Após derrota de Romney, republicanos têm desafio de restruturar partido

Lideranças discutem se partido deve continuar na mesma linha antigoverno ou adotar estratégia que reconheça mudanças demográficas nos EUA

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A derrota de Mitt Romney para um presidente democrata cujo governo enfrenta uma economia ruim certamente deverá levantar questionamentos sobre o futuro do Partido Republicano. Mas a força dos conservadores do partido no Congresso e a inclinação para a direita da próxima geração de líderes poderiam limitar qualquer tipo de correção necessária para uma mudança de direção.

Com a reeleição de Barack Obama , republicanos de todo o espectro político anteciparam um período prolongado e provavelmente divisório de autoreflexão.

O próximo debate será sobre se o partido deverá continuar no foco antigoverno que nasceu da resistência à reforma da saúde e que lhes deu a maioria de votos para o Senado em 2010, ou se deve se concentrar em uma estratégia que reconheça que existe uma forte maré demográfica que não o favorece.

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O candidato republicano à presidência dos EUA, Mitt Romney, assume a derrota durante discurso em Boston

"Haverá algum tipo de guerra", previu Mike Murphy, um consultor republicano de longa data, sugerindo que "matemáticos" como ele seriam criticados por argumentar que o partido não pode se render aos votos dos hispânicos, negros, eleitores mais jovens e mulheres com educação superior, contra os dos puristas do partido, ou "sacerdotes", como ele os descreve, que acreditam que os princípios básicos conservadores podem triunfar sem serem alterados.

"Estamos em uma situação em que os democratas estão recebendo uma quantidade enorme de votos sem nenhum esforço", disse Murphy.

Mas o debate não será apenas sobre questões demográficas. Ralph Reed, um veterano do movimento conservador, disse que a perda de Romney iria agitar ressentimento entre aqueles que acreditam que o partido cometeu um erro em nomear um republicano mais centrista que tinha que se esforçar para apelar para a base do partido. "Há definitivamente um sentimento de que poderia ter sido melhor ter nomeado um conservador de longa data", disse ele.

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Como partido, os republicanos continuam a depender cada vez mais de uma classe trabalhadora e de eleitores brancos em zonas rurais e suburbanas - um percentual cada vez menor do total do eleitorado - enquanto os democratas acumulam grandes maiorias entre os eleitores urbanos, incluindo os negros, hispânicos e outras minorias. Sem mencionar os jovens americanos que costumam obter sua dose de notícias políticas através da rede de televisão Comedy Central e que não necessariamente irão se tornar mais conservadores à medida que envelhecem. A diferença significa que os democratas podem ficar bem abaixo dos 50% dos votos dos brancos e mesmo assim ganhar a presidência, uma divisão que deverá aumentar no futuro.

De acordo com pesquisas de boca de urna, cerca de 7 em cada 10 hispânicos disseram que votaram para o presidente Barack Obama. Romney ganhou o apoio de quase 6 em cada 10 brancos. Nas áreas urbanas, os eleitores brancos estavam divididos entre os dois candidatos, mas cerca de 6 em cada 10 eleitores brancos dos subúrbios votaram para Romney, assim como quase dois terços em áreas rurais.

Romney conquistou a maioria dos eleitores de 65 anos ou mais, enquanto Obama foi apoiado por 6 em cada 10 americanos com menos de 30, e ganhou uma pequena maioria entre pessoas com menos de 44 anos.

Mesmo à medida que absorviam a derrota de Romney, as principais autoridades eleitas do partido, estrategistas e ativistas disseram acreditar que os republicanos haviam oferecido uma mensagem persuasiva de oportunismo econômico e restrição fiscal. Embora a imagem de seu representante possa ter sido manchada, segundo eles, os republicanos não deveriam desviar-se desta abordagem em um momento de pânico.

Com os republicanos mantendo sua maioria na Câmara, este provavelmente será o 113 º Congresso mais conservador do que o anterior.

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Para alguns na ala centrista do partido, a necessidade de avançar em direção ao meio não poderia ter sido mais evidente à medida que os republicanos entraram no ciclo eleitoral de 2012, com vantagens tanto nas disputas presidenciais quanto para o Congresso.

"Temos que reconhecer as mudanças demográficas no país", disse a senadora Susan Collins, do Maine, que observou como o número de seus colegas republicanos moderados no Senado havia diminuído. "Os republicanos não irão conseguir ganhar apenas com os eleitores brancos das zonas rurais."

Democratas sentem um paralelo com sua própria história recente, quando um partido cada vez mais liberal foi considerado como tendo perdido contato com a maioria do eleitorado americano e foi derrotado em três eleições presidenciais consecutivas - 1980, 1984 e 1988 - até que Bill Clinton, que praticou um estilo centrista da política, venceu dois mandatos.

"Eles precisam de um Bill Clinton ", disse Rahm Emanuel, prefeito de Chicago e ex-assessor de ambos os presidentes Clinton e Obama. Apesar de muitos republicanos ainda não verem necessidade de uma mudança drástica, parece de fato haver um consenso crescente de que o partido precisa de alguma maneira consertar suas relações com os hispânicos do país, um grupo que possui socialmente e fiscalmente tendências conservadoras e um cujo os republicanos conseguiram conquistar durante o governo do ex-presidente George W. Bush.

Mas esse apoio tem piorado de forma constante desde a eleição de 2004. O senador da Flórida, Marco Rubio, um cubano-americano, disse que seu partido tem que começar a mudar sua percepção sobre a imigração, pressionando por melhorias no sistema de imigração existente e de falar mais sobre a capacidade de imigrar para os Estados Unidos legalmente.

Por Carl Hulse

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