Tempestade Sandy enche Aquário de NY de substância perigosa: água

Passagem do fenômeno representou maior crise da história do local, que teve edifícios inundados e cortes de energia

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O relógio no escritório de Jon Forrest Dohlin, diretor do Aquário de Nova York, que fica próximo ao calçadão de Coney Island, estava parado indicando 19h50. "E dez segundos", ele acrescentou, cercado por caixas de papéis e móveis encharcados .

Esse foi o exato momento em que, no dia dia 29 de outubro, o Oceano Atlântico ultrapassou o calçadão e invadiu os seis prédios que compõem o aquário de 5,6 hectares, no Brooklyn, Nova York, cortando a luz. Foi também o momento em que as mensagens de rádio entre os cerca de 20 funcionários que estavam monitorando a situação de repente sinalizaram que o aquário, que é administrado pela Sociedade de Conservação da Vida Selvagem, estava prestes a enfrentar a maior crise de sua história.

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Uma das exibições do prédio "Sea Cliffs", inundado do chão ao teto durante a passagem da tempestade Sandy por NY (06/11)

"Recebemos mensagens que diziam que nada estava acontecendo, mas em questão de segundos tudo mudou", lembrou Dohlin, que estava fora do aquário quando a tempestade Sandy o atingiu.

Em três minutos, a água, que ultrapassou as portas anti-inundação barricadas com sacos de areia e entrou através de aberturas e dutos, foi caindo pelas escadas dos prédios, enchendo seus porões com 5 a 10 metros de água. A água continuou subindo, inundando os pisos do térreo em até 3 metros. Um edifício, chamado Sea Cliffs, era uma preocupação especial, já que possuía muitos tanques e exposições em seu porão, tanques que estavam abertos no topo e, portanto, expostos a invasão do mar.

Talvez mais importante para toda a coleção de 12 mil peixes e mamíferos marinhos seja o fato de que as águas imediatamente derrubaram transformadores elétricos do aquário e danificaram seu sistema de distribuição de energia elétrica e equipamentos mecânicos, fazendo com que os geradores de emergência ficassem inutilizados. E arruinou as bombas e motores que operam sistemas críticos de apoio de vida para os peixes como filtros, oxigenação e calor.

"Foi absolutamente devastador ver o porão ser inundado, pois eu sabia muito bem o que isso significaria ", lembrou Dohlin. "Naquele momento, sabia que a instalação estava perdida."

Dohlin e outros funcionários sabiam que eles precisariam evacuar os animais para outros aquários na região, algo que queriam evitar. "Os animais já estavam estressados pelo que havia acontecido ", disse, "e mudá-los de local só iria piorar a situação."

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Nos dias seguintes, mesmo à medida que os membros da equipe perceberam que algumas de suas próprias casas haviam sido severamente inundadas ou danificadas, Dohlin e mais de uma dúzia de funcionários trabalharam quase o tempo todo para bombear água para fora dos porões e fazer com que os geradores de emergência funcionassem. No entanto, os transformadores quebrados impossibilitaram sua capacidade de restabelecer a eletricidade. Aquários de Boston a Baltimore foram alertados de que eles poderiam ter que receber os peixes da coleção, caso esses esforços não fossem bem sucedidos.

Apesar de algumas casualidades, a grande questão que restou foi o destino dos 150 ou mais peixes e mais de uma dúzia de exposições no porão do edifício Sea Cliffs que abrigavam desde cavalos-marinhos a enguias. Não foi até a manhã de sexta-feira, 2 de novembro – exatamente as 4h – que Dohlin finalmente foi capaz de descer para o porão com uma lanterna para descobrir o que havia acontecido. Ele estava esperando o pior, sabendo que a água do mar havia penetrado os reservatórios. "Pensei que havíamos perdido tudo", lembrou.

Ao invés disso, "pude ver nos tanques que cada peixe ainda estava lá e que ainda estavam vivos", disse ele, andando pela sala de exposições. "Nossa lagosta gigante estava aqui. Os cavalos-marinhos ainda estavam vivos. Foi incrível."

Dohlin especulou que, apesar das águas terem atingido o topo dos tanques, a água fria do mar deve ter ficado apenas na superfície do tanque". Os peixes não pareceram ter ficado tão incomodados assim. Com uma exceção: um membro da equipe encontrou uma enguia de três metros de comprimento viva em 10 centímetros de água no fundo de um chuveiro no banheiro de funcionários, após a água do porão ter sido retirada.

"Foi como uma afirmação de que talvez milagres acontecem", disse Dohlin. "Imediatamente a batizamos de Lázaro".

Por Lisa W. Foderaro

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