão sobre aliado

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Premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, reúne-se com o presidente dos EUA, Barack Obama, em Washington (05/03)

É possível que a relação turbulenta entre o presidente Barack Obama e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tenha mudado.

Quase um ano depois de Obama ter pedido - e não ter conseguido - o apoio de seu colega israelense em seus esforços para atrair os eleitores judeus americanos antes de sua reeleição , agora, de acordo com especialistas em Israel, é Netanyahu quem precisa de Obama.

O líder israelense enfrentará uma eleição em janeiro, e se há uma coisa que os eleitores israelenses não gostam, disseram estudiosos, é qualquer tipo de acordo entre o seu primeiro-ministro e o presidente dos Estados Unidos durante momentos de dificuldade.

Um ano após Netanyahu ter deixado evidente seu apoio a Mitt Romney , agora poderia ser o momento perfeito para Obama retribuir o favor. E enquanto Israel e o Hamas - e seus defensores respectivos, os EUA e o Egito - lutavam para chegar a um acordo de cessar-fogo no conflito em Gaza alcançado na quarta-feira , ele não o fez.

Em vez disso, Obama enviou a secretária de Estado Hillary Clinton para ajudar a selar o cessar-fogo. Ele tem sido firme em seu apoio público sobre o direito de defesa de Israel em relação aos ataques de foguetes de Gaza e não chegou a mencionar a necessidade de "contenção" de Israel em sua campanha de bombardeio, o que poderia ser interpretado como um esforço americano para pressionar Israel.

Na Tailândia:  Obama defende direito de defesa de Israel, mas alerta contra invasão terrestre

Obama tem adotado uma postura vigorosa pró-Israel assim como o presidente George W. Bush (2001-2009) o fez quando enfrentou crises semelhantes, na guerra de Israel contra o grupo libanês Hezbollah, em 2006, e na incursão israelense a Gaza, em 2008.

O presidente fala ao telefone quase diariamente com Netanyahu e muitas vezes mais com o presidente Mohammed Morsi, do Egito, o líder da Irmandade Muçulmana que Obama contatou para mediar o acordo de cessar-fogo. E é Obama, que apoia o financiamento do sistema de defesa antimísseis Domo de Ferro, que impediu que centenas de foguetes atingissem alvos israelenses durante o conflito de oito dias.

De acordo com especialistas no Oriente Médio, tudo isso significa que Obama pode ter fortalecido sua posição perante o público israelense e está agora em uma situação muito mais confortável para começar a pressionar Netanyahu sobre questões que vão do bloqueio israelense imposto sobre Gaza ao Irã e até mesmo ao processo de paz dormente do Oriente Médio, no qual teve pouca influência.

Por enquanto, diplomatas e analistas dizem que é pouco provável que Obama pressione muito Netanyahu. Mas, à medida que o tempo passe após o cessar-fogo, o presidente poderá usar sua nova vantagem em questões como levantar o bloqueio de Gaza e permitir mais liberdade de movimento para os palestinos e seus bens através das fronteiras.

Veja imagens dos oito dias de conflito entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza:

Autoridades do governo afirmam que ainda é muito cedo para discutir as possíveis exigências a ser feitas de Israel. Mas um oficial declarou que o presidente tinha a intenção de reiniciar o processo de paz entre israelenses e palestinos em seu segundo mandato. Isso pode ser mais na teoria do que na prática. Robert Malley, diretor do programa do Oriente Médio e África do Norte do Grupo Internacional contra Crises apontou que, mesmo que Obama tentasse reiniciar as negociações de paz, tanta coisa aconteceu que "o contexto mudou".

Em suas conversas durante a crise, já houve uma mudança perceptível no tom adotado por Obama e Netanyahu, de acordo com autoridades. "É possível notar o quão importante essas conversas foram", disse Dennis B. Ross, ex-conselheiro sênior de Obama sobre o Oriente Médio.

Levando em consideração que Netanyahu continuará no poder depois de janeiro, Ross disse que o primeiro-ministro e Obama teriam oportunidade de criar uma nova perspectiva para o seu relacionamento – diante de um Oriente Médio transformado pela Primavera Árabe .

"Eles sabem que terão de se unir", disse Ross. "E sabem que algumas das considerações políticas que pareciam importantes antigamente já não serão mais tão importantes."

Por Helene Cooper e Mark Landler

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