Central Park, em Nova York, ganha presente de US$ 100 milhões

Executivo faz maior doação da história do mais famoso parque nova-iorquino, equivalente a cerca de R$ 202 milhões

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Quando o gerente de fundos de cobertura (hedge funds) John A. Paulson anunciou, em frente à Fonte Bethesda, no coração do Central Park, que iria fazer uma doação de US$ 100 milhões para o parque nova-iorquino, ele pegou a todos de surpresa.

Mas já estava na hora de a maior doação da história do sistema de parques de Nova York - e, possivelmente, dos EUA - ser feita.

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John Paulson posa para foto no Central Park (23/10)

Ela vinha sendo idealizada desde a época em que Paulson, hoje com 56 anos, se sentava perto da fonte, sob a estátua de bronze do Anjo das Águas, quando ainda era adolescente - atualmente ela está coberta com com pichações. A iniciativa começou a tomar forma mais recentemente em caminhadas com o presidente da unidade de conservação Doug Blonsky.

O presente chega em uma época em que o Central Park está passando por uma boa fase, depois de décadas de melhorias e restaurações – desde pontes de pedra a edifícios históricos, grandes gramados e intalações d'água - realizados pela unidade de conservação, o grupo sem fins lucrativos que administra o parque em nome da prefeitura, desde sua formação, em 1980.

O parque, de fato, não tinha um aspecto tão bom desde que os paisagistas Frederick Law Olmsted e Calvert Vaux o criaram, em meados do século 19, a partir de um retângulo de 341 hectares no centro de Manhattan.

Mas os líderes da conservação ressaltam que o futuro do parque nunca foi certo, citando períodos de declínio, particularmente na década de 1970. A doação de US$ 100 milhões deve mudar isso.

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"Os ciclos de declínio e restauração que este parque tem sofrido por tanto tempo serão rompidos para sempre", disse Blonsky em uma coletiva de imprensa com a presença do prefeito Michael R. Bloomberg, assim como ex e atuais comissários do parque e fundadores da unidade de conservação.

A doação também deve melhorar a imagem de Paulson, que teve alguns problemas nos últimos anos. Com um valor estimado em US$ 11 bilhões, Paulson começou sua empresa de fundos de cobertura, Paulson & Co., em meados da década de 1990. Ele chegou à fama e fez sua fortuna em 2007 apostando contra hipotecas antes do colapso do mercado imobiliário. Mas ele perdeu um pouco do seu brilho, ultimamente, sofrendo perdase fazendo com que investidores retirassem dinheiro de seus fundos.

Metade da doação de US$ 100 milhões para o Central Park irá para sua dotação de US$ 144 milhões, que ajudará na manutenção das finanças, enquanto a outra metade irá pagar por melhorias de capital. Em seu discurso, Paulson, que corre e anda de bicicleta no parque, destacou dois projetos em particular: a restauração da Mata do Norte, com suas cachoeiras e trilhas cênicas, e melhorias de paisagismo em volta do Portão do Comerciante, no canto sudoeste do parque, sua entrada mais movimentada.

Apesar do presente, nada que for construído no parque irá ter o nome de Paulson.

Quando questionado sobre o que o levou a querer dar tal presente, ele disse: "Ao caminhar pelo parque em diferentes épocas do ano, eu não conseguia parar de pensar que o Central Park é a mais merecedora de todas as instituições culturais de Nova York. E eu queria que o dinheiro pudesse fazer alguma diferença."

Adrian Benepe, um oficial sênior do Fundo para Terras Públicas, que recentemente deixou o cargo de comissário de parques da cidade, disse que o presente ajudaria na prevenção do parque.

"Está se tornando cada vez mais difícil arrecadar dinheiro operacional", disse ele. "O parque tem 40 milhões de visitantes por ano, e isso tem seu efeito sobre a paisagem. Ele só não pode se manter sozinho. "

A doação de Paulson pode ter sido seu primeiro presente importante para a conservação, EM cujo conselho ele entrou apenas em junho, apesar de não ter sido seu primeiro ato de filantropia. Em 2009, ele doou US$ 20 milhões para a Escola de Negócios Stern da Universidade de Nova York. Nesse mesmo ano, ele doou US$ 5 milhões para o Hospital de Southampton, em Long Island, que nomeou o seu departamento de emergência em homenagem a Paulson e sua esposa, Jenny.

E este ano, ele tem sido um generoso doador político, dando cerca de US$ 1,4 milhões para os candidatos republicanos, as organizações partidárias e as comissões de Super PACs. Ele também organizou um evento beneficente para Mitt Romney, o candidato republicano à presidência, em sua casa na cidade.

A medida que ele saía do parque, Paulson evitou responder a perguntas sobre suas relações de seu negócio e de filantropia. Ele queria falar apenas sobre o Central Park.

"Gosto do parque durante todas as estações do ano", disse ele. "É muito tranquilo quando neva. Mas você tem que usar os sapatos certos para não passar frio ou escorregar. "

Por Lisa W. Foderaro

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