Mudança em eleitorado dos EUA preocupa republicanos

Maior peso de minorias nas urnas levanta dúvidas sobre o futuro do partido, que há 24 anos não consegue a quantidade de votos que Obama teve na semana passada

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Há duas décadas o Condado de Prince William era um dos poucos subúrbios predominantemente brancos, rurais e distantes que os candidatos republicanos visitavam para acumular votos para ganhar as eleições no Estado de Virgínia.

Desde então, este condado sofreu transformações. Campos inabitados cederam espaço a casas e condomínios, e o condado - que fica a cerca de meia-hora ao sul de Washington - passou a ter a sétima renda familiar mais alta do país e tornou-se o primeiro condado da Virgínia onde as minorias representam mais da metade da população.

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Se este condado se parece com o futuro do país, os democratas têm até agora desenvolvido uma estratégia muito mais bem-sucedida para apelar para esse futuro. Na semana passada, o presidente Barack Obama venceu Mitt Romney por quase 15 pontos percentuais em Prince William, quase dobrando a margem de George W. Bush sobre Al Gore em 2000 e garantindo a Obama uma vitória surpreendente na Virgínia.

Ele fez isso não apenas ao conquistar os eleitores hispânicos, mas também por conquistar as maiorias do crescente número de eleitores asiático-americanos e de eleitores com menos de 40 anos de idade. Uma versão de sua coligação em Virgínia - uma combinação de minorias, mulheres e adultos jovens - também ajudou a vitória de Obama no Colorado, Nevada e na Flórida.O democrata chegou perto de vencer na Carolina do Norte, um Estado quase garantido para os candidatos republicanos à presidência há apenas alguns anos, e onde ele venceu por uma margem pequena em 2008.

As mudanças demográficas no eleitorado dos Estados Unidos aconteceram com uma velocidade impressionante e deixaram muitos republicanos - que há 24 anos não ganham tantos votos quanto Obama ganhou na terça-feira - preocupados com o futuro. A chamada "estratégia do sul" dos republicanos, de apelar principalmente para os eleitores brancos, parece ter se deparado com uma parede demográfica.

"Antes, nós achávamos que era uma importante considerar a questão demográfica", disse Al Cardenas, o presidente da União Conservadora Americana. "Agora, sabemos que é uma questão essencial. É impossível ignorá-la."

O problema central para os republicanos é que os maiores eleitorados dos democratas estão aumentando. Asiáticos-americanos, por exemplo, representaram 3% do eleitorado, acima dos 2% de 2008 - e tendem para o lado dos democratas. Com isso, republicanos dependem cada vez mais de eleitores brancos idosos.

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O partido "precisa de mensagens e políticas que apelem para um público mais amplo", disse Mark McKinnon, um ex-estrategista republicano de George W. Bush. "Esta eleição mostrou que a tentativa de expandir um eleitorado pequeno simplesmente não funciona. Está na hora de colocar um pouco de compaixão de volta no conservadorismo. O partido precisa de mais tolerância, mais diversidade e uma apreciação mais profunda em relação as preocupações da classe média ".

Mas a questão imediata para os republicanos, disseram alguns do partido, é como melhorar sua imagem com os eleitores que já estão perdendo.

"Você não precisa necessariamente mudar sua visão em certas questões e, de repente, assumir a posição dos democratas sobre impostos para ganhar o voto dos negros ou o voto dos latinos ou o voto das mulheres", disse Corey Stewart, republicano que é presidente do Conselho de Supervisores do Condado em Prince William. "Mas você tem que moderar o tom com o qual expressa suas visões".

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Em Prince William, como em outros lugares, o maior desafio para os republicanos pode estar entre os eleitores hispânicos, dado os seus números. Vitórias de Obama no Colorado, Nevada e Virgínia vieram em parte porque os hispânicos compareceram em massa e votaram nele. No Colorado, 14 % dos eleitores eram hispânicos e Obama teve o voto de três quartos deles. Na Flórida, os eleitores hispânicos formavam quase um quinto do eleitorado, e Obama venceu com cerca de três quintos.

Em Prince William, a população hispânica triplicou de 2000 a 2010, a maioria ao longo do corredor da Rota 1 na comunidade do condado da Cidade Dale. Mas Tom Davis, que costumava representar a cidade de Dale como um membro republicano do Congresso, disse que o problema para seus ex-colegas vai além de apenas conquistar os latinos.

A coligação do partido está se contraindo e não se expandindo, disse ele. Ele precisa encontrar uma maneira de ampliar seu alcance, em parte ao encontrar mais minorias e candidatos do sexo feminino para concorrerem sob a bandeira republicana, argumentou Davis. E ele disse que a divulgação precisa ser verdadeira : "Não basta apenas colocá-los em pôsters e levá-los a convenções"

Republicanos como Davis - e alguns da campanha de Romney - foram rápidos em apontar que a eleição desta semana foi acirrada. Davis disse que "não era hora para os republicanos entrarem em pânico". Mas ele disse que os republicanos devem ser honestos com eles mesmos sobre o futuro.

"É hora de sentarmos e dizer na prática para onde estamos indo e como vamos agregar peças para nossa coligação", disse ele. "Simplesmente não existem indivíduos brancos de meia-idade suficiente que possamos juntar para ganhar. Isso não é mais uma opção. "

Por Michael D. Shear

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