Ao observar eleição presidencial dos EUA, mundo também faz análise interna

Modo como a imprensa estrangeira cobre as eleições americanas dá pistas sobre como elas se veem e como encaram o processo político do país

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Durante semanas, a cobertura da disputa presidencial dos Estados Unidos pela mídia estatal russa tem sido ofuscada por comentários de apresentadores de televisão, que afirmam que a campanha não passa de um "concurso de beleza", em que candidatos indistinguíveis disputam a lealdade de blocos de eleitores. "Alguns vão atrás de morenas obesas , alguns preferem as mais magras."

Mas para aqueles que acreditavam que a Rússia não tinha nada a ver com as eleições americanas, o último debate presidencial serviu para fazê-los pensar novamente. Antes de debate, ainda na hora do almoço, o analista Fyodor Lukyanov escreveu para o jornal Izvestiya dizendo: "Se Mitt Romney vencer, as relações entre a Rússia e os Estados Unidos não apenas irão sofrer consequências, mas também irão desaparecer, deixar de existir por um longo tempo."

Saiba mais: Veja o especial dos EUA sobre as eleições nos EUA

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Imagens de debate presidencial nos EUA são vistas em sala de controle da emissora japonesa NHK em Tóquio (23/10)

À medida que a disputa entre Romney e o presidente Barack Obama entra na reta final, o mundo observa - e a maneira como outros países têm coberto a disputa presidencial americana muitas vezes diz muito sobre como se sentem sobre si mesmos e como julgam o processo político dos EUA.

Comentaristas brasileiros, que são familiarizados com ícones culturais americanos, não deixam passar certos detalhes - expressando choque, por exemplo, com a proposta de Romney de acabar com o subsídio à PBS, que produz o "Vila Sésamo" - no Brasil, Big Bird é carinhosamente chamado de Garibaldo.

Em outros países, como a Rússia e a China, a cobertura tem sido quase inexistente, refletindo tanto a cautela sobre a retórica de Romney quanto sua decepção com os quatro anos de política externa de Obama. Na verdade, a desilusão com os Estados Unidos afetou a cobertura de notícias em muitos países - inclusive a Alemanha, uma nação que respeitava muito a política americana.

"Em 2008, todo mundo queria saber: 'Onde está o Obama alemão?'", disse Christoph von Marschall, chefe da sucursal de Washington do jornal alemão Tagesspiegel. "Ninguém quer saber mais disso. Obama já não é o messias. Ele também é apenas um político, um político normal e até mesmo desagradável."

No Japão, em compensação, os principais jornais e noticiários televisivos fazem artigos diariamente sobre a campanha, apontando erros dos candidatos com análises que chegam ser até mais cautelosas que de muitos americanos. Seu entusiasmo é em grande parte por um motivo prático. Há três anos, uma eleição histórica terminou 57 anos de regime de um único partido político no Japão, e seus líderes estão à procura de um modelo para um sistema de dois partidos.

"O mundo inteiro está acompanhando a eleição da superpotência", disse Mainichi Shimbun, um dos maiores jornais do Japão, em editorial.

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Em Breitenbrunn, alemães tomam café da manhã assistindo notícia sobre debate nos EUA (23/10)


Por Ellen Barry

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