Bola de futebol oferece esperança e alegria em países pobres

Após anos de pesquisa e ajuda financeira do cantor Sting, empresário Tim Jahnigen desenvolve bola resistente aos campos rochosos de todo o mundo

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Às vezes, uma bola de futebol é mais do que apenas uma bola. Às vezes, pode salvar vidas.

Tim Jahnigen sempre seguiu seu instinto, seja como carpinteiro, chef, compositor ou, mais recentemente, empreendedor. Assim, em 2006, quando viu um documentário sobre as crianças em Darfur, no oeste do Sudão, que encontraram consolo jogando futebol com bolas feitas de lixo e corda, ele se sentiu inspirado a fazer algo a respeito.

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Ele ficou sabendo que as crianças usavam bolas feitas de lixo pois as bolas doadas por agências humanitárias e empresas de artigos esportivos rasgavam rapidamente ou murchavam quando eram jogadas na terra rochosa dos campos de futebol. Jogar bola despertava tal alegria em condições tão estressantes que as crianças jogavam com praticamente qualquer coisa que se aproximava a uma bola.

"A única coisa que estas crianças tinham era jogar bola", disse Jahnigen, de Berkeley, Califórnia "No entanto, os milhões de bolas que são doadas ficam inutilizáveis dentro de 24 horas."

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Crianças brincam com bola One World em El Salvador (sem data)

Durante os dois anos seguintes, Jahnigen, que também estava trabalhando para desenvolver uma tecnologia médica de infravermelho, procurou algo que poderia se tornar uma bola, mas que nunca desgastasse, murchasse ou precisasse ser enchida. Muitos engenheiros com qual ele discutiu o projeto tinham suas dúvidas. Mas, eventualmente, Jahnigen descobriu a PopFoam, um tipo de espuma dura feita de etileno-acetato de vinil, um tipo de material semelhante ao utilizado nas Crocs, as populares e duráveis sandálias.

"Mudou a minha vida", disse ele.

Descobrir como tornar a PopFoam em uma esfera, no entanto, custaria centenas de milhares de dólares e o dinheiro de Jahnigen estava investido em seus outros negócios.

Um certo dia, ele estava tomando café da manhã com o cantor Sting, um amigo de sua passagem pelo mundo da música. Jahnigen contou a ele sobre como o futebol ajudou as crianças em Darfur a lidar com seus problemas e de seus esforços para encontrar uma bola indestrutível. Sting pediu que Jahnigen largasse tudo que estava fazendo e se dedicasse a construir a bola. Jahnigen disse que o desenvolvimento da bola poderia custar até US$ 300 mil. Sting disse que cobriria essa quantia para que o projeto fosse realizado.

A criação de um protótipo custou cerca de um décimo a mais do que o esperado e levou cerca de um ano para ser feito. Sting chamou a bola de One World Futbol, uma homenagem a uma música que ele cantou com seu grupo The Police, "One World (Not Three)."

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Para testar a durabilidade da bola, Jahnigen a enviou a lugares como Ruanda, onde foram usadas em um acampamento para ex-crianças soldados. Um leão no Zoológico de Joanesburgo na África Do Sul que costumava gastar seis bolas diariamente, gastou apenas duas. Um pastor alemão mordeu uma bola durante um ano. Em todos os casos, as bolas resistiram ao abuso.

Até agora, Jahnigen produziu cerca de 50 mil bolas. Cerca de metade delas foram compradas por US$ 40. Para cada bola comprada, outra é doada. A notícia se espalhou. A bola está sendo usada por uma centena de organizações diferentes e chegou a mais de 140 países. Comissários de bordo, Médicos Sem Fronteiras e um coronel do Exército dos Estados Unidos no Afeganistão levaram bolas com eles em suas viagens.

No entanto, há alguns desafios. No ano passado, a UNICEF comprou 5,2 mil bolas One World Futbol a US$ 17 cada e as deu a escolas no Quênia e em Uganda. Mas como as bolas não podem ser esvaziadas, isso as torna mais difíceis de serem transportadas.

O custo é outra questão, embora possam diminuir com o aumento da produção. Em maio, a Chevrolet, divisão da General Motors, concordou em comprar 1,5 milhões bolas One World Futbol ao longo dos próximos três anos e a doá-las a crianças carentes.

"Acreditamos no poder do jogo para unir, curar e proporcionar o desenvolvimento das crianças", disse John McFarland, parte da equipe global de estratégia de marketing da General Motors. "Não queremos focar na beleza do jogo em si, mas sim no que é bonito a respeito do jogo."

Embora Jahnigen esteja contente com a demanda, está tendo dificuldades para atendê-la. No final de setembro, a fábrica de Taiwan que produz as bolas começou a trabalhar dois turnos por dia para cumprir sua meta de 45 mil bolas por mês. Dois contêineres de 12 metros de bolas estão sendo enviados a cada semana para destinatários em todo o mundo, incluindo a Indonésia e países da África.

Com o tempo, disse Jahnigen, ele espera enviar milhares de bolas para muitas outras crianças.

"Uma criança pode jogar bola com o intuito de alegrar seu coração, onde podem não existir corações alegres", disse ele. "É difícil entendermos que ter uma bola é muitas vezes melhor do que ter um PlayStation 3."

Por Ken Belson

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