Vida de amante de ex-diretor da CIA era voltada para a família, dizem vizinhos

Retrato traçado por amigos de Paula Broadwell, cuja relação com Petraeus levou à sua renúncia na sexta, difere da imagem de mulher ambiciosa descrita por oficiais dos EUA

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Paula Broadwell se tornou uma importante figura na sede da coalizão liderada pelos EUA em Cabul, no Afeganistão, logo depois que o general David H. Petraeus assumiu o comando em junho de 2010. Vista como uma pessoa ambiciosa e decidida que tinha como objetivo juntar-se à elite de segurança de Washington, ela chamou a atenção de oficiais por tentar usufruir de suas conexões com seu chefe.

Investigação: Escândalo de ex-diretor da CIA envolve comandante dos EUA no Afeganistão

AP
O então chefe das tropas americanas no Afeganistão, David Petraeus, e sua biógrafa, Paula Broadwell, com quem teve um caso extraconjugal (13/07/2011)

Mais detalhes: Amante 'ameaçou' amiga de Petraeus

Em entrevistas, Paula - a biógrafa cujo caso extraconjugal com Petraeus levou à sua renúncia na sexta-feira como diretor da CIA - parecia assertiva e confiante como quando participou do programa "The Daily Show" e foi motivo de comentários no Twitter e em outros lugares.

Mas em Charlotte, cidade onde mora na Carolina do Norte, existe uma imagem muito mais comum e diferente da mulher que foi o centro do mais recente escândalo sexual de Washington.

De acordo com vizinhos, Paula é uma mãe, casada com um médico radiologista, que serve o jantar da família à luz de velas e acompanha seus dois filhos ao ponto de ônibus todas as manhãs antes da escola. Ela é a mulher simpática que mora num sobrado e veste fantasias para distribuir doces no Halloween.

Desde que a notícia de seu caso extraconjugal com Petraeus foi espalhada, Paula – nascida na Dakota do Norte com histórico que inclui ter sido oradora oficial de sua escola, rainha do baile, presidente do conselho estudantil do Estado e campeã de atletismo em West Point – tornou-se uma curiosidade nacional.

Seu relacionamento com Petraeus foi revelado após uma investigação do FBI. Segundo autoridades, a investigação começou com uma denúncia de que ela havia enviado emails ameaçando outra mulher que conhece o general . Essa mulher foi identificada no domingo como Jill Kelley, de Tampa (Flórida), uma amiga da família Petraeus. Quando acompanharam a denúncia, as autoridades do FBI se depararam com emails que revelavam que Petraeus, 60, e Paula, 40, tinham um romance extraconjugal.

Os dois se conheceram em 2006, quando Petraeus fez um pronunciamento na Universidade de Harvard, onde Paula cursava um mestrado em administração pública. Em um artigo sobre seu livro, o jornal The Charlotte Observer informou em janeiro que, quando ela lhe contou sobre seu interesse nos assuntos de contraterrorismo e contrainsurgência, ele lhe deu seu cartão de visita e ofereceu-se para ajudar.

Logo depois, ela lhe perguntou se poderia usá-lo como um tema de sua tese de doutorado. "Petraeus concordou", disse Paula a Claudia Chan, que edita um site dedicado às mulheres e liderança, "e comecei a escrever uma história sobre seu 'histórico intelectual' para explorar como ele havia exercido o papel de um pioneiro que estimulou a inovação organizacional".

Quando o presidente Barack Obama escolheu Petraeus como seu novo comandante no Afeganistão, em 2010, Broadwell propôs transformar a dissertação em um livro. Ela se juntou a um editor de jornal, Vernon Loeb, que atualmente trabalha para o Washington Post, para escrevê-lo. O Observer relatou que ela fez seis viagens ao Afeganistão, passando dias com os soldados e entrevistando o general.

Novo mandato: Renúncia de chefe da CIA é primeiro desafio de Obama

No sábado, o Observer informou que Paula tem sido uma oradora convidada para discutir os assuntos do Conselho Mundial de Charlotte e falou recentemente em um evento beneficente de gala para uma instituição de caridade chamada Patriot, uma organização sem fins lucrativos que apoia os militares feridos da Carolina do Norte e Carolina do Sul e suas famílias.

Após a exposição do caso de Paula com Petraeus, seus amigos e vizinhos não sabem muito bem qual será seu futuro. "Queremos organizar uma festa do livro para ela e convidar algumas pessoas do bairro", disse Williams, um editor aposentado. "Queríamos organizar a festa para o início de dezembro. Agora não tenho tanta certeza de que isso acontecerá. "

Sarah Curme, uma vizinha e amiga, disse no sábado que ela tem conversado com Paula via mensagem de texto e email e afirmou que os Broadwells estão "muito unidos e superarão" o tumulto emocional de uma infidelidade que está sendo julgada em público.

"Obviamente, ela cometeu um erro", disse Curme, "mas realmente acredito que ela tem muita capacidade de conseguir superar essa situação de uma maneira muito positiva, sem destruir ninguém. Ela simplesmente não é esse tipo de pessoa. Seja lá o que tenha acontecido, acredito que Paula se responsabilizará pelo seu erro e de forma alguma abandonará sua família."

Por Sheryl Gay Stolberg

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